terça-feira, 21 de junho de 2016

[DIVULGAÇÃO] BANDA KOSMUS E ARCPELAGO - TEATRO SOLAR BOTAFOGO - RJ - 25 de JUNHO




Há tempos venho divulgando com grande destaque algumas novas bandas cariocas e, enfatizando com bastante insistência, sobre a extrema qualidade dos músicos que as compõem. Desde o princípio dessa década, tivemos um aumento considerável de interessantes projetos no que diz respeito ao Rock Progressivo nacional, principalmente em se tratando da cidade do Rio de Janeiro, cidade esta que vem lançando nomes de peso desde os anos 70.  

Um exemplo disso foi o maravilhoso show que assisti da banda Quaterna Réquiem, tocando pela primeira vez na capital paulista com o teatro abarrotado de gente. 
Banda nascida e criada no Rio no fim dos anos 80, que alcançou muito sucesso também no exterior, lançando três lindas obras essenciais para quem aprecia o gênero.

No próximo sábado, os cariocas serão presenteados com dois shows de música progressiva autoral de duas bandas de grande destaque por aquelas terras.

Acervo: Kosmus







A banda Kosmus vem para o lançamento de seu disco homônimo e promete um show de bastante peso e muita qualidade em se tratando de Progressive Metal. Os exigentes adeptos a bandas como DT, Porcupine Tree, Crimson e Pink Floyd certamente irão gostar muito trabalho executado pelos jovens músicos do Kosmus. Seu som varia entre a fusão do prog clássico com uso de flautas e sax, á solos de guitarras mais ardidos e pesados bem condizentes a vertente citada. 
Tive acesso a apenas duas faixas desse disco e posso dizer que será uma apresentação bastante interessante, uma vez que é bem raro ouvirmos esse tipo de fusão em um gênero tão complexo e, as vezes, metódico quanto o Rock Progressivo.

Segue abaixo uma pequena amostra do que será a apresentação da banda Kosmus:









ACERVO: PATRICIASORANSSO.COM
Mais uma vez, venho incansavelmente, divulgar uma banda a qual tenho enorme admiração não só pela música em si mas, também pela ousadia e qualidade do quarteto que fazem do Arcpelago uma banda completa. 

Na apresentação do próximo sábado será o lançamento no Brasil do primeiro trabalho em CD, intitulado por Simbiose onde, seu verdadeiro lançamento ocorreu na cidade de Londres na semana passada, juntamente com outros nomes do progressivo autoral, que compõem o projeto Cena Carioca de Música Progressiva

ARTE: FERNANDA PIO
Posso adiantar que o disco em questão se encontra com uma sonoridade que, certamente nos remete  a atmosferas progressivas de vertentes sinfônicas, bem condizentes ao o cenário inglês dos anos 70. Instrumentação impecável com fortes linhas de baixo ora tiradas de um Rickenbacker, ora tiradas de um Fender Precision de 1964, pelo competente e detalhista baixista, Jorge Carvalho. 

Os teclados de Ronaldo Rodrigues também merecem destaque pelos fortes solos de Hammond extraídos de um potente Tokai TX-5, emaranhados a uma linda e tenra timbragem de Mellotron

A guitarra fica por conta do virtuoso Eduardo Marcolino que, contribuiu com uma de suas composições de carreira solo, adaptada para esse disco. A faixa vem com o nome de "Universos Paralelos" e conta com um lindo dueto entre a guitarra de Marcolino e o Mellotron de Rodrigues. 

Completando a banda com extrema contribuição técnica, o trio é conduzido pelo competente baterista Renato Navega, ex-membro da extinta Mind the Gap que chegou a tocar no festival mineiro Camping Rock em 2011 ou 2012.

Devo confessar que tive acesso em primeira mão a esse material no início desse ano e garanto que todos os presentes assistirão a um lindo e memorável espetáculo de Rock Progressivo. Não será dessa vez que estarei presente mas, espero poder assisti-los em um próximo show em mais um evento da CCMP.  

