segunda-feira, 28 de outubro de 2019

[RESENHA] BACAMARTE - Teatro Municipal de Niterói - 25 de Outubro de 2019

Acervo Progrockvintage
Após quase dois anos, retorno ao simpático Teatro Municipal de Niterói para a realização de um antigo sonho: assistir a uma apresentação ao vivo do Bacamarte com a presença de alguns de seus membros originais, incluindo a iluminada voz de Jane Duboc.

Tive então o privilégio de ser convidada pela produção da Vértice Cultural para acompanhar a passagem de som que foi uma pequena prévia do que viria a presenciar naquela noite. Ali já pude sentir um arrepio por poder ver e ouvir de muito perto toda a preparação técnica em um momento bem íntimo, por assim dizer. Ao nível do palco, acompanhei a finalização de montagem e afinação dos instrumentos, assim como os ajustes de voz, som e luz e, posteriormente uma pequena palhinha de alguns de seus clássicos consagrados. 

Pouco depois das oito da noite, o Bacamarte entra em cena com o teatro praticamente lotado e abre o show com os primeiros acordes de Miragem. Faixa instrumental, onde dava pra sentir com bastante nitidez, a pureza da perfeita acústica do teatro no momento em que Mário Neto começa a dedilhar os primeiros e lépidos acordes em uma Les Paul preta, um tanto impactante por sua potência e extrema beleza.

A curta e também instrumental, Caño realça a extrema competência e técnica bastante apurada do baterista Alex Curi, acompanhado pela forte vibração do poderoso e muito bem executado Rickenbacker do simpático William Murray. A demonstração de habilidade e entrosamento entre os dois músicos, não somente nesse faixa mas durante toda a apresentação, foi de se impressionar. Além de todo esse veneno, Marcus Moura abandona a flauta para empunhar um lindo e discreto Acordeon acompanhado pelo sintetizador do versátil e ótimo tecladista, Robério Molinari.

 Uma das boas surpresas da noite foi a linda Canção Filosofal, composta em 1974 por Mario Neto e Sérgio Vilarim (tecladista da formação original) mas nunca lançada oficialmente. Momento este de pura comoção por parte do guitarrista.

Vale ressaltar que, entre uma faixa e outra, Mário discursava com certa descontração mas bastante emocionado, citando sempre seus antigos companheiros de banda e da música num geral. Momentos estes um tanto comoventes e bonitos de se ver.

Em UFO, os músicos destilam mais uma vez uma inflamada técnica e forte interlocução instrumental. Se inicia com alguns belos acordes de violão clássico, bem na tradição brasileira de grandes violonistas, como Gismonti e Baden Powell por exemplo. A música se direciona para uma espécie de serenata, adoçada por flautas no estilo Guarani, dando espaço a uma linda timbragem de cravo em complexas movimentações. Com passar do tempo, entram belos solos de flauta doce acompanhados de esplêndidas passagens vinda dos sintetizadores. Que banquete para os ouvidos!

Smog Alado abre com um imponente duo entre baixo/bateria, seguidos por fragmentos de flauta transversal e virtuosos solos de guitarra. Nesse momento, entra o caloroso porém, tenro vocal de Jane Duboc que vem como um alento para os ouvidos dos espectadores.

Seguida por Espíritos da Terra, faixa leve com uma linha calma de baixo, entradas sutis de teclado e dessa vez, uma guitarra mais suave. Linda versão retirada do álbum 'Sete Cidades' onde, mais para seu final, Mario divide o vocal com Duboc em um momento de muito bom gosto, a meu ver.

Em Pássaro de Luz, todos os holofotes são voltados para a talentosa vocalista e um dos nomes importantes da MPB, em uma das mais belas baladas do Rock Progressivo. Jane Duboc fez e ainda faz muita diferença quando adentra ao palco ou aos estúdios por onde o Bacamarte passa. Sua voz se encaixa com perfeição ás composições executadas pela banda, fazendo com que ela seja peça importante para a edificação harmônica entre seus membros.

