sábado, 11 de janeiro de 2020

CAPTAIN BEYOND - Frozen Over Live - 1973


Raros são os registros ao vivo de uma banda subestimada que acabou ganhando merecida porém, tardia notoriedade muitos anos após o lançamento de seu álbum homônimo.

A formação clássica do Captain Beyond de 1971, contava com nomes de peso dos primórdios do progressivo tais como: Rod Evans, a voz principal do Deep Purple até o início de 1970; Lee Dorman e Rhino Reinhardt, baixo e guitarra respectivamente e o baterista/pianista Bobby Caldwell, todos recém saídos do Iron Butterfly após a gravação do álbum Metamorphosis. 

Em seu primeiro disco, a banda destilava uma boa pegada de Heavy Prog, entoada por uma forte guitarra com pitadas marcantes de psicodelia. A gravadora que o lançou em 1972 fez uma fraca promoção, resultando em vendas desanimadoras e pouco reconhecimento por parte da crítica. Atualmente, se tornou um disco clássico, raro e muito cultuado pelos adeptos do Rock Progressivo.

No ano seguinte lançam o Sufficiently Breathless, disco mais comercial com elementos mais voltados para o progressivo e sem a presença de Caldwell na bateria. Tempos depois do lançamento, Rod Evans também deixa a banda que fica em hiato até 1976. Em 77 lançam o ótimo Dawn Explosion, com a formação clássica porém, sem a presença de Evans sendo este substituído por Willy Daffern.

E embora o baterista Bobby Caldwell tenha deixado a banda antes da gravação do segundo álbum, e o mesmo tenha sido feito sem ele (e com o tecladista e o percussionista adicionados, além do novo baterista), ele voltou a se juntar a banda para acompanha-los na turnê americana em 1973. 

Apresentação gravada em 06 de Outubro de 1973 na cidade Arlington, Texas conta com a presença de Caldwell em excelente forma (incluindo um solo de bateria de 13 minutos), bem como em toda a formação original, antes da banda se separar novamente logo após essa turnê.

Aviso de antemão que a qualidade do registro não é das melhores mas vale por se tratar de um raro registro do Captain Beyond.


TRACKS:

01. Intro
02. Distant Sun
03. Dancing Madly Backwards On A Sea Of Air
04. Armworth
05. Myoptic Void
06. Drifting In Space
07. Pandora's Box
08. Thousand Days Of Yesterday
09. Frozen Over
10. Butterfly Bleu
11. Mesmerization Eclipse
12. Drum Solo
13. Mesmerization Eclipse (Reprise)
14. Stone Free


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

[FLAC] ROXY MUSIC - BBC Sessions - 1972/73


Logo no início da carreira, o Roxy Music já era considerado uma banda de Art Rock onde seus figurinos extravagantes e a excentricidade de suas performances, trouxeram uma veia criativa de bastante entrosamento entre o vocalista Brian Ferry que, insistia em uma pegada mais pop e exótica, mesclado ao experimentalismo alucinador de Brian Eno, um dos maiores instrumentistas de todos os tempos. 

A banda também contava com o excelente guitarrista e produtor Phil Manzanera, que já havia gravado um único porém, essencial disco em 1970 com o Quiet Sun (banda de curta carreira vinda de Canterbury). Em sua longa trajetória, Manzanera contribuiu com diversos artistas de extrema importância como o próprio Eno e até mesmo Sérgio Dias dos Mutantes nos anos 90. Foi um dos produtores dos dois últimos discos de estúdio de David Gilmour e co-produziu o 'Endless River' do Pink Floyd. Além de muitos outros, incluindo artistas brasileiros. 

Os dois primeiros discos do Roxy Music, os únicos com participação de Eno, são verdadeiras obras-primas, muito caracterizados por impecável instrumentação que pendia muitas vezes para uma atmosfera pop e de muita originalidade. 

O registro a seguir parte das fitas da BBC gravadas em datas distintas entre os anos de 1972-73 em uma compilação dupla. A primeira parte reúne faixas na íntegra porém, fora da ordem do clássico disco homônimo em excelentes versões. A segunda, conta com algumas faixas do disco seguinte, For Your Pleasure também em versões diferenciadas e reprises do primeiro disco.

A qualidade do áudio é impecável e vale o download do pesado arquivo disponibilizado em FLAC para uma melhor apreciação.


TRACKS:

DISCO I:

01. Re-make/Re-model
02. If There Is Something
03. The B.O.B. Medley
04. Would You Believe
05. Sea Breezes
06. Bitters End
07. 2 H.B.
08. Chance Meeting
09. Ladytron
10. Virginia Plain
11. If There Is Something

DISCO II:

01. The B.O.B. Medley
02. Grey Lagoons
03. Sea Breezes
04. Virginia Plain
05. Chance Meeting
06. Re-make/Re-model
07. Pyjamarama
08. Do The Strand
09. Editions Of You
10. In Every Dream Home A Heartache

MEGA

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

JETHRO TULL - SONGS FROM MANCHESTER - 1977



Não é segredo pra ninguém que o álbum Songs From The Wood é o meu favorito de toda a discografia lançada pelo Jethro ao longo de quase 50 anos de estrada. 

Disco que compõe a primeira etapa de uma suposta trilogia (Heavy Horses-1978/Stormwatch-1979), aborda temas da natureza e de como o homem vem a maltratando na dependência abusiva de sua sobrevivência. 

Baseado em composições mais voltadas para o Folk, Ian Anderson abusa genialmente de belíssimas passagens de flauta entrelaçadas a melodias progressivas muito bem executadas por Barre, Palmer, Barlow e Glascock.

Certamente, o bootleg disponibilizado hoje, marca uma das primeiras apresentações que compunham a tour européia da banda para a divulgação do disco em questão que seria lançado oficialmente alguns dias depois.

Gravado em 02 de Fevereiro de 1977 no Apollo Theater em Manchester, o registro conta com versões impecáveis das faixas como "Jack In The Green", "Songs From the Wood", "Velvet Green" e "Hunting Girl", sendo estas as únicas executadas para a divulgação do mesmo e com boa receptividade do público presente. Uma pena a faixa "Cup of Wonder" ter ficado de fora...

Constam também boas versões de alguns clássicos indispensáveis como "Thick as a Brick", "Aqualung" e Locomotive Breath", sendo esta última um dos destaques de todo o disco. 

A qualidade de áudio é média porém, um bootleg indispensável para qualquer admirador do gênero progressivo.


TRACKS:

01. Wond'ring Aloud
02. Skating Away On The Thin Ice Of The New Day
03. Jack In The Green
04. Thick As A Brick
05. Songs From The Wood
06. Instrumental
07. To Cry You A Song
08. A New Day Yesterday - God Rest Ye Merry Gentlemen - Living In The Past
09. Velvet Green
10. Hunting Girl
11. Too Old To Rock'n'Roll Too Young To Die
12. Beethoven's 9th Symphony (2nd & 4th Movements)
13. Minstrel In The Gallery
14. Aqualung
15. Bach's Double Violin Concerto For Solo Guitar
16. Wind-Up - Back-Door Angels - Wind-Up (Reprise)
17. Locomotive Breath - Land Of Hope And Glory - Back-Door Angels (Reprise)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

12 ANOS...


27/12/2007...

"Foi tudo muito rápido, movido a muita dedicação, gente chata, ameaças infundadas de processos judiciais, perda de domínio envolvendo centenas de links mas mesmo assim continuo aqui, firme e forte tentando a cada dia divulgar o que há de melhor no Rock Progressivo nacional e internacional.

Não é e nunca foi fácil manter uma página ou um blog sobre um gênero musical amplamente dominado pelo sexo masculino. Já sofri críticas e deboches de diversas partes do mundo mas não levo nunca pelo lado pessoal e não me deixo abalar por certos comentários, alguns deles impublicáveis. Isso só tem a me fortalecer!

O Progrockvintage sem querer preencheu lacunas e me presenteou com amigos que hoje são de fundamental importância, incluindo também alguns ídolos aos quais nunca imaginei ter contato fora da capa de seus discos. Abriu portas para meu conhecimento pessoal e cultural através de incansáveis pesquisas sobre as mais diversas vertentes desse gênero musical que agrada um público bastante seleto e um tanto exigente. Tive a oportunidade de viajar por algumas cidades do Brasil para ir exclusivamente a shows de grande porte ou não e ser abordada em diversas ocasiões por pessoas as quais se quer conheço para falar do PRV. Esse tipo de tratamento não tem preço e sou muito grata por poder proporcionar a essas pessoas uma certa facilidade em conhecer novas e velhas bandas muitas vezes perdidas no tempo.


Vale deixar claro que não sou profissional de Jornalismo ou muito menos tenho o domínio de algum instrumento. Me interesso muito por flautas, órgãos e sintetizadores, conheço de ouvido uma ou outra marca específica, pesquiso frequentemente sobre esses instrumentos, especialmente os mais antigos. 

Justamente por não ter sabedoria e veia artística para tal, resolvi criar esse blog com o intuito de externar essa minha falta de talento em publicações muitas vezes simplórias (como já me disseram) porém criando textos diretos e objetivos.
Não estou aqui para impressionar ninguém, estou aqui fazendo o que gosto. Mesmo utilizando um vocabulário primário, venho contribuindo na divulgação do Rock Progressivo nacional para uma maior notoriedade nos dias de hoje, onde a música principalmente a brasileira, passa por uma situação agonizante.

Sigo em frente com a missão pessoal de manter esse espaço sempre recheado de divulgações de shows pelo Brasil continuando, mesmo que em passos mais lentos, a resenhar também sobre discos das mais diversas épocas e vertentes progressivas, disponibilizando quando possível arquivos para download.

Como já relatado em publicações anteriores, continuarei a divulgar novos e antigos nomes do cenários nacional, enfatizando em detalhes suas histórias e discos lançados. Possuo uma vasta lista de materiais vindos de artistas e bandas autorais de alto nível aos quais mantenho a promessa de publicações a altura de seus trabalhos.

Esses doze anos de 'estrada' não seriam possíveis sem o incansável e constante apoio de alguns parceiros que me acompanham desde o início, incentivando nos momentos de maior dificuldade e levando o nome Progrockvintage a diversos países. Certamente, sem essas pessoas nada teria dado tão certo.

Por tão grandioso apoio, este modesto espaço, conquistou ao longo da última década um valor superior a 5.000.000 visualizações de página. Números esses que não elevam em nada minha conta bancária. Nunca arrecadei um centavo neste espaço, pelo contrário, pago uma alta anuidade pela manutenção e pela propriedade do atual domínio criado em 2010.

Me resta somente agradecer de coração a todos que aqui frequentam por todo apoio ao longo desses anos".

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

FELIZ NATAL!!!!

O PROGROCKVINTAGE DESEJA A TODOS OS SEGUIDORES, AMIGOS VERDADEIROS OU NÃO, CONHECIDOS E PASSANTES UM NATAL REPLETO DE ALEGRIAS, BOA MÚSICA E MUITA PAZ! 






[FLAC] GENESIS - Chicago - 1977


A era pós-Gabriel no Genesis, trouxe mudanças significativas no que diz respeito a qualidade ´progressiva' dos discos lançados após o brilhante The Lamb Lies Down on Broadway em 1975. Particularmente, a 'nova' fase que se iniciou na segunda metade da década de setenta até sua última reunião em 2007, nunca me encheu os olhos.

Porém, devo admitir que o disco Wind & Wuthering foi uma grande surpresa em termos de regularidade e proporções instrumentais, bem nivelado a qualidade com que a banda executava nos seus cinco primeiros registros (69-75).

Um outro fator relevante ao declínio progressivo do Genesis, foi a saída de Hackett logo após o encerramento da turnê do disco Wind & Wuthering. Turnê esta, que também passou pelo Brasil em três capitais, meses depois da apresentação do registro em questão. Os vocais praticados por Collins nesse registro em particular, são de bom nível e com a incrível habilidade em dividir as baquetas com as complexas letras do Genesis, além de ter o apoio de Chester Tompson durante toda a execução dos shows. Não é segredo pra ninguém que nunca fui fã assídua deste nobre baterista porém, reconheço suas características como um exímio músico mas que pouco me emociona com seus atributos vocais. (Não me joguem pedras!)

Gravado durante a tour americana na cidade de Chicago, em 16 de Fevereiro de 1977, esse bootleg possui faixas que mesclam os dois discos em evidência, 'A Trick of the Tail e 'Wind & Wuthering' e alguns dos melhores clássicos que se tornaram verdadeiros hinos do progressivo mundial. 

Mesmo em FLAC a qualidade é mediana porém, uma ótima adição aos colecionadores.

TRACKS:

DISCO I

01. Intro
02. Squonk
03. One For The Vine
04. Robbery, Assault And Battery
05. Your Own Special Way
06. Firth Of Fifth
07. Carpet Crawlers
08. In That Quiet Earth
09. Afterglow
10. I Know What I Like

DISCO II

01. Intro
02. Eleventh Earl Of Mar
03. Supper's Ready
04. Dance On A Volcano
05. Los Endos
06. The Lamb Lies Down On Broadway
07. The Musical Box (Closing Section)


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

[FLAC] CARAVAN - Record Plant - 1974


O Caravan foi formado em 1968 a partir da dissolução do Wilde Flowers, depois que Robert Wyatt e Hugh Hopper se uniram para formar o Soft Machine. A formação original consistia nos primos David e Richard Sinclair (teclados e baixo respectivamente), os irmãos Jimmy e Pye Hastings (guitarra e sopros respectivamente) e o saudoso Richard Coghlan (bateria), que permaneceu na banda até a sua morte em 2013.

Em seu primeiro álbum lançado já em 68, eles ainda estavam encontrando sua identidade na cena emergente do Rock Progressivo mas, em seu segundo trabalho (estreantes no selo Decca), 'If I Could Do All Over Again, I´d Do It All Over You' (1970), eles estabeleceram seu som e estilo próprios, uma mesclagem de pop, folk e explorações baseadas no jazz. Seu próximo e mais icônico disco, 'In the Land of Grey and Pink' (1971), tornou-se o mais aclamado pela crítica, mas encontrou certa dificuldade comercial em meio a tantos nomes do gênero que já haviam alcançado um enorme sucesso em terras inglesas.

 Frustrado com a falta de retorno, Dave Sinclair deixa a banda para se juntar a Robert Wyatt em seu novo projeto, o que viria a se tornar o Matching Mole (nada comercial). Com isso, o Caravan conta com Steve Miller para seu próximo álbum, 'Waterloo Lily' (1972), que os levou em uma direção mais sombria e de pouco retorno. Contudo, o estilo jazz/blues mais direto de Miller se chocou com o resto da banda e ele logo saiu.

Já no ano seguinte, Dave retorna a banda, já que sua passagem pelo Matching Mole não durou muito e encontra Richard de saída para fundar o genial Hatfield and The North. Para a gravação de 'For Girls Who Grow Plump in the Night', entra o guitarrista e multi-instrumentista, Geoffrey Richardson que permance até os dias atuais.  

 Embora ganhando notoriedade, a banda nunca conseguiu alcançar o sucesso que merecia. A fim de reverter tal situação, saem em uma longa turnê para os EUA no ano de 74. Após o relevante sucesso obtido na América, partiram logo para a gravação de 'Cunning Stunts' (1975) e finalmente a banda foi reconhecida pelos principais meios de comunicação do Reino Unido e EUA. 

Logo após seu lançamento, Dave Sinclair saiu em definitivo e os álbuns posteriores, 'Blind Dog At St. Dunstans' (1976) e 'Better By Far (1977)', não conseguiram expandir o sucesso do disco anterior e a banda deu uma pausa. Um renascimento nos anos 80, resultou em alguns álbuns subseqüentes, mas não conseguiu igualar toda a produção dos anos anteriores. Mas, como parece ser o padrão, a formação original se reuniu para um evento em 1990 que reacendeu o interesse que se converteu em uma nova  turnê. 

O Caravan ainda se encontra na ativa e chegou a lançar uma coletânea em 2014 intitulada por 'The Back Catalogue Songs'.

O bootleg disponibilizado corresponde a primeira turnê americana gravado para uma rádio nos estúdios da Record Plant. A contra capa desse registro diz que foi gravado em 15 de outubro de 1974. Essa data provavelmente está incorreta, pois naquele mesmo dia eles tocaram em Columbus, OH. Havia dois estúdios da Record Plant naquela época, um na cidade de Nova York e outro em Sausalito, CA. O índex oficial Calyx lista em sua cronologia um programa de rádio ao vivo em São Francisco, em 10 de novembro de 1974. Como Sausalito está localizado do outro lado da ponte Golden Gate, creio que haja uma grande possibilidade de ser esta última data citada. Na primeira faixa, o locutor confirma a gravação na Record Plant, mas não menciona o local em específico.

Bom...

Essa informação fica para os colecionadores mais exigentes que fazem questão de possuir os registros com suas respectivas datas. 

Trata-se de um excelente registro não-oficial em ótima qualidade, disponibilizado em FLAC para uma maior apreciação.


01. Announcement by radio DJ
02. Memory Lain, Hugh
03. Headloss
04. For Richard
05. Band introduction / Virgin On The Ridiculous
06. Be All Right
07. Chance Of A Lifetime
08. The Love In Your Eye

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domingo, 24 de novembro de 2019

[PRV RECOMENDA] TAU CETI - Meus Dois Mundos - 2019



Engenheiro por formação e músico por vocação, o tecladista paulistano José Eduardo D'Elboux deu início ao seu promissor projeto no fim dos anos 80 quando formou o Tau Ceti ainda como um trio. Os anos se passaram e após longos estudos, resolveu desengavetar um lindo álbum solo lançado oficialmente no segundo semestre deste ano.

Intitulado por 'Meus Dois Mundos', traduz com perfeição as duas principais paixões de D'Elboux: a música clássica e o Rock Progressivo. Nesse trabalho, o músico consegue imprimir seu enorme talento e destreza ao criar lindos e, muitas vezes, complexos arranjos para órgãos, pianos e sintetizadores em peças de extremo bom gosto.


Acervo de José Eduardo D'Elboux


Sendo assim, o disco é dividido em duas partes distintas. A primeira é dedicada ao Rock Progressivo, incluindo várias técnicas nitidamente inspiradas em Keith Emerson, seu maior mentor.

Nesse segmento, destaco logo de cara a faixa, 'Prelúdio para Sintetizador', que abre os trabalhos com um enorme impacto causado pelos poderosos timbres extraídos de um Alesis QS7 (famoso sinthy digital dos anos 90 conhecido por sua infinidade de recursos e programações).

Outras que merecem atenção pela criatividade nas instrumentações e hamonias muito bem construídas são 'Tempestades Noturnas' e Reflexões Ectoplasmáticas, sendo esta última elaborada com uma infinidade de belos timbres, incluindo passagens de um simulador de piano e um Hammond bastante característico aos tempos áureos de Emerson no ELP. 

Fechando com maestria a seção progressiva, temos a linda 'Prelúdio Improviso Para Piano', composição de extremo bom gosto a qual me cativou bastante e a tenho como uma de minhas preferidas do álbum. Seguindo pouco ou nada aos moldes do Rock Progressivo, é uma faixa que demonstra toda versatilidade que um belo piano pode proporcionar a quem sabe realmente manusea-lo, mesmo em formato digital.

A segunda parte do trabalho de D'Elboux é dedicada a música erudita onde o músico dá ênfase a um quarteto de grandiosos compositores: Bah, Beethoven, Borodin e Bruckner. Além de composições de sua própria autoria. 

O mais interessante nesse segmento erudita é a incansável utilização de um potente Moog Prodigy que se encaixa com precisão ao gênero musical proposto e que acabou sendo inspiração ao que conhecemos por Rock Progressivo.

Os destaques aqui vão para 'Épica', uma construção de harmonias baseadas na 'Sinfonia Nr. 2 em Si Menor para Alegro' de Borodin. Também uma de minhas favoritas do disco. Valendo atenção também para 'Prelúdio Para Órgão', onde D'Elboux utiliza uma timbragem que simula um belo órgão de igreja. Faixa curta porém, muito bem executada produzindo uma encantadora atmosfera sombria, por assim dizer. 

O disco se encerra com duas faixas bônus de altíssimo nível, anteriormente lançadas no disco homônimo da banda em 1995 e rearranjadas para o trabalho atual. 'Antares', se inicia com uma bela introdução de piano seguida por um lindo solo de Prodigy, faixa esta considerada por mim como a mais progressiva de todo o disco. Encontramos também alguns fragmentos que se equiparam a uma espécie de chorus, o que nos faz remeter a um onipresente Mellotron.

Fechando a audição, uma bela releitura de Toccata (Bach) onde, mais uma vez, o Prodigy aparece em destaque em seus pouco mais de três minutos de execução em surpreendentes solos. Aqui D'Elboux destila ainda mais toda sua técnica e nítida destreza com o instrumento. 


Acervo de José Eduardo D'Elboux

O responsável pela produção, gravação e mixagem fica a cargo do músico e produtor Eduardo Aguillar (Vitral), proprietário do Laborátorio Pedra Branca onde o disco em questão foi gravado. 

Devo salientar aos poucos leitores deste espaço que não estou muito acostumada com obras realizadas a partir de instrumentos sampleados. Nesse trabalho em específico, temos a percussão e alguns fragmentos de baixo e bateria elaborados em formato digital e gravados em MIDI (Musical Instrument Digital Interface), que permite gravar informações musicais (em partitura ou tocadas em tempo real) para posterior reprodução. Porém, o álbum ''Meus Dois Mundos'' foi tão bem produzido que esses ''instrumentos'' acabam ficando em segundo plano, não atrapalhando em nada a proposta elaborada por D'Elboux. 

Trata-se de um dos melhores trabalhos realizados em terras brasileiras esse ano e que vale muito a pena ser conferido. 

O disco está disponível nas principais plataformas de streaming, podendo também ser adquirido fisicamente através de contato direto com o músico através do email jedelboux@hotmail.com

Deixo abaixo, amostras em vídeo de algumas faixas contidas no álbum "Meus Dois Mundos":






segunda-feira, 28 de outubro de 2019

[RESENHA] BACAMARTE - Teatro Municipal de Niterói - 25 de Outubro de 2019

Acervo Progrockvintage
Após quase dois anos, retorno ao simpático Teatro Municipal de Niterói para a realização de um antigo sonho: assistir a uma apresentação ao vivo do Bacamarte com a presença de alguns de seus membros originais, incluindo a iluminada voz de Jane Duboc.

Tive então o privilégio de ser convidada pela produção da Vértice Cultural para acompanhar a passagem de som que foi uma pequena prévia do que viria a presenciar naquela noite. Ali já pude sentir um arrepio por poder ver e ouvir de muito perto toda a preparação técnica em um momento bem íntimo, por assim dizer. Ao nível do palco, acompanhei a finalização de montagem e afinação dos instrumentos, assim como os ajustes de voz, som e luz e, posteriormente uma pequena palhinha de alguns de seus clássicos consagrados. 

Pouco depois das oito da noite, o Bacamarte entra em cena com o teatro praticamente lotado e abre o show com os primeiros acordes de Miragem. Faixa instrumental, onde dava pra sentir com bastante nitidez, a pureza da perfeita acústica do teatro no momento em que Mário Neto começa a dedilhar os primeiros e lépidos acordes em uma Les Paul preta, um tanto impactante por sua potência e extrema beleza.

A curta e também instrumental, Caño realça a extrema competência e técnica bastante apurada do baterista Alex Curi, acompanhado pela forte vibração do poderoso e muito bem executado Rickenbacker do simpático William Murray. A demonstração de habilidade e entrosamento entre os dois músicos, não somente nesse faixa mas durante toda a apresentação, foi de se impressionar. Além de todo esse veneno, Marcus Moura abandona a flauta para empunhar um lindo e discreto Acordeon acompanhado pelo sintetizador do versátil e ótimo tecladista, Robério Molinari.

 Uma das boas surpresas da noite foi a linda Canção Filosofal, composta em 1974 por Mario Neto e Sérgio Vilarim (tecladista da formação original) mas nunca lançada oficialmente. Momento este de pura comoção por parte do guitarrista.

Vale ressaltar que, entre uma faixa e outra, Mário discursava com certa descontração mas bastante emocionado, citando sempre seus antigos companheiros de banda e da música num geral. Momentos estes um tanto comoventes e bonitos de se ver.

Em UFO, os músicos destilam mais uma vez uma inflamada técnica e forte interlocução instrumental. Se inicia com alguns belos acordes de violão clássico, bem na tradição brasileira de grandes violonistas, como Gismonti e Baden Powell por exemplo. A música se direciona para uma espécie de serenata, adoçada por flautas no estilo Guarani, dando espaço a uma linda timbragem de cravo em complexas movimentações. Com passar do tempo, entram belos solos de flauta doce acompanhados de esplêndidas passagens vinda dos sintetizadores. Que banquete para os ouvidos!

Smog Alado abre com um imponente duo entre baixo/bateria, seguidos por fragmentos de flauta transversal e virtuosos solos de guitarra. Nesse momento, entra o caloroso porém, tenro vocal de Jane Duboc que vem como um alento para os ouvidos dos espectadores.

Seguida por Espíritos da Terra, faixa leve com uma linha calma de baixo, entradas sutis de teclado e dessa vez, uma guitarra mais suave. Linda versão retirada do álbum 'Sete Cidades' onde, mais para seu final, Mario divide o vocal com Duboc em um momento de muito bom gosto, a meu ver.

Em Pássaro de Luz, todos os holofotes são voltados para a talentosa vocalista e um dos nomes importantes da MPB, em uma das mais belas baladas do Rock Progressivo. Jane Duboc fez e ainda faz muita diferença quando adentra ao palco ou aos estúdios por onde o Bacamarte passa. Sua voz se encaixa com perfeição ás composições executadas pela banda, fazendo com que ela seja peça importante para a edificação harmônica entre seus membros.

Filhos do Sol, mostra uma outra habilidade de Mário Neto quando se dedica aos imponentes vocais contidos nessa faixa. Mais uma vez durante o show, a percussão de Alex Curi se torna ainda mais evidente e Marcus Moura se destaca nos solos de flauta que, dessa vez, seguem uma linha mais voltada para o folk.
Acervo Progrockvintage
Depois do Fim, música que dá nome a um dos discos mais procurados e respeitados do Rock Progressivo mundial, cai como uma bomba no teatro por sua atmosfera apocalíptica, com vocais rondando certa melancolia, beirando de certa forma o fim dos tempos.
Os solos de guitarra mais uma vez se sobressaem e se difundem a uma perfeita base de teclados e sintetizadores.
Em todos esses anos em que me dedico a escutar o gênero com muito afinco, tenho o solo de flauta ao final como o mais perfeito de todos os tempos, deixando muito flautista de renome internacional no chinelo.
Certamente, essa foi uma das músicas mais marcantes de todo o espetáculo.

Outra grata surpresa foi a inédita Lua Minguante, dividida em quatro pequenas suítes que denominam as fases da lua em uma instrumentação impecável.

Mirante das Estrelas evidencia novamente a perfeição no que diz respeito ao entrosamento dos músicos. A interação frenética do violão acústico e guitarra com os teclados reverberava no ambiente, enquanto o resto da banda fornecia certo alicerce no decorrer da execução. Vale destacar também, mais uma vez, a imponência e destreza no baixo de William Murray.

Já perto do fim da apresentação, a faixa Polêmica se encaixou ao setlist, relembrando uma composição dos anos 70, escrita por dois ex-membros da banda, o baixista Delto Simas e o baterista Marco Veríssimo.


Fechando com chave de ouro, Último Entardecer talvez tenha sido a execução mais longa de todo o show. A introdução se destaca pela timbragem perfeita de um piano digital extraído de um Casio Privia que acompanhou Robério durante todo o espetáculo. As variações de teclado são bastante interessantes, passando por lindos segmentos de piano a técnicos solos de sintetizadores. 
Dessa vez, os solos de guitarra saíram de uma linda Gibson EDS (double neck) a qual possui uma sonoridade bem característica mas nesse caso, os acordes eram de extrema sofisticação. As flautas soaram como uma vistosa brisa acompanhando a amargurada voz de Duboc em letras filosóficas, lidando com a morte, o medo e a esperança.

O Bacamarte encerrou a terceira edição do Carioca Prog Festival em alto nível onde reuniu músicos de extrema qualidade em um show altamente virtuoso, repleto de boas recordações, emoções e absurda certeza de que devemos respeito ao Rock Progressivo nacional como um todo. O Brasil possui novas e velhas bandas de siginificativa relevância que merece espaço e divulgação decente nos diversos meios de comunicação da atualiadade. 

Um bom exemplo disso é a bem sucedida parceria entre a Vértice Cultural e a BeProg que vem acendendo ainda mais a chama de que o gênero permaneça em envidência a ponto de atrair cada vez mais pessoas para o lado bom da música. 

Nesse ano essa parceria rendeu mais um belíssimo festival que reuniu doze excelentes bandas vindas de cinco estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Pará, Rondônia e Rio Grande do Sul e divididas em quatro teatros entre as cidades do Rio e Niterói. 

Nesse momento, só me resta agradecer a Vértice Cultural (leia-se Cláudio Paula) e aos diversos amaigos aos quais me reencontrei por lá por tão cuidadosa hospitalidade a qual me receberam em Niterói. Tenho certeza de que todas as centenas de pessoas que compareceram aos shows comungam da opinião de que este festival entrou para a história!

Que venha 2020!


terça-feira, 22 de outubro de 2019

[DIVULGAÇÃO] ÍCONES DO PROGRESSIVO - TEATRO MUNICIPAL DE NITEROI - PRÓXIMA QUINTA 24/10


O projeto Ícones do Progressivo se apresenta já na próxima quinta, 24/10, para mais um grande espetáculo no belo Teatro Municipal de Niterói, que contará com interessantes releituras em formato instrumental de bandas como Focus, Elp, Genesis, dentre outras. 

A banda é liderada pelo guitarrista carioca Luiz Zamith acompanhado por músicos de renome no cenário brasileiro tais como Paulo Teles (teclados), Elcio Cáfaro (bateria), Paulo Menezes (baixo) e Roberto Ovalle (teclados).

A proposta do Ícones do Progressivo é mostrar a contemporaneidade e vigor das ideias e concepções musicais deste diversificado e influente gênero musical mesmo com o passar do tempo e convidamos o público apreciador do gênero a levar amigos e familiares de todas as idades que não conhecem o progressivo, pois queremos contribuir com a formação de novas plateias.


SERVIÇO:

Local: Teatro Municipal de Niterói (XV de Novembro, 35)
Data: 24 de Outubro (quinta) - 19hrs
Os ingressos podem ser adquiridos a preços acessíveis na bilheteria do teatro ou antecipadamente no site da Ingresso Rápido.



domingo, 20 de outubro de 2019

BLACKWATER PARK - Dirt Box - 1971



(PUBLICADO ORIGINALMENTE EM SETEMBRO DE 2008)

Excelente banda alemã vinda da cidade de Berlin e muito pouco conhecida pelos admiradores do prog alemão. Com um estilo mais voltado para o Hard Rock, o Blackwater faz um som mais pesado dando ênfase tanto aos excelentes riffs de guitarras quanto as belas passagens de Hammond.


 Seu vocalista era britânico e com um belo e forte timbre de voz. Destaque para a terceira e pesada faixa " Indian Summer", que nitidamente nos mostra a qualidade, entrosamento e muito virtuosismo entre seus membros. Vale lembrar que a última faixa é uma bela versão de "For No One" composta por Lennon e McCartney e lançado no álbum Revolver de 1966.

Como sempre, boas bandas como essa tiveram carreiras muito curtas, pouco reconhecidas na época e gravaram apenas um disco, os chamados one shot.

Dirt Box foi gravado em Dezembro de 1971 e lançado pela BASF no ano seguinte. Hoje em dia, pedem-se centenas de dólares por essa edição. Há pouco tempo vi no Ebay  um francês vendendo por nada menos que € 450Para a sorte dos colecionadores,  o selo Second Battle lançou a versão em CD recentemente.


TRACKS:

1. Mental Block
2. Roundabout
3. One's Life
4. Indian Summer
5. Dirty Face
6. Rock Song
7. For Noone


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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

[DIVULGAÇÃO] CARIOCA PROG FESTIVAL - CARAVELA ESCARLATE E ARCPELAGO - CENTRO DA MÚSICA CARIOCA -12 DE OUTUBRO



Dando continuidade a programação do CaRIOca ProgFestival, o próximo sábado (12/10) conta com a dobradinha das bandas Arcpelago e Caravela Escarlate que se apresentarão no Centro da Música Carioca, no bairro da Tijuca.

Serão dois shows independentes, com ingressos distintos. Entretanto, está sendo oferecido um combo promocional no valor de R$ 60,00 (sessenta reais) para quem quiser assistir aos dois shows. 

Confira os horários das apresentações:

- Arcpelago - 17:00 h;
- Caravela Escarlate - 20:00 h.

O Carioca ProgFestival é produzido pela Vértice Cultural e pela BeProg, de modo que as bandas não têm absolutamente nenhuma autonomia sobre os preços dos ingressos e oferecimento gratuito dos mesmos.



SERVIÇO:

ARCPELAGO e CARAVELA ESCARLATE

DATA: 12 de OUTUBRO (SÁBADO) - A PARTIR DAS 17HRS

Centro da Música Carioca (R. Conde de Bonfim, 824 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ)
Ingressos a venda na bilheteria do teatro ou através do site da BeProg.


Confira a programação completa do CaRIOca ProgFestival:



domingo, 29 de setembro de 2019

MCCHURCH SOUNDROOM - Delusion - 1971


Uma das lendas esquecidas do Krautrock, MCchurch Soundroom, veio da Suíça e lançou apenas um álbum "Delusion" em 1971, com produção do genial Conny Plank (citado neste espaço inúmeras vezes).

A banda é liderada pelo flautista e vocalista, conhecido pelo pseudônimo de Sandy Mcchurch, cujo seu nome real é Sandro Chiesa. Apenas como curiosidade, o nome Soundroom vem da garagem dos pais de Sandy, onde eram realizados os ensaios para posterior gravação do disco em Hamburgo, na Alemanha. 

A sinistra arte da capa, nada tem a ver com o som proposto ao longo de toda a audição. Não se trata de um disco com faixas pesadas e satânicas mas sim um rítmo ora voltado para o folk com acordes de violão acústico e tenras flautas, ora com variações insitando a uma pegada onde o blues e o fusion predominam-se em certas partes.

Na introdução da faixa titulo, nos deparamos com uma atmosfera mais folk, remetendo ao modo acústico do Jethro Tull, mas logo no decorrer do primeiro minuto, ocorre uma variação de rítmos onde a cozinha baixo/bateria aparece com mais veemência, acompanhada por um suntuoso Hammond e um vocal mais forte.

Em 'Day of a Drummer e 'Time is Flying', encontramos as faixas mais pesadas do disco. A primeira com belos trechos de uma forte guitarra e, em seguida, um virtuoso solo de bateria. A última com belas passagens de órgão e flautas.

A minha favorita de todo o registro fica com 'What are you Doing' que possui uma linda introdução de Hammond, se revezando a suaves fragmentos de flauta e acordes repetidos de baixo, contendo assim uma interessante pegada mais direcionada ao blues. 

A suíte 'Trouble' encerra o álbum em duas faixas distintas. Repletas de dissonâncias de flauta e  improvisações de jazz/blues, é a camposição que menos me tocou por se tratar de um trabalho lançado no início da década de 70. 

Nessa época, os discos eram elaborados com mais criatividade e um toque de certa lisergia e, este em particular, não se destaca em quase nada das multidões crescentes da fase áurea do progressivo Europeu como um todo.

No mais, não se trata de uma obra-prima do Krautrock sendo dificilmente essencial ou inovador, mas vale a pena possuir como gênero de segunda linha, por assim dizer...

O vinil original foi lançado pelo selo Pilz que também contou em seus estúdios com bandas como Popol Vuh, Wallenstein, Witthuser & Westrupp, dentre outras. Já nos anos 90, foi relançado em CD por um selo ao qual desconheço.


TRACKS:

01. Delusion 
02. Dream Of A Drummer 
03. Time Is Flying 
04. What Are You Doin' 
05. Trouble Part 1 
06. Trouble Part 2 

MEGA

domingo, 22 de setembro de 2019

CAMPO DI MARTE - Campo Di Marte - 1973

(PUBLICADO ORIGINALMENTE EM DEZEMBRO DE 2012)

Criada na cidade de Florença, o Campo di Marte foi fundado pelo guitarrista Enrico Rosa em 1971 e lançou apenas esse maravilhoso registro homônimo em 73, alguns meses após a banda se acabar. 
A maioria dessas bandas obtiveram reconhecimento apenas em festivas, desinteressando assim certas gravadoras a investir nesse tipo de projeto. Hoje em dia, esses registros são tão raros que, quando se acha o vinil original da época, os preços chegam a ultrapassar algumas centenas de dólares. 

Trata-se de um disco conceitual inspirado em uma área de Florença que metaforicamente seria um campo de guerra tendo Marte como seu Deus místico. A bela arte da capa mostra antigos mercenários turcos  que se auto flagelavam com suas próprias armas em demonstração de força e coragem como forma de protesto para obtenção de melhores salários e condições de vida. Vai entender...
Hoje em dia, essa tal área chamada de Campo Di Marte é de propriedade particular de Enrico Rosa que, desde 1974 reside na Dinamarca. Creio que essa propriedade seja apenas um refúgio onde Rosa passa suas férias. 

Somente a título de curiosidade, nesse mesmo ano de 1974, Rosa recusou o convite de Francesco DiGiacomo  para fazer parte do Banco, banda em extrema evidência na época e acabou se mudando para a Dinamarca, onde ainda hoje segue a carreira como músico profissional. Não tenho conhecimento de nenhum album solo ou outro projeto que seja liderado por ele.

As composições apresentadas são de extremo bom gosto combinando instrumentos acústicos e elétricos como flauta, órgãos, guitarras distorcidas e percussão. 
O mais interessante é a alternância clara em certas passagens de flauta seguidas por acordes frenéticos de guitarra, acompanhados de lindas timbragens de órgão e Mellotron. Além da leve atmosfera sinfônica proporcionada pelos órgãos e flautas, encontramos também um certo peso quando esses instrumentos se mesclam a virtuosa guitarra de Rosa.

Este belo registro esquecido pelo tempo veio novamente a tona em 1994 quando o selo americano United Artists o relançou em CD. 
Já em 2006, o selo italiano BTF publicou novamente o registro em CD além de uma reedição em vinil. Essa reedição de 2006 que publico por aqui com uma seleção de faixas que foi alterada do vinil original e segue a sequência 5-6-7-1-2-3-4, com novos títulos

Posso dizer com toda certeza de que este é um dos melhores "one shot" existentes quando se trata de progressivo italiano. Imperdível!



TRACKS:

01. Prologo I
02. Prologo II
03. Prologo III
04. Riflessione I
05. Riflessione II
06. Epilogo I
07. Epilogo II