Uma divulgação mais abrangente sobre o disco será publicada em breve!



Segue a faixa "Sopro Vital" que abre o disco Simbiose:

 



AS APRESENTAÇÕES ESTÃO MARCADAS PARA O PRÓXIMO SÁBADO, 25/06 ÁS 21:00hrs NO TEATRO SOLAR BOTAFOGO NO RIO DE JANEIRO. OS INGRESSOS PODEM SER ADQUIRIDOS PELO SITE DO INGRESSO RÁPIDO OU NA BILHETERIA DO TEATRO.




 

sábado, 18 de junho de 2016

BADGER - One Live Badger - 1973





Após sua saída do YES, o tecladista Tony Kaye auxiliou Peter Banks 
no primeiro álbum da banda Flash, e posteriormente formou seu 
próprio grupo: Badger, que ainda contava com a presença do 
baixista David Foster, que coincidentemente tocou com Anderson 
alguns anos antes no The Warriors, chegando a compôr junto com o 
mesmo pelo menos duas canções do YES no início da carreira.

Badger lançou somente dois álbuns One Live Badger de 1973 
(co- produzido por Jon Anderson) e White Lady em 1974, este último 
gravado em estúdio, com vários convidados incluindo o guitarrista
 Jeff Beck. É um disco que foge do conceito progressivo para um som mais voltado para o soul com uma formação completamente diferente do trabalho lançado ao vivo no ano anterior, mantendo somente 
Kaye na banda.Uma grande decepção na minha opinião em relação ao
 primeiro, que recomendo como sendo o único de qualidade 
condizente ao que o Badger se propunha a executar.
 
Não é muito comum uma banda fazer com que seu primeiro trabalho lançado não seja vindo de um estúdio e, sim soltando um disco 
ao vivo logo de cara. Esse foi o caso do Badger que, apesar de sua
curta duração, teve apenas dois discos gravados, sendo esse que vos
apresento, o melhor deles. 
  
Com uma atmosfera bastante elucidada por seu competente
 tecladista, acompanhado pela técnica e destreza do belo guitarrista 
Brian Parrish, faz do disco em questão, uma banda progressiva um 
pouco diferente do habitual.  

Trata-se de um disco leve, sem muito peso onde, nitidamente 
Tony kaye consegue colocar em prática toda sua liberdade de criação
contando com lindas passagens de Hammond e Mellotron duelados
 aos solos de guitarra de Parrish.
 
Aqui contamos também com músicos de extrema técnica que muito 
contribuem para a bela qualidade de sua sonoridade. Além da destreza de David Foster no baixo, ele ainda canta em algumas 
músicas, conduzido pelo ótimo baterista Roy Dyke, fundadador da banda 
Ashton, contemporânea aos Beatles e também produzida por 
Brian Epstein no início dos anos 60.


Uma curiosidade interessante é o fato da linda capa do texugo ter 
sido feita por Roger Dean, artista responsável pelas mais belas capas 
não só do YES como de diversas outras bandas, que assinou parceira 
com o próprio YES somente após a saída de Kaye da banda. 

Esse disco foi lançado pela Atlantic Records em 1973 e gravado nesse mesmo ano no
 Rainbow Theater em Londres, por ocasião a uma 
abertura de um show do YES durante a tour do 
recém-lançado Yessongs.


TRACKS:

1. Wheel Of Fortune
 2. Fountain 
 3. Wind Of Change 
 4. River 
 5. The Preacher
 6. On The Way Home 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

[DIVULGAÇÃO] BIXO DA SEDA - SESC BELENZINHO - SÃO PAULO - 25/06/2016



Outro nome de grande importância no progressivo nacional, o Bixo da Seda é considerado como os pioneiros do rock gaúcho, sendo uma banda grande influência para gerações posteriores. 

Formado em 1967, era integrado por Fughetti Luz (vocais), Pecos Pássaro (guitarra), Mimi Lessa (guitarra), Renato Ladeira (teclados), Marcos Lessa (baixo) e Edson Espíndola (bateria). A banda iniciou sua carreira com o nome de Liverpool Sound, passando depois para Liverpool, e ainda no início da década de 1970, adotou o nome definitivo de Bixo da Seda. Nessa época, a banda se transferiu para o Rio, com uma linha mais progressiva com fortes influências de Pink Floyd e Yes.  

Em 1971 lançou pela Polydor, ainda com o nome de Liverpool Sound, um compacto com a música "Hei, menina", que alcançou razoável notoriedade.

Em 1976 com o nome definitivo de Bixo da Seda, lançou seu único e essencial disco pela Continental , no qual foram incluídas várias composições de integrantes do grupo. Ainda nesse mesmo ano, após sua dissolução, alguns membros passaram a fazer parte da banda de apoio das Frenéticas

Nos dias atuais, a banda ainda se reúne para diversos shows e festivais pelo sul do Brasil. Sua última e muito elogiada aparição foi no festival Psicodália em Santa Catarina durante o feriado de carnaval desse ano.


A banda vem a São Paulo, basicamente com a formação original apenas com algumas reformulações, contando com Mimi Lessa (guitarra), Marcelo Lessa (baixo), Edison Espindola (bateria), Marcelo Drufa (guitarra) e Marcelo Guimarães (voz). 


A apresentação será na Comedoria do Sesc Belenzinho em São Paulo, no dia 25 de Junho a partir de 21:30hrs. 
Os ingressos podem ser adquiridos pelo site ou bilheteria do teatro.

IMPERDÍVEL!

domingo, 12 de junho de 2016

[RESENHA] QUATERNA RÉQUIEM - SESC BELENZINHO - SÃO PAULO 11 de JUNHO


 
Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan


O outono glacial de São Paulo recebeu no último sábado, pela primeira vez em seus quase 30 anos de existência, a uma inesquecível e belíssima apresentação dos cariocas da banda Quaterna Réquiem no teatro do Sesc Belenzinho. 

Assim que cheguei em São Paulo, acessei o site do Sesc e no mapa constava que os ingressos haviam praticamente se esgotado, restando apenas algumas poltronas vazias. Além disso, logo na entrada do estacionamento do teatro, havia uma placa dizendo que os eventos relacionados á música também estariam esgotados. Porém, após muito rodar aquele lugar que mais parece uma cidade de tão grande, consegui chegar ao local onde aconteceria o show e me deparei com a bilheteria aberta com dezenas de ingressos disponíveis a venda. Eu e mais algumas pessoas ficamos sem entender o porquê daquilo e até agora não cheguei a nenhuma conclusão sobre como funciona a venda de ingressos no Sesc Belenzinho. Ou seja, quem queria comparecer de última hora e ao menos pesquisou no site para se certificar que ainda haviam ingressos, ficou de fora. Sinceramente, não entendo a logística usada para a comercialização desses ingressos. 
Foto retirada do acervo do amigo José Eduardo D´Elboux
Achei uma baita sacanagem mas mesmo assim o teatro estava abarrotado de gente. 

Mesmo com esses percalços, a estrutura do local é coisa de primeiro mundo e o teatro é um espetáculo em termos de acomodações, acústica, som e iluminação. A equipe técnica surpreendeu em todos os quesitos que envolvem a preparação do palco, mantendo a equalização e harmonia de todos os instrumentos de forma impecável. Quem estava trabalhando ali naquele momento, entendeu perfeitamente o que cada músico, com sua particularidade, se propunha a fazer. 

Difícil mesmo é ter que traduzir em palavras a uma linda apresentação de uma banda a qual sou fã incondicional há anos e possuo um enorme apreço por cada um de seus membros. 

O show teve seu início com Fanfarra que vem abrindo, na maioria das vezes, os shows do QR desde o lançamento do disco Quasímodo (1994). Elisa entoava ali as primeiras notas de um show que veio a superar as expectativas de todos, fazendo valer a pena estar ali presente apesar do frio intenso que fazia em São Paulo naquela noite.  



Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan
Aquartha veio pra mostrar que o jovem talentoso guitarrista, Felipe Wiermann tem competência e técnica suficientes para substituir a passageira preocupação em relação a ausência de Kleber Vogel na execução de um lindo violino, que era um dos alicerces da banda. Não decepcionou em hora nenhuma e conseguiu adaptar com extrema perfeição todas as passagens de violino a brilhantes solos de guitarra, acrescentando assim um segundo guitarrista a banda. Ao meu ver foi uma ideia genial que tem tudo para dar certo em futuros projetos.


Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan
Na sequência, veio uma homenagem a cidade de São Paulo destacando todas as formas de suas arquiteturas, com a belíssima execução de Fantasia Urbana que compõe o último disco lançado em 2012. Destaque absoluto para os lindos solos de guitarra de Roberto Crivano executados com maestria em todo o decorrer da música. Gosto muito da timbragem e técnicas usadas por ele, chegando a deduzir uma grande alusão ao mestre Gilmour em certas passagens. 

 Os Reis Malditos é introduzido por uma linda timbragem de cravo extraído de um Kurzweil que atendeu muito bem a Elisa, acompanhado de um sintetizador digital Roland JD-800 (creio) que fez um barulho bom em todo o decorrer do show. 

Irmãos Grimm dá um toque de música medieval a apresentação, seguido por duas das sete suítes mais representativas da longa faixa Quasímodo, A Toca dos Ratos e Montfalcon que, em certas passagens levaram os paulistas ao delírio.  

Ao final, em um dos agradecimentos e homenagens do querido amigo Claudio Dantas, fui surpreendida em ter a melhor música do show dedicada a mim e aos grandes deuses do progressivo, como mencionou Dantas em suas tenras palavras. Não esperava nunca tal homenagem em um momento em que o espetáculo chegava a seu maior ápice na execução de uma das mais belas obras existentes no Rock Progressivo ao meu ver. Velha Gravura certamente, foi o mais marcante momento do show ao qual me emocionei muito durante os quase vinte minutos de sua execução. Além da música ser belíssima, fomos surpreendidos por um pequeno medley adaptado em homenagem a alguns desses "deuses progressivos" sendo eles Yes, Pink Floyd, Rick Wakeman e Camel. Posso dizer que o teatro quase desmoronou nesse momento. 

Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan

O encerramento ficou por conta de Toccata, uma de minhas favoritas de toda as obras lançadas pelo Quaterna. Progressivo de peso onde as duas guitarras se duelam freneticamente, acompanhadas pelo poderoso e ruidoso baixo Hofner dedilhado pelo competente baixista, Guilherme Ashton. 
Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan
Os baixos no progressivo são instrumentos de destaque e que muito colaboram para as atmosferas pesadas e um tanto obscuras na maioria das vezes. Esse baixo não costuma ser usado quando se trata de Rock Progressivo mas pela bela técnica vinda do Guilherme, me veio a questionar o porquê desse instrumento em particular, não ter sido mais aproveitado por esse gênero musical.

A interação entre todos os membros é algo difícil de se ver por aí. O progressivo tende a ser um estilo minucioso, voltado para a concentração extrema em cada instrumento onde uma nota perdida frente a um teatro lotado, significa o fracasso e a decepção pessoal pra quem toca. Se olhar pro lado, corre o risco de se desconcentrar e atrapalhar o andamento do show. O que impressionou foi a perfeita e simpática interação dos músicos durante todas as faixas tocadas contradizendo assim, esse complexo e tão venerado gênero musical. 

Não poderia nunca fechar essa publicação sem deixar de citar com honras os irmãos Elisa Wiermann e Claudio Dantas que, além de meus amigos, sempre foram o alicerce do Quaterna Réquiem.

Elisa é formada em Piano pela UFRJ e nos anos seguintes fez um curso de pós-graduação em Cravo nessa mesma universidade. Com formação erudita, ela chegou a ministrar aulas de órgão aos jovens e reclusos monges do Mosteiro de São Bento no Rio. 
Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan
É altamente reconhecida no mundo inteiro em publicações especializadas em música de câmara e, se não estou enganada, fez parte da Orquestra Sinfônica Brasileira. 
Pessoa linda, cativante e de uma competência extraordinária. Compôs juntamente com Dantas e Vogel todas as músicas criando perfeitas timbragens retiradas de teclados eletrônicos que simulavam instrumentos como o já citado Cravo, Tubular Bells, órgãos de igreja, dentre muitos outros aos quais não sou capaz de identificar.

Além de ser o maestro da banda como um todo, Dantas é um exímio baterista que conduz os quatro músicos de forma impecável com toda sua apurada técnica e simpatia, que lhe é bastante peculiar.  Um ser formidável, de uma educação ímpar, que possui uma sensibilidade fora do normal quando substitui seu par de baquetas por um pincel em seus momentos de criação artística em lindas telas. Assim como na música, Dantas sempre respirou a arte expondo seus quadros em renomadas galerias do Rio, juntamente com artistas de renome internacional.
 
Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan


 Aproveito a ocasião para agradecer imensamente por ter me presenteado com as baquetas usadas no show e o setlist contendo uma linda dedicatória e autografada pelos cinco componentes. Devo confessar que nessa hora minhas pernas chegaram a bambear por tão inesperado presente.

Deixo aqui o meu fraterno agradecimento ao Quaterna Réquiem por um dos mais belos espetáculos de Rock Progressivo ao qual pude presenciar. Quem me conhece sabe que ontem realizei um sonho que era poder ver de muito perto a uma digna apresentação da banda em uma produção a altura de seu talento. 

Agora eu e mais uma centena de pessoas esperamos por um show como esse em BH o mais rápido possível!

Foto do acervo de Marcos Vinicius Troyan 




Segue abaixo alguns videos do show no Sesc Belenzinho.
Filmados por Nelson de Souza. 


terça-feira, 7 de junho de 2016

PLANET GONG - Floating Anarchy - 1977


Creio que esta seja uma das postagens mais difíceis de se publicar por aqui, afinal o Gong é uma das bandas mais complexas do gênero, liderada por um gênio/monstro que muito contribuiu para os primeiros passos do progressivo britânico no começo dos anos 60.

Tudo começou quando o saudoso Daevid Allen se mudou de Paris para a Inglaterra em 1961 onde alugou um quarto em uma pequena aldeia nas proximidades de Kent e conheceu lá o filho do proprietário da casa, nada menos que Robert Wyatt, na época com apenas 16 anos. Formaram então o Daevid Allen Trio que, mais tarde se juntaria aos remanescentes do Wilde Flowers (leia-se Kevin Ayers e Wyatt) e formariam o embrião do Soft Machine.


Após uma tour pela Europa, Allen tem problemas com seu visto e é impedido de entrar novamente na Inglaterra tendo assim que retornar a Paris. 

Chegando lá conheceu sua eterna musa e parceira Gilli Smyth, os dois formaram a primeira encarnação do Gong, que se desmanchou durante a Revolução Estudantil de 1968, quando Allen e Smyth foram obrigados a ir para Majorca, na Espanha. Lá eles conheceram o saxofonista Didier Malherbe, que morava em uma caverna na aldeia de Deya.

Durante esse período o cineasta Jerome La Perrousaz os convidou para voltar à França para gravar trilhas sonoras para seus filmes. Eles também conseguiram um contrato com a gravadora independente BYG, gravando os discos Magick Brother, Mystic Sister Bananmoon, este último um trabalho solo de Allen.


Em 1971, a banda decola com o lançamento do Camembert Electrique que foi o primeiro álbum a retratar a mística história do personagem central, Zero The Hero incluindo os Pot Head Pixies do Planeta Gong e o Radio Gnome Invisible.


Entre os anos de 73 e 74 lançaram a trilogia Radio Gnome Invisible (Flying Teapot, Angels Egg, You) onde se continuava a saga de Zero The Hero. Todos os personagens,lugares e situações foram criados por Allen e Smyth durante muitas de suas viagens psicodélicas. 


Vale lembrar que esses três registros contam com a ilustre participação de Steve Hillage que, em minha modesta opinião, é um dos melhores guitarristas de todos os tempos e que muito contribui para o bom andamento do movimento Canterbury no começo dos anos 70. 

Outro nome que vale a pena ser citado é o de Tim Blake (Hawkwind), exímio tecladista que conduzia um VCS 3 como poucos, era capaz de fazer com que a timbragem desse poderoso sintetizador soasse ainda mais ácida e psicodelicamente obscura. 


Em 1975, após a tour do Radio Gnome Invisible, Allen e Smyth deixam a banda por motivos de má convivência com Tim Blake e o baterista Pierre Moerlen. Smyth alegava que precisava também dar mais atenção aos dois filhos do casal.


Devido as obrigações contratuais da banda com a Virgin Records, Moerlen foi obrigado a manter o nome Gong lançando em 1976 o ousado disco Shamal.  A partir daí, o Gong seguiu uma linha mais voltada para o Jazz/Fusion fazendo uso de instrumentos percussivos nada convencionais como marimba, vibrafone e até mesmo um Tubullar Bells. 

Nesse mesmo ano, o excelente guitarrista, Allan Holdsworth foi convidado por Moerlen para integrar os discos Gazeuse! e Expresso II aos quais não foram muito bem aceitos pelos fãs mais exigentes, fazendo com que a banda sofresse sua primeira alteração no nome se tornando então Pierre Moerlen's Gong . 

Tinha-se ali um buraco quando o assunto rondava a criatividade, era nítida a falta que o excêntrico casal de loucos fazia naquele momento. 


Com o decorrer dos anos a banda passou por diversas ramificações em projetos diferenciados liderados por Allen e Smyth, mas sempre abordando os assuntos que rondavam a parte mística de toda a história do Gong até 1975. Essas ramificações ficaram conhecidas ao longo dos anos como "Gong Global Family" que englobavam projetos solos de Allen, além do surgimento de bandas como Gongzilla, Planet Gong, Here & Now  e  Mother Gong.



O disco que disponibilizo hoje, ocorreu durante o projeto Planet Gong onde a banda fez algumas apresentações ao vivo entre 1975 e 1977. Intitulado por Floating Anarchy foi lançado em 1978 por um selo ao qual desconheço.  

Disco curto, com apenas seis faixas, consiste de um som com uma batida um tanto ácida, mais voltada para o punk (pasmem!) mesclada com um pouco da sutileza do Canterbury. 
Este é um disco bem interessante, com passagens bem obscuras executadas pela forte voz de Allen acompanhado de uma banda de peso, onde os poderosos solos de guitarra muito se destacam em todo seu decorrer.

Posso afirmar que Daevid Allen e companhia possuem um carinho especial pelos brasileiros.

Em 2007, a banda excursionou pelo Brasil com o nome de Daevid Allen and Gong Global Family que, em sua formação contava, com dois músicos  brasileiros, o guitarrista Fábio Golfetti e o baixista Gabriel Costa (ambos da formação do Violeta de Outono) que muito acrescentaram na passagem da banda por aqui.  Allen gostou tanto das terras tupiniquins que acabou gravando um DVD intitulado por  "GONG Live In Brazil: 20th November 2007".

Outras passagens por aqui ocorreram em 2011 durante a Virada Cultural de São Paulo e em 2013 para duas apresentações ocorridas no Sesc Belenzinho também na capital paulista. 

Infelizmente, não fui em nenhum desses shows mas tenho comigo uma gravação exclusiva da última passagem da banda pelo Brasil. Veja aqui.



TRACKS:

1. Psychological Overture Zero
2. Floatin' Anarchy Zero
3. Stone Innoc Frankenstein Allen
4. New Age Transformation Try: No More Sages Zero
5. Opium For The People
6. Allez Ali Baba Black-Sheep Have You Any Bull Shit: Mama Maya Mantram Zero 




YANDEX