Filhos do Sol, mostra uma outra habilidade de Mário Neto quando se dedica aos imponentes vocais contidos nessa faixa. Mais uma vez durante o show, a percussão de Alex Curi se torna ainda mais evidente e Marcus Moura se destaca nos solos de flauta que, dessa vez, seguem uma linha mais voltada para o folk.
Acervo Progrockvintage
Depois do Fim, música que dá nome a um dos discos mais procurados e respeitados do Rock Progressivo mundial, cai como uma bomba no teatro por sua atmosfera apocalíptica, com vocais rondando certa melancolia, beirando de certa forma o fim dos tempos.
Os solos de guitarra mais uma vez se sobressaem e se difundem a uma perfeita base de teclados e sintetizadores.
Em todos esses anos em que me dedico a escutar o gênero com muito afinco, tenho o solo de flauta ao final como o mais perfeito de todos os tempos, deixando muito flautista de renome internacional no chinelo.
Certamente, essa foi uma das músicas mais marcantes de todo o espetáculo.

Outra grata surpresa foi a inédita Lua Minguante, dividida em quatro pequenas suítes que denominam as fases da lua em uma instrumentação impecável.

Mirante das Estrelas evidencia novamente a perfeição no que diz respeito ao entrosamento dos músicos. A interação frenética do violão acústico e guitarra com os teclados reverberava no ambiente, enquanto o resto da banda fornecia certo alicerce no decorrer da execução. Vale destacar também, mais uma vez, a imponência e destreza no baixo de William Murray.

Já perto do fim da apresentação, a faixa Polêmica se encaixou ao setlist, relembrando uma composição dos anos 70, escrita por dois ex-membros da banda, o baixista Delto Simas e o baterista Marco Veríssimo.


Fechando com chave de ouro, Último Entardecer talvez tenha sido a execução mais longa de todo o show. A introdução se destaca pela timbragem perfeita de um piano digital extraído de um Casio Privia que acompanhou Robério durante todo o espetáculo. As variações de teclado são bastante interessantes, passando por lindos segmentos de piano a técnicos solos de sintetizadores. 
Dessa vez, os solos de guitarra saíram de uma linda Gibson EDS (double neck) a qual possui uma sonoridade bem característica mas nesse caso, os acordes eram de extrema sofisticação. As flautas soaram como uma vistosa brisa acompanhando a amargurada voz de Duboc em letras filosóficas, lidando com a morte, o medo e a esperança.

O Bacamarte encerrou a terceira edição do Carioca Prog Festival em alto nível onde reuniu músicos de extrema qualidade em um show altamente virtuoso, repleto de boas recordações, emoções e absurda certeza de que devemos respeito ao Rock Progressivo nacional como um todo. O Brasil possui novas e velhas bandas de siginificativa relevância que merece espaço e divulgação decente nos diversos meios de comunicação da atualiadade. 

Um bom exemplo disso é a bem sucedida parceria entre a Vértice Cultural e a BeProg que vem acendendo ainda mais a chama de que o gênero permaneça em envidência a ponto de atrair cada vez mais pessoas para o lado bom da música. 

Nesse ano essa parceria rendeu mais um belíssimo festival que reuniu doze excelentes bandas vindas de cinco estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Pará, Rondônia e Rio Grande do Sul e divididas em quatro teatros entre as cidades do Rio e Niterói. 

Nesse momento, só me resta agradecer a Vértice Cultural (leia-se Cláudio Paula) e aos diversos amaigos aos quais me reencontrei por lá por tão cuidadosa hospitalidade a qual me receberam em Niterói. Tenho certeza de que todas as centenas de pessoas que compareceram aos shows comungam da opinião de que este festival entrou para a história!

Que venha 2020!


terça-feira, 22 de outubro de 2019

[DIVULGAÇÃO] ÍCONES DO PROGRESSIVO - TEATRO MUNICIPAL DE NITEROI - PRÓXIMA QUINTA 24/10


O projeto Ícones do Progressivo se apresenta já na próxima quinta, 24/10, para mais um grande espetáculo no belo Teatro Municipal de Niterói, que contará com interessantes releituras em formato instrumental de bandas como Focus, Elp, Genesis, dentre outras. 

A banda é liderada pelo guitarrista carioca Luiz Zamith acompanhado por músicos de renome no cenário brasileiro tais como Paulo Teles (teclados), Elcio Cáfaro (bateria), Paulo Menezes (baixo) e Roberto Ovalle (teclados).

A proposta do Ícones do Progressivo é mostrar a contemporaneidade e vigor das ideias e concepções musicais deste diversificado e influente gênero musical mesmo com o passar do tempo e convidamos o público apreciador do gênero a levar amigos e familiares de todas as idades que não conhecem o progressivo, pois queremos contribuir com a formação de novas plateias.


SERVIÇO:

Local: Teatro Municipal de Niterói (XV de Novembro, 35)
Data: 24 de Outubro (quinta) - 19hrs
Os ingressos podem ser adquiridos a preços acessíveis na bilheteria do teatro ou antecipadamente no site da Ingresso Rápido.



domingo, 20 de outubro de 2019

BLACKWATER PARK - Dirt Box - 1971



(PUBLICADO ORIGINALMENTE EM SETEMBRO DE 2008)

Excelente banda alemã vinda da cidade de Berlin e muito pouco conhecida pelos admiradores do prog alemão. Com um estilo mais voltado para o Hard Rock, o Blackwater faz um som mais pesado dando ênfase tanto aos excelentes riffs de guitarras quanto as belas passagens de Hammond.


 Seu vocalista era britânico e com um belo e forte timbre de voz. Destaque para a terceira e pesada faixa " Indian Summer", que nitidamente nos mostra a qualidade, entrosamento e muito virtuosismo entre seus membros. Vale lembrar que a última faixa é uma bela versão de "For No One" composta por Lennon e McCartney e lançado no álbum Revolver de 1966.

Como sempre, boas bandas como essa tiveram carreiras muito curtas, pouco reconhecidas na época e gravaram apenas um disco, os chamados one shot.

Dirt Box foi gravado em Dezembro de 1971 e lançado pela BASF no ano seguinte. Hoje em dia, pedem-se centenas de dólares por essa edição. Há pouco tempo vi no Ebay  um francês vendendo por nada menos que € 450Para a sorte dos colecionadores,  o selo Second Battle lançou a versão em CD recentemente.


TRACKS:

1. Mental Block
2. Roundabout
3. One's Life
4. Indian Summer
5. Dirty Face
6. Rock Song
7. For Noone


MEGA

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

[DIVULGAÇÃO] CARIOCA PROG FESTIVAL - CARAVELA ESCARLATE E ARCPELAGO - CENTRO DA MÚSICA CARIOCA -12 DE OUTUBRO



Dando continuidade a programação do CaRIOca ProgFestival, o próximo sábado (12/10) conta com a dobradinha das bandas Arcpelago e Caravela Escarlate que se apresentarão no Centro da Música Carioca, no bairro da Tijuca.

Serão dois shows independentes, com ingressos distintos. Entretanto, está sendo oferecido um combo promocional no valor de R$ 60,00 (sessenta reais) para quem quiser assistir aos dois shows. 

Confira os horários das apresentações:

- Arcpelago - 17:00 h;
- Caravela Escarlate - 20:00 h.

O Carioca ProgFestival é produzido pela Vértice Cultural e pela BeProg, de modo que as bandas não têm absolutamente nenhuma autonomia sobre os preços dos ingressos e oferecimento gratuito dos mesmos.



SERVIÇO:

ARCPELAGO e CARAVELA ESCARLATE

DATA: 12 de OUTUBRO (SÁBADO) - A PARTIR DAS 17HRS

Centro da Música Carioca (R. Conde de Bonfim, 824 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ)
Ingressos a venda na bilheteria do teatro ou através do site da BeProg.


Confira a programação completa do CaRIOca ProgFestival:



domingo, 29 de setembro de 2019

MCCHURCH SOUNDROOM - Delusion - 1971


Uma das lendas esquecidas do Krautrock, MCchurch Soundroom, veio da Suíça e lançou apenas um álbum "Delusion" em 1971, com produção do genial Conny Plank (citado neste espaço inúmeras vezes).

A banda é liderada pelo flautista e vocalista, conhecido pelo pseudônimo de Sandy Mcchurch, cujo seu nome real é Sandro Chiesa. Apenas como curiosidade, o nome Soundroom vem da garagem dos pais de Sandy, onde eram realizados os ensaios para posterior gravação do disco em Hamburgo, na Alemanha. 

A sinistra arte da capa, nada tem a ver com o som proposto ao longo de toda a audição. Não se trata de um disco com faixas pesadas e satânicas mas sim um rítmo ora voltado para o folk com acordes de violão acústico e tenras flautas, ora com variações insitando a uma pegada onde o blues e o fusion predominam-se em certas partes.

Na introdução da faixa titulo, nos deparamos com uma atmosfera mais folk, remetendo ao modo acústico do Jethro Tull, mas logo no decorrer do primeiro minuto, ocorre uma variação de rítmos onde a cozinha baixo/bateria aparece com mais veemência, acompanhada por um suntuoso Hammond e um vocal mais forte.

Em 'Day of a Drummer e 'Time is Flying', encontramos as faixas mais pesadas do disco. A primeira com belos trechos de uma forte guitarra e, em seguida, um virtuoso solo de bateria. A última com belas passagens de órgão e flautas.

A minha favorita de todo o registro fica com 'What are you Doing' que possui uma linda introdução de Hammond, se revezando a suaves fragmentos de flauta e acordes repetidos de baixo, contendo assim uma interessante pegada mais direcionada ao blues. 

A suíte 'Trouble' encerra o álbum em duas faixas distintas. Repletas de dissonâncias de flauta e  improvisações de jazz/blues, é a camposição que menos me tocou por se tratar de um trabalho lançado no início da década de 70. 

Nessa época, os discos eram elaborados com mais criatividade e um toque de certa lisergia e, este em particular, não se destaca em quase nada das multidões crescentes da fase áurea do progressivo Europeu como um todo.

No mais, não se trata de uma obra-prima do Krautrock sendo dificilmente essencial ou inovador, mas vale a pena possuir como gênero de segunda linha, por assim dizer...

O vinil original foi lançado pelo selo Pilz que também contou em seus estúdios com bandas como Popol Vuh, Wallenstein, Witthuser & Westrupp, dentre outras. Já nos anos 90, foi relançado em CD por um selo ao qual desconheço.


TRACKS:

01. Delusion 
02. Dream Of A Drummer 
03. Time Is Flying 
04. What Are You Doin' 
05. Trouble Part 1 
06. Trouble Part 2 

MEGA

domingo, 22 de setembro de 2019

CAMPO DI MARTE - Campo Di Marte - 1973

(PUBLICADO ORIGINALMENTE EM DEZEMBRO DE 2012)

Criada na cidade de Florença, o Campo di Marte foi fundado pelo guitarrista Enrico Rosa em 1971 e lançou apenas esse maravilhoso registro homônimo em 73, alguns meses após a banda se acabar. 
A maioria dessas bandas obtiveram reconhecimento apenas em festivas, desinteressando assim certas gravadoras a investir nesse tipo de projeto. Hoje em dia, esses registros são tão raros que, quando se acha o vinil original da época, os preços chegam a ultrapassar algumas centenas de dólares. 

Trata-se de um disco conceitual inspirado em uma área de Florença que metaforicamente seria um campo de guerra tendo Marte como seu Deus místico. A bela arte da capa mostra antigos mercenários turcos  que se auto flagelavam com suas próprias armas em demonstração de força e coragem como forma de protesto para obtenção de melhores salários e condições de vida. Vai entender...
Hoje em dia, essa tal área chamada de Campo Di Marte é de propriedade particular de Enrico Rosa que, desde 1974 reside na Dinamarca. Creio que essa propriedade seja apenas um refúgio onde Rosa passa suas férias. 

Somente a título de curiosidade, nesse mesmo ano de 1974, Rosa recusou o convite de Francesco DiGiacomo  para fazer parte do Banco, banda em extrema evidência na época e acabou se mudando para a Dinamarca, onde ainda hoje segue a carreira como músico profissional. Não tenho conhecimento de nenhum album solo ou outro projeto que seja liderado por ele.

As composições apresentadas são de extremo bom gosto combinando instrumentos acústicos e elétricos como flauta, órgãos, guitarras distorcidas e percussão. 
O mais interessante é a alternância clara em certas passagens de flauta seguidas por acordes frenéticos de guitarra, acompanhados de lindas timbragens de órgão e Mellotron. Além da leve atmosfera sinfônica proporcionada pelos órgãos e flautas, encontramos também um certo peso quando esses instrumentos se mesclam a virtuosa guitarra de Rosa.

Este belo registro esquecido pelo tempo veio novamente a tona em 1994 quando o selo americano United Artists o relançou em CD. 
Já em 2006, o selo italiano BTF publicou novamente o registro em CD além de uma reedição em vinil. Essa reedição de 2006 que publico por aqui com uma seleção de faixas que foi alterada do vinil original e segue a sequência 5-6-7-1-2-3-4, com novos títulos

Posso dizer com toda certeza de que este é um dos melhores "one shot" existentes quando se trata de progressivo italiano. Imperdível!



TRACKS:

01. Prologo I
02. Prologo II
03. Prologo III
04. Riflessione I
05. Riflessione II
06. Epilogo I
07. Epilogo II

domingo, 15 de setembro de 2019

[PRV RECOMENDA] LUIZ ZAMITH - Introspecção - 2018


Luiz Zamith nasceu na capital fluminense em 1964 e ainda muito jovem ingressou no Conservatório Brasileiro de Música, dando seus primeiros passos nos estudos dedicados ao Violão. Anos mais tarde, ingressou na Escola de Música da UFRJ onde graduou-se em Violão Clássico, chegando a participar por um período de dois anos da Orquestra de Violões do Rio de Janeiro.

Após diversos trabalhos voltados para MPB, Zamith se rende á suas maiores influências musicais e lança no ano de 2014 um brilhante projeto intitulado por 'Ícones do Progressivo'. 

Esse projeto tem como objetivo adaptar versões instrumentais de bandas como ELP, Focus, Genesis, PFM, YES, dentre outras. Além de composições autorais de alto nível, muito me surpreende o talento e dedicação em cada acorde executado por esse distinto guitarrista que vem acompanhado por uma banda de peso.


Acervo Luiz Zamith e banda
O objetivo central da publicação de hoje é o álbum 'Introspecção', lançado em 2018. Esse projeto já vinha se desenhando há algum tempo e finalmente temos a felicidade de apreciar seu resultado final. 

O disco é dedicado á memória de Luiz Fernado Zamith, grande influenciador do guitarrista em questão e foi pianista, violoncelista e arranjador da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro. 

As primeiras e positivas impressões giram em torno de uma arte gráfica de extremo bom gosto. A tela principal da capa vem das mãos do talentoso artista plástico, amigo e também baterista Cláudio Dantas (Quaterna Réquiem, Vitral). A junção disso tudo ficou sob responsabilidade do querido Gustavo Paiva da Masque Records que centralizou todo o trabalho gráfico nas mãos do competente Gustavo Sazes, que também trabalhou no disco de estréia da banda Vitral. As inserções fotográficas ficaram sob as habilidosas lentes dos queridos Calos Vaz e Pedro Paulo Ripper. 

A produção de áudio ficou a encargo de Daniel Escobar proprietário da HR Estúdio. Sendo que, seis faixas foram captadas por Escobar nas apresentações ao vivo no Teatro Solar de Botafogo em datas distintas e as outras três gravadas no estúdio em questão. 

Além de Zamith, a banda conta com a participação de integrantes já citados no Progrockvintage com certo destaque. São eles:

- Augusto Mattoso (baixo)
- Elcio Cáfaro (bateria)
- Paulo Teles (flautas)
- Ronaldo Rodrigues (teclados)

Acervo de Pedro Paulo Ripper
O álbum abre com a faixa-título, obra bastante tenra centralizada em acordes de violão e delicadas melodias de flauta. Sua abertura define bem o que vem pela frente. 

Na segunda faixa contamos com uma peça que, em minha modesta opinião é a que mais se destaca no decorrer da audição. "Alguém ainda se lembra das Antas", traduz muito bem a preocupação do também biólogo Luiz Zamith com os diversos e ricos ecossistemas brasileiros tão judiados pela ação maléfica do homem na natureza. Aqui encontramos melodias um tanto 'abrasileiradas' que reúnem fortes solos de guitarra a lindas passagens de flauta, entrelaçados a poderosos solos de Hammond e sintetizadores. 

Em "Outro Dia" e "Cantiga", a banda destila ainda mais sua técnica em passagens bastante fusionadas ao Jazz, combinando diversos tipos de ritmos e harmonias um tanto diversificadas. A cozinha baixo e bateria em constante simetria, dita o compasso da guitarra e aos órgãos unidos a brasilidade da elegante flauta.

"Tema Nº 1" emendada a "Vice-Versa" também agrega ao fusion, com fortes solos de guitarra e, mais uma vez, belas passagens de flauta. 

"Balada", também uma de minhas favoritas, creio que seja a mais próxima ao progressivo sinfônico vindo de terras inglesas. Aqui é notória a incrível referência ao ilustre guitarrista Steve Hackett, músico este muito admirado por Zamith. Nitidamente, percebemos a essência do Genesis não somente nesta faixa em particular, como também em alguns fragmentos contidos nesse álbum. 

"Trem de Cão" é a única faixa cantada e de extremo bom gosto, de autoria da talentosa Masé Sant'Anna, parceira musical de longa data de Zamith. Já tive a oportunidade de vê-los dividindo o palco em uma bela apresentação no Rio em 2017. 

Fechando essa linda obra vem, "Essência" que me remeteu aos tempos áureos do Focus em contundentes solos de guitarra, entrelaçados a espetaculares solos de flauta e um Hammond de peso.


Acervo de Carlos Vaz
Trata-se de um disco denso, intenso, tenro que, mesmo passando por diversas influências de medalhões dos anos 70, possui uma forte ligação com a música brasileira de qualidade. 

É mais um trabalho que comprova ainda mais que o Rock Progressivo brasileiro muito se destaca nesse gênero tão complexo e muito admirado por milhões de pessoas. São projetos como esse que  permitem que o progressivo ainda tenha força e possa influenciar jovens bandas que pretendem seguir em frente, mesmo com todos os obstáculos em termos de captação de recursos para a realização e divulgação de seus trabalhos.

O disco físico pode ser adquirido através dos seguintes contatos:

- Luiz Zamith: zamithbanda@gmail.com
- Gustavo Paiva (Masque Records): masquerecords@gmail.com

Segue abaixo dois registros capturados pela BeProg no Teatro Solar de Botafogo no Rio de Janeiro:



domingo, 8 de setembro de 2019

[FLAC] NATIONAL HEALTH - University of Dundee - 1976


Em 1972, ao deixar o Matching Mole, o tecladista Dave Sinclair e o guitarrista Phil Miller juntaram-se novamente a Richard Sinclair (que também havia deixado o Caravan nessa época), junto com o baterista Pip Pyle para formar a banda de fusion vinda de Canterbury, Hatfield and The North. No entanto, Dave não ficou muito tempo (retornando ao Caravan em 1973) sendo substituído pelo brilhante tecladista Dave Stewart. O Hatfield and The North gravou dois excelentes álbuns antes de sua dissolução em1975.

 Após o fim da banda, Dave Stewart e Phil Miller, juntamente com o tecladista Alan Gowen (Gilgamesh) e o baterista Bill Bruford, formaram uma das mais importantes bandas da cena Canterbury, o National Health ainda em 1975. Bruford não durou muito e nem chegou a gravar o primeiro disco e foi substituído por Pip Pyle. Embora a formação mudasse regularmente (com uma série de baixistas e Stewart e Gowen alternadamente saindo e retornando), eles gravaram dois álbuns (National Health (77) e Of Queues and Cures (78)) e permaneceram como uma banda até 1981. 

Após a morte de Gowen em maio desse mesmo ano, Stewart juntou-se aos membros restantes para gravar o álbum D.S. Al Coda, um conjunto de composições de Gowen, a maioria não registrada, incluindo duas releituras do Gilgamesh. 

Os álbuns originais e material de arquivo adicional foram posteriormente lançados em CD nos anos 90.

 Uma banda progressiva, espacial, executando um fusion de altíssimo nível, que sempre primou por composições longas e, principalmente instrumentais com notória ênfase aos teclados e pianos elétricos, bem ao estilo do movimento Canterbury, erguido no final dos anos 60 e que se tornou uma das mais importantes vertentes do Rock Progressivo. 

Gravado em 02 de Fevereiro de 1976 na University Of Dundee na Escócia, o National Health ainda contava com Bruford em sua formação original e incluíram ao seu setlist apenas duas faixas do ábum homônimo (ainda não lançado na época desse registro) e faixas nunca antes divulgadas oficialmente até os anos 90.

Vale destacar as aparições da vocalista Amanda Parsons não só no primeiro álbum do National Health como em nomes importantes do movimento Canterbury já citados por aqui, além de participações nas carrerias solo de Bruford e Stewart. 

A formação dessa apresentação contava com:

Alan Gowen: Moog, piano e piano elétrico
Dave Stewart: Piano, piano elétrico, Clavinet e órgãos
Phil Miller: Guitarra
Mont Campbell: Baixo
Amanda Parsons: Vocais
Bill Bruford: Bateria

A qualidade do áudio não é excelente mas aceitável por se tratar de uma banda cujo registros como esse são altamente raros e muito bem vindos aos que apreciam o bom e velho Canterbury. 

Em FLAC para uma melhor apreciação.


TRACKS:

01. Tenemos Roads
02. Paracelsus
03. Trident Asleep
04. Clocks And Clouds
05. The Lethargy Shuffle
06. Agrippa
07. Elephants

MEGA

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

EM BREVE POR AQUI....

LANÇAREI NOS PRÓXIMOS DIAS UMA NOVA SESSÃO NO QUE SE REFERE A RESENHAS DE BANDAS AUTORAIS NACIONAIS. SERÃO PUBLICADOS PEQUENOS ARTIGOS DE MATERIAIS QUE VENHO RECEBENDO ATUALMENTE E AO LONGO DOS ANOS. O TÍTULO PARA A DESCRIÇÃO DOS MESMOS SERÁ DENOMINADO POR: "PRV RECOMENDA".

O PROGROCKVINTAGE SEMPRE ESTEVE ABERTO PARA A DIVULGAÇÃO DE BANDAS AUTORAIS COM ÊNFASE EXCLUSIVA NO ROCK PROGRESSIVO E SUAS VERTENTES. 

ENTRE EM CONTATO E ENVIE SEU PROJETO PARA QUE POSSA SER ANALISADO. CASO APROVADO, SERÁ DIVULGADO EM NOSSA NOVA SESSÃO DE PUBLICAÇÕES.

AGUARDEM! MUITA COISA BOA SERÁ DIVULGADA POR AQUI.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

[DIVULGAÇÃO] CARIOCA PROG FESTIVAL 2019

Mais uma vez os cariocas saíram na frente quando o assunto é Rock Progressivo. Os próximos dois meses serão dedicados a apresentações de bandas nacionais autorais divididas entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói. 

O CaRIOca Prog Festival é mais uma competente realização da Vértice Cultural em parceria com a BeProg.

Confira a programação com datas e locais onde ocorrerão as apresentações:


Para mais informações acesse a página oficial do festival no Facebook.


domingo, 18 de agosto de 2019

BANCO DEL MUTUO SOCCORSO - Seguendo Le Tracce - 1975 (2005)


(Postado originalmente em Junho de 2012)

Eis um disco idolatrado pelos fãs do belo progressivo italiano. Considerado por muitos como um dos melhores discos ao vivo já lançados no mundo progressivo, encontramos aqui o Banco em seu auge. 

Versões impecáveis de faixas como "Dopo"... e "La Danza Dei Grandi Rettili" são executadas com perfeição pelos irmãos Nocenzi acompanhados pela linda voz do saudoso Francesco Di Giacomo. Destaco também a faixa de abertura, uma das mais lindas da banda, em versão cantada em inglês. 

Os 26 minutos da faixa "Metamorfosi", fecha o disco com maestria e vale por todo o registro. 

Essa bela obra do Rock Progressivo Italiano, foi gravada na cidade italiana de Salerno em 23 de Abril de 1975 e lançada 30 anos depois pelo selo MaRaCash Records.


TRACKS:

1. R.I.P (English Version)
2. L'albero del pane
3. La danza dei grandi rettili
4. Passaggio
5. Non mi rompete
6. Dopo... niente é più lo stesso
7. Traccia II
8. Metamorfosi 


quinta-feira, 15 de agosto de 2019

GOLEM - Orion Awakes - 1973


(Publicado originalmente em Setembro de 2011)

Mais uma excelente banda alemã esquecida pelo tempo que nos contempla com um registro totalmente instrumental que remete ao psicodelismo com cativantes improvisações de um poderoso Hammond e percussões um tanto pesadas. 

As informações sobre a gravação do disco e seus membros são bastante desencontradas. Alguns insistem em dizer que se trata de uma gravação dos anos 90 mas já foi devidamente comprovado que esse registro foi gravado sim no ano de 1973 e apenas 25 cópias foram prensadas em vinil. Muitos anos depois, a gravadora Pyramid fez o seu lançamento em CD. 

Trata-se de uma combinação fascinante de música e improvisação estruturada de forma livre. Bem a cara dos alemães setentistas!


TRACKS:

 1. Orion Awakes
2. Stellar Launch
3. Godhead Dance
a) Signal
b) Noise
c) Rebirth
4. Jupiter & Beyond
5. The Returning

MEGA

domingo, 11 de agosto de 2019

ATLAS - Blå Vardag - 1979


(Postado originalmente em Maio de 2012)

Banda sueca de curta carreira no fim dos anos 70 mas que lançou um dos mais surpreendentes registros sinfônicos que já escutei.

Trata-se de um disco muito bem arranjado,praticamente instrumental e com músicos de extrema qualidade.

 A banda é constituída por dois tecladistas que executam simultâneamente instrumentos como Clavinet, Rhodes, sintetizadores e órgãos com perfeição. Sem esqueçer dos Mellotrons que chegam a ser um toque a parte.

Assim como nos teclados encontramos também dois guitarristas cuja a interação dá um toque a mais ao disco. 

O selo sueco APM remasterizou esse belo registro e ainda nos presenteou com três faixas adicionais que se tornaram essenciais a audição completa desse joia esquecida pelo tempo.


 TRACKS:


1. Elisabiten
2. På Gata
3. Blå Vardag
4. Gånglåt
5. Den Vita Tranans Väg
6. Björnstorp (Bonus)
7. Hemifrån (Bonus)
8. Sebastian (Bonus)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CODE III - Planet of Man - 1974


(Postado originalmente em Dezembro de 2011)

Projeto formado pelos alemães Klaus Schulze e Manfred Schunke que retrata o lado obscuro da criação do homem e a evolução da humanidade com o passar dos anos. 

Trata-se de um disco  um tanto experimental que alterna momentos de ruídos cósmicos com coros bizarros passando por uma atmosfera meio folk criando assim uma variedade de vibrações eletrônicas abstratas. 

O som é realmente profundo, obsessivo, opressivo e estranho mas fascinante.
Os últimos 10 minutos são uma exploração consideravelmente sinistra para nossos ouvidos, vozes extasiadas incluindo linhas de guitarra distorcidas e variados efeitos cósmicos.

Eis aqui a verdadeira essência do Krautrock!!!


TRACKS:

1. Formations / The Genesis
2. Dawn of an Era
3-4. Countdown-Phoenix Rising


MEGA

domingo, 28 de julho de 2019

JETHRO TULL - Detroit - 1969



Sem dúvida, o Jethro Tull é uma das bandas de progressivo a qual possui o início de carreira dos mais brilhantes. Trajando roupas desleixadas e vagabundas, parecendo mais um anacronismo de um conto de Charles Dickens, Anderson transmitiu uma antiga aura durante os anos de formação da banda no final dos anos 60 e início dos anos 70, que persistiria em diversas outras formações por décadas a fio emanando sempre muita qualidade e extrema criatividade em suas composições.

O registro a seguir, conta com faixas dos dois primeiros e essenciais discos do Tull lançados entre os anos de 1968 e 1969, This Was e Stand Up respectivamente. 

Gravado meses após lançamento de Stand Up, a banda já havia se apresentado em território americano anteriormente e dessa vez se apresentou no Grand Riviera Theater na cidade de Detroit.

A apresentação a seguir ocorreu em 28 de Novembro de 1969 em um setlist relativamente curto com duração aproximada de 60 minutos. Porém, aqui encontramos uma versão de 22 minutos da faixa 'We Used To Know', que fecha o registro com maestria. Vale o destaque para 'Fat Man' que, na minha opinião é uma das melhores faixas 'labo B' compostas pelo Jethro Tull em toda sua carreira.

A qualidade do bootleg é razoavel e certamente destinado aos admiradores desse tipo de registro.

TRACKS:

01. Nothing is Easy
02. Bouree - Living in the Past
03.  A New Day Yesterday
04. Fat Man
05. My Sunday Feeling
06. Dharma For One
07. We Used to Know

MEGA