terça-feira, 30 de junho de 2020

GENESIS - Hammersmith Odeon - 1976



A era pós-Gabriel no Genesis, trouxe mudanças significativas no que diz respeito a qualidade 'progressiva' dos discos lançados após o brilhante The Lamb Lies Down on Broadway em 1975. Particularmente, a 'nova' fase que se iniciou na segunda metade da década de setenta até sua última reunião em 2007, nunca me encheu os olhos.

Porém, devo admitir que, com o passar dos anos, consegui digerir os discos 'A Trick of The Tail'  e Wind & Wuthering que se tornaram uma grata surpresa em termos de regularidade e proporções instrumentais, bem nivelado a qualidade com que a banda executava nos seus cinco primeiros registros (69-75). Maturidade é tudo, senhores!

Um outro fator relevante ao declínio progressivo do Genesis, foi a saída de Hackett logo após o encerramento da turnê do disco Wind & Wuthering. Turnê esta, que também passou pelo Brasil em três capitais, meses depois da apresentação do registro em questão. Os vocais praticados por Collins nesse registro em particular, são de bom nível e com a incrível habilidade em dividir as baquetas com as complexas letras do Genesis, além de ter o apoio de Chester Tompson durante toda a execução dos shows. Não é segredo pra ninguém que nunca fui fã assídua deste nobre baterista porém, reconheço suas características como um exímio músico mas que pouco me emociona com seus atributos vocais. (Não me joguem pedras!)

O registro a seguir representa uma aparição histórica no programa de rádio americano King Biscuit Flower Hour, marcando a primeira vez que a banda foi ouvida em uma transmissão nacional com sua nova formação, após a saída de Gabriel. 

Gravado durante a tour do 'A Trick Of The Tail' no Hammersmith Odeon em Londres, na data de 10 de Junho de 1976, essa apresentação marca uma das últimas aparições de Bill Brufford como baterista oficial do Genesis, sendo logo substituído por Chester Thompson. 

As faixas mesclam entre a divulgação do disco em questão com alguns dos maiores clássicos da época, incluindo uma bela versão de White Mountain do álbum Trespass (1970) que não ficou nada mal na voz de Collins. Essa faixa, até onde sei, nunca foi executada ao vivo pelo Genesis na era Gabriel. 

Eis um registro bastante interessante e de boa qualidade que, ao longo dos anos, se tornou um clássico para os fãs desta que é uma das maiores bandas de todos os tempos. 

Disponibilizado em FLAC para uma melhor apreciação.


TRACKS:

DISCO I:

01. Dance On A Volcano
02. The Lamb Lies Down on Broadway 
03. Fly On A Windshield 
04. Carpet Crawlers 
05. The Cinema Show 
06. Robbery Assault and Battery 
07. White Mountain 
08. Firth of Fifth 
09. Entangled 
10. Squonk 

DISCO II:

01. Intro
02. Supper's Ready 
03. I Know What I Like 
04. Los Endos 
05. It/Watcher Of The Skies 

terça-feira, 16 de junho de 2020

STEVE HACKETT - Milão - 2013




Em 1978, o Genesis iniciava uma nova turnê e também a fase mais decadente de sua história (que venham as pedras dos fãs mais enérgicos) que perdura até os dias atuais com o anúncio de um novo retorno programado até então para esse ano.

Steve Hackett deixou a banda em 1977, determinado a continuar sua jornada através da música como artista solo. Após sua saída, presenteou seus fãs com nada menos que nove álbuns solo em 15 anos, incluindo dois com composições inteiramente de peças instrumentais de violão. Apesar do sucesso de seus primeiros álbuns, "Voyage Of The Acolyte", "Please Don't Touch", "Spectral Mornings" e "Defector", o guitarrista evitava intencionalmente tocar músicas do Genesis no palco, incluindo apenas segmentos muito curtos como 'I Know What I Like' e 'Horizons'.

Após seu desligamento do projeto GTR em parceria com Steve Howe no final de 1986, Hackett voltou a seguir suas próprias instruções musicais. Seu próximo álbum, "Momentum" (1988), foi um registro completo de peças instrumentais de guitarra clássica. Ele então formou sua própria gravadora, Camino Records, e lançou seu primeiro álbum ao vivo, "Time Lapse" no início dos anos 90. Em seguida foi "Guitar Noir" (1993), uma mistura de progressivo, guitarra clássica em uma atsmofera que remetia a um tom mais sombrio. Em seguida, seguiu por novas vertentes lançando um álbum inteiro de Blues, intitulado por "Blues With A Feeling" (1994). 

Atendendo a pedidos de milhares de fãs, Hackett se dedica a um novo projeto onde as músicas do Genesis ganhariam destaque absoluto. Em 1996, veio então a notícia do lanaçamento de um novo álbum, "Genesis Revisited", que contou com uma constelação de importantes nomes do Rock Progressivo tais como Ian McDonald (Crimson), John Wetton (Crimson, U.K, Asia) , Tony Levin (Crimson, Peter Gabriel), Bill Bruford (Crimson, Yes), Chester Thompson (Genesis), dentre muitos outros.

 O projeto consistiu em vários clássicos de sua passagem pelo Genesis. As peças tocadas no álbum variavam de recriações cuidadosas a novos arranjos em impecáveis versões, adicionando novos capítulos e variações a esses clássicos. O álbum foi muito bem recebido pela exigente crítica britânica. No entanto, a turnê foi outra questão, pois a agenda da maioria dos artistas convidados impossibilitava qualquer turnê prolongada. Mas Steve conseguiu agendar quatro datas no Japão, com uma banda sólida e de nomes consolidados (já citados por aqui anteriormente).

O registro a seguir conta com uma apresentação mais atual digamos assim e com uma banda mais sólida, com membros fixos e sem agendas cheias como os antigos do primeiro Genesis Revisited dos anos 90. 

O diferencial desse bootleg é participação de Ray Wilson em três faixas (Carpet Crawlers, I Know What I Like e Entangled). Wilson teve uma rápida passagem pelo Genesis onde substituiu Phil Collins e gravou o vocal do fraco Calling All Stations em 2007. 

Gravado na cidade de Milão em 24 de Abril de 2013 com extensão de áudio em MP3 porém, em qualidade aceitável. Vale pelo registro e as versões de Chamber Of 32 Doors e Afterglow, muito bem registradas pelo vocal do competente Nad Sylvan.


TRACKS:

01. Watcher Of The Skies  
02. Chamber Of 32 Doors  
03. Dancing With The Moonlit Knight  
04. Fly On A Windshield  
05. Carpet Crawlers 
06. Firth Of Fifth  
07. Blood On The Rooftops  
08. Unquiet Slumbers For Sleepers ...  
09. ... In That Quiet Earth  
10. Afterglow  
11. I Know What I Like  
12. Dance On A Volcano 
13. Entangled
14. The Musical Box 
15. Supper's Ready 
16. Encore break 
17. Eleventh Earl Of Mar  
18. Los Endos  



quinta-feira, 4 de junho de 2020

JETHRO TULL - Master Reel - 1969




Sem dúvida, o Jethro Tull é uma das bandas de progressivo a qual possui o início de carreira dos mais brilhantes. Trajando roupas desleixadas e vagabundas, parecendo mais um anacronismo de um conto de Charles Dickens, Anderson transmitiu uma antiga aura durante os anos de formação da banda no final dos anos 60 e início dos anos 70, que persistiria em diversas outras formações por décadas a fio emanando sempre muita qualidade e extrema criatividade em suas composições.

O registro a seguir, conta com faixas dos dois primeiros e essenciais discos do Tull lançados entre os anos de 1968 e 1969, This Was e Stand Up respectivamente. Sendo o primeiro disco com grande destaque no decorrer das apresentações.

Nesse show, talvez o mais antigo ao qual possuo, foi gravado bem no início de 1969 quando a banda dava seus primeiros passos em apresentações ao vivo de grande porte pela Europa. 

Possivelmente, essa apresentação foi uma das primeiras aparições de Martin Barre no Jethro Tull. O renomado e virtuoso guitarrista substituiu Mick Abrahams após o lançamento de This Was ainda em 1968.

Esse bootleg foi gravado na cidade de Estocolmo na Suécia em 14 de Janeiro de 1969 e conta com duas apresentações na mesma data sendo a primeira gravação na parte da tarde e a segunda já a noite. 

Mesmo estando em MP3, a qualidade do áudio encontra-se impecável! 



DISCO I (Early Show):

01. My Sunday Feeling
02. Martin´s Tune
03. To Be Sad Is a Mad Way To Be
04. Back To The Family
05. Dharma For One
06. Nothing Is Easy
07. Song For Jeffrey

DISCO II (Late Show):

01. Intro
02. My Sunday Feeling
03. Martin´s Tune
04. To Be Sad Is a Mad Way To Be
05. Back To The Family
06. Dharma For One
07. Nothing Is Easy
08. Song For Jeffrey



domingo, 24 de maio de 2020

[FLAC] STEVE HACKETT - A Friendly Fold - 1996



Em 1978, o Genesis iniciava uma nova turnê e também a fase mais decadente de sua história (que venham as pedras dos fãs mais enérgicos) que perdura até os dias atuais com o anúncio de um novo retorno programado até então para esse ano.

Steve Hackett deixou a banda em 1977, determinado a continuar sua jornada através da música como artista solo. Após sua saída, presenteou seus fãs com nada menos que nove álbuns solo em 15 anos, incluindo dois com composições inteiramente de peças instrumentais de violão. Apesar do sucesso de seus primeiros álbuns, "Voyage Of The Acolyte", "Please Don't Touch", "Spectral Mornings" e "Defector", o guitarrista evitava intencionalmente tocar músicas do Genesis no palco, incluindo apenas segmentos muito curtos como 'I Know What I Like' e 'Horizons'.

Após seu desligamento do projeto GTR em parceria com Steve Howe no final de 1986, Hackett voltou a seguir suas próprias instruções musicais. Seu próximo álbum, "Momentum" (1988), foi um registro completo de peças instrumentais de guitarra clássica. Ele então formou sua própria gravadora, Camino Records, e lançou seu primeiro álbum ao vivo, "Time Lapse" no início dos anos 90. Em seguida foi "Guitar Noir" (1993), uma mistura de progressivo, guitarra clássica em uma atsmofera que remetia a um tom mais sombrio. Em seguida, seguiu por novas vertentes lançando um álbum inteiro de Blues, intitulado por "Blues With A Feeling" (1994). 

Atendendo a pedidos de milhares de fãs, Hackett se dedica a um novo projeto onde as músicas do Genesis ganhariam destaque absoluto. Em 1996, veio então a notícia do lanaçamento de um novo álbum, "Genesis Revisited", que contou com uma constelação de importantes nomes do Rock Progressivo tais como Ian McDonald (Crimson), John Wetton (Crimson, U.K, Asia) , Tony Levin (Crimson, Peter Gabriel), Bill Bruford (Crimson, Yes), Chester Thompson (Genesis), dentre muitos outros.

 O projeto consistiu em vários clássicos de sua passagem pelo Genesis. As peças tocadas no álbum variavam de recriações cuidadosas a novos arranjos em impecáveis versões, adicionando novos capítulos e variações a esses clássicos. O álbum foi muito bem recebido pela exigente crítica britânica. No entanto, a turnê foi outra questão, pois a agenda da maioria dos artistas convidados impossibilitava qualquer turnê prolongada. Mas Steve conseguiu agendar quatro datas no Japão, com uma banda sólida e de nomes consolidados (já citados por aqui anteriormente).

 Esses quatro shows foram os únicos para a mini-turnê de 1996. O setlist incluia várias faixas do disco em questão que intercalava com composições da carreira solo de Hackett, além de algumas músicas do King Crimson (para John e Ian) e até mesmo um hit do Asia ('Heat of the Moment', apresentada em formato acústico). 

As duas primeiras noites (em Tóquio) foram gravadas, filmadas e lançadas oficialmente como "The Tokyo Tapes" em 1998. Certamente shows únicos e memoráveis. 

As outras duas noites (em Osaka e Nagoya) ficaram disponíveis como gravações não-oficiais e rematerizadas posteriormente pelo selo independente Progressive Rock Remasters Project (PRRP). 

Nesta publicação encontra-se apenas o show de Osaka gravado em 19 de Dezembro de 1996 pois a qualidade é superior ao show de Nagoya e o setlist é o mesmo.

Disponibilizado em FLAC para uma melhor apreciação deste que é um dos melhores bootlegs publicados no Progrockvintage.


TRACKS:

DISCO I:

01. Watcher Of The Skies  
02. Depth Charge  
03. Firth Of Fifth  
04. Battle Lines
05. Camino Royale  
06. In The Court Of The Crimson King  
07. Horizons 
08. Walking Away From Rainbows 

DISCO II:

01. Heat Of The Moment 
02. In That Quiet Earth
03. A Vampire (With A Healthy Appetite) 
04. I Talk To The Wind  
05. Shadow Of The Hierophant 
06. Drum Solo 
07. Los Endos 
08. Blood On The Rooftops - Black Light  
09. The Steppes 
10. I Know What I Like 


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sábado, 2 de maio de 2020

[FLAC] YES - Actuel Festival -1969


É sempre uma honra poder falar do início de carreira desta banda que se tornou um dos maiores pilares do Rock Progressivo de todos os tempos. Sua formação original foi fundamental para todo o crescimento da banda no decorrer de seus mais 50 anos de estrada (entre muitas idas e vindas), sempre nos presenteando com belos e clássicos discos. Um deles é seu trabalho de estreia "YES" lançado em 1969 que, certamente é um de meus favoritos.  

Nessa época a banda seguia uma linha menos progressiva e ainda estava em fase de desenvolvimento, dando menos ênfase aos fortes teclados de Kaye e destacando mais a destreza de Banks, na maioria das vezes, acompanhado de uma linda guitarra Rickenbacker. 

A banda ainda contava com o feeling jazzy de Bruford sempre acompanhado pelo também nervoso Rickenbacker de Squire, que dava um peso a mais ás belas composições escritas por seu líder maior e detentor da voz mais linda e marcante do progressivo, Jon Anderson.

Após as gravações do álbum Time And A Word de 1970, Peter Banks foi literalmente chutado da banda. Nessa época, o YES já estava com projetos mais voltados para o progressivo sinfônico e precisavam de um guitarrista com uma formação mais clássica, sendo Banks substituído por Steve Howe, que mudou por completo toda a roupagem do YES lançando em seguida um dos discos mais marcantes do progressivo,The YES Album.

Após sua saída, Banks deu continuidade a sua carreira de músico e em 1971 fundou a excelente banda Flash juntamente com Peter Barden (Camel). No ano seguinte, lança seu álbum homônimo com a participação especial de Tony Kaye nos teclados. O Flash seguia mais ou menos a mesma linha do primeiro disco do YES, com arranjos regados a fortes linhas de guitarra e belas passagens de Arp, piano elétrico e órgão. O Flash não durou muito tempo, lançou apenas três discos e a banda acabou se dissolvendo em 1973.

Banks ainda chegou a trabalhar em um projeto paralelo de Jan Akkerman (Focus) em 1972 e no ano seguinte lança seu primeiro e excelente trabalho solo intitulado por "Two Sides Of Peter Banks".

 O festival Amougies , também chamado de "Actuel Festival ", é um dos primeiros grandes festivais europeus de música. Foi organizado pelo selo francês Byg Actuel e patrocinado pela Actuel, a principal revista de cultura underground francesa da época. Ocorreu na vila de Amougies, na Bélgica, de 24 a 28 de outubro de 1969 , depois que o festival foi forçado a mudar de local várias vezes no tenso clima político que pairava pela Europa no fim da década de 60. 
 Músicos convidados incluíam Pink Floyd, Ten Years After , Zoo, Archie Shepp , The Nice , Art Ensemble of Chicago, YES, Gong, Soft Machine, Caravan, dentre muitos outros. Pierre Lattes e Frank Zappa eram os mestres de cerimônia do evento.

O bootleg a seguir conta com a apresentação do YES, em início de carreira, que ocorreu no quarto dia do festival na data de 27 de Outubro de 1969. 

As faixas contidas nesse registro são releituras de nomes como David Crosby, Stephen Stills, The Young Rascals e Richie Havens. Com exceção a 'Then', composta por Jon Anderson.

A qualidade não é das melhores mas, por se tratar de um registro extremamente raro, decidi publicá-lo assim mesmo pois sei que, algumas das poucas pessoas que passam por este espaço se divertem com esse tipo de gravação. 


TRACKS:

01. No Opportunity Necessary, No Expirience Needed
02. Tuning Problems
03. Then
04. It´s Love
05. Everydays
06. I See You
07. Something´s Coming

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domingo, 26 de abril de 2020

CARAVAN - Green Bottles for Marjorie - 2002


O Caravan foi formado em 1968 a partir da dissolução do Wilde Flowers, depois que Robert Wyatt e Hugh Hopper se uniram para formar o Soft Machine. A formação original consistia nos primos David e Richard Sinclair (teclados e baixo respectivamente), os irmãos Jimmy e Pye Hastings (guitarra e sopros respectivamente) e o saudoso Richard Coghlan (bateria), que permaneceu na banda até a sua morte em 2013.

Em seu primeiro álbum lançado já em 68, eles ainda estavam encontrando sua identidade na cena emergente do Rock Progressivo mas, em seu segundo trabalho (estreantes no selo Decca), 'If I Could Do All Over Again, I´d Do It All Over You' (1970), eles estabeleceram seu som e estilo próprios, uma mesclagem de pop, folk e explorações baseadas no jazz. Seu próximo e mais icônico disco, 'In the Land of Grey and Pink' (1971), tornou-se o mais aclamado pela crítica, mas encontrou certa dificuldade comercial em meio a tantos nomes do gênero que já haviam alcançado um enorme sucesso em terras inglesas.

 Frustrado com a falta de retorno, Dave Sinclair deixa a banda para se juntar a Robert Wyatt em seu novo projeto, o que viria a se tornar o Matching Mole (nada comercial). Com isso, o Caravan conta com Steve Miller para seu próximo álbum, 'Waterloo Lily' (1972), que os levou em uma direção mais sombria e de pouco retorno. Contudo, o estilo jazz/blues mais direto de Miller se chocou com o resto da banda e ele logo saiu.

Já no ano seguinte, Dave retorna a banda, já que sua passagem pelo Matching Mole não durou muito e encontra Richard de saída para fundar o genial Hatfield and The North. Para a gravação de 'For Girls Who Grow Plump in the Night', entra o guitarrista e multi-instrumentista, Geoffrey Richardson que permance até os dias atuais.  

 Embora ganhando notoriedade, a banda nunca conseguiu alcançar o sucesso que merecia. A fim de reverter tal situação, saem em uma longa turnê para os EUA no ano de 74. Após o relevante sucesso obtido na América, partiram logo para a gravação de 'Cunning Stunts' (1975) e finalmente a banda foi reconhecida pelos principais meios de comunicação do Reino Unido e EUA. 

Logo após seu lançamento, Dave Sinclair saiu em definitivo e os álbuns posteriores, 'Blind Dog At St. Dunstans' (1976) e 'Better By Far (1977)', não conseguiram expandir o sucesso do disco anterior e a banda deu uma pausa. Um renascimento nos anos 80, resultou em alguns álbuns subseqüentes, mas não conseguiu igualar toda a produção dos anos anteriores. Mas, como parece ser o padrão, a formação original se reuniu para um evento em 1990 que reacendeu o interesse que se converteu em uma nova  turnê. 

O Caravan ainda se encontra na ativa e chegou a lançar uma coletânea em 2014 intitulada por 'The Back Catalogue Songs'.

O registro a seguir é um bootleg oficial lançado em 2002 de qualidade bastante razoável no que se refere ao áudio como um todo. 

Consiste em material registrado pela BBC entre Dezembro de 1968 e Abril de 1972, abrangendo os três primeiros álbuns de estúdio do Caravan.

Minha insistência em publica-lo se deve pelo fato de conter gravações da primeira e brilhante fase da banda, sendo seu disco homônimo de 1968 o melhor deles na minha opinião.

Outra razão é a inclusão de duas releituras da faixa Feelin' Reelin' Squealin' do Soft Machine, lançado em 1967 em forma de single (Love Makes Sweet Music), onde o monstro Kevin Ayers liderava os vocais na época.

Repito que esse registro não possui boa qualidade de áudio sendo dedicado exclusivamente aos colecionadores e intusiastas desse tipo de gravação.


TRACKS:

1. Green Bottles For Marjorie*
2. Place Of My Own*
3. Feelin' Reelin' Squealin'*
4. Ride*
5. Nine Feet Underground**
6. In The Land Of The Grey and Pink**
7. Feelin' Reelin' Squealin'**
8. The Love In Your Eye***

* Top Gear Sessions - 31 de Dezembro de 1968
** Radio One in Concert - 16 de Maio de 1971
*** John Peel Session - 11 de Abril de 1972

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quarta-feira, 22 de abril de 2020

[PRV RECOMENDA] LIVE INSTAGRAM - RALFE RODRIGUES (PERFORMANCE MUSICAL) - 24/04 - SEXTA 19:00hrs


Em tempos de Covid-19, resta a grande maioria da população ficar em casa e se privar de shows e outros eventos em grandes aglomerações. Por esse motivo, muitos nomes de grande destaque mundial ou não, aderiram as lives nas redes sociais como forma de divulgação de seus trabalhos e também para trazer um pouco de distração a quem está dentro de casa devido a quarentena.

Na próxima sexta-feira, 24/04/, ás 19:00hrs, o violonista mineiro, Ralfe Rodrigues fará uma live via Instagram apresentando suas composições autorais.

A live pode ser conferida através do link: https://www.instagram.com/rodriguesralfe/  @rodriguesralfe

Confira a seguir um texto retirado do release oficial de Ralfe Rodrigues com mais detalhes sobre sua trajetória na música mineira e alguns vídeos com belas perfomances do músico.

"Ralfe inicia sua carreira musical ainda na infância ao adotar o violão como
seu instrumento e filosofia de vida. Passou por várias fases musicais, do rock ao
progressivo, sempre com interesse em se envolver mais com a música barroca.
O refinamento de suas canções o incentivou a aprofundar na composição,
encantando plateias por onde passa com sua música.

Tendo em grandes mestres como Sebastian Bach e Johann Pachelbel, sua maior
fonde de inspiração, Ralfe Rodrigues participa de dois projetos musicais: a
Banda Opus IV e sua carreira solo.
Na Opus IV, ele e seus companheiros mesclam o clássico dosado pela
roupagem do rock. Já na carreira Solo, Ralfe se apresenta ao violão em
espetáculo erudito, onde interpreta suas composições em conjunto com
músicos convidados.

Seu primeiro CD, Século XVII, lançado em 2006, possui composições que
podem ser consideradas verdadeiras obras primas da atualidade no resgate da
tradição da música barroca mineira. Foi também um dos vencedores do prêmio
“Estímulo BDMG produção Artística Finalização de CD” e é, um dos vencedores
do “Vozes do Morro 2012” (Prêmio do SERVAS – Governo do Estado de Minas
Gerais), tendo sua música e um clipe divulgado por todo o estado de Minas
Gerais".




domingo, 19 de abril de 2020

JETHRO TULL - We Used to Know - 1970


Sem dúvida, o Jethro Tull é uma das bandas de progressivo a qual possui o início de carreira dos mais brilhantes. Trajando roupas desleixadas e vagabundas, parecendo mais um anacronismo de um conto de Charles Dickens, Anderson transmitiu uma antiga aura durante os anos de formação da banda no final dos anos 60 e início dos anos 70, que persistiria em diversas outras formações por décadas a fio emanando sempre muita qualidade e extrema criatividade em suas composições.

O registro a seguir, conta com faixas dos dois primeiros e essenciais discos do Tull lançados entre os anos de 1968 e 1969, This Was e Stand Up respectivamente.


Gravado dias após o lançamento de Benefit, a banda já havia se apresentado em território americano anteriormente e dessa vez se apresentou no Fillmore West na cidade São Francisco em 01 de Maio de 1970.

Aqui também encontramos interessantes versões de 'To Cry You a Song, 'With You There to Help Me' e 'Sossity', até então inéditas para os espectadores americanos, já que o Benefit foi distribuído na América alguns meses depois de seu lançamento original.

A qualidade do Bootleg varia de média para razoável e é dedicada aos fãs mais assíduos da banda e aos colecionadores de registros raros como esse.

TRACKS:

01. Nothing is Easy
02. My God (Flute Solo)
03. To Cry You A Song
04. With You There to Help me/By Kind Permision Of
05. Sossity, You´re a Woman/Reasons For Waiting
06. Dharma For One
07. We Used To Know
08. Guitar Solo/For A Thousand Mothers

MEGA

quarta-feira, 15 de abril de 2020

[PRV RECOMENDA] LIVE FACEBOOK - FREDERICO TAFURI - 16/04/2020 - 20:30


Em tempos de Covid-19, resta a grande maioria da população ficar em casa e se privar de shows e outros eventos em grandes aglomerações. Por esse motivo, muitos nomes de grande destaque mundial ou não, aderiram as lives nas redes sociais como forma de divulgação de seus trabalhos e também para trazer um pouco de distração a quem está dentro de casa devido a quarentena.

Como este espaço é dedicado ao Rock Progressivo, não poderia deixar de divulgar uma live que ocorrerá amanhã, 16/04 ás 20:30hrs, que será comandada pelo músico, compositor e produtor mineiro de Barbacena, Frederico Tafuri que irá executar releituras de bandas como Pink Floyd, Beatles, Supertramp dentre outras. Tafuri será acompanhado pelo saxofonista Matheus Duque em uma performance que promete agradar aos fãs mais exigentes do progressivo. 

A live poderá ser acompanhada no perfil do músico ás 20:30hrs de amanhã,16/04.
https://www.facebook.com/FredTafuri


IMPERDÍVEL!!! 


 Deixo abaixo alguns vídeos feitos pelo Fred apenas como uma amostra do que será a live de amanhã. Confira:



segunda-feira, 13 de abril de 2020

RUSH - Time Machine Tour - 2010


(PUBLICADO ORIGINALMENTE NO PROGROCKVINTAGE EM ABRIL DE 2011)
Excelente bootleg que fez parte da turnê Time Machine, a mesma que passou pelo Brasil em 2010 e que tive a grande honra de estar presente. Assistir a um show do Rush é um presente divino e uma experiência única. Energia contagiante e grandes clássicos que fizeram o Morumbi ruir naquele 8 de Outubro!


Creio que esta tenha sido a turnê mais esperada pelos fãs da banda, pois pela primeira vez na história eles executaram na íntegra o clássico e excelente álbum Moving Pictures durante o segundo set do show, comemorando assim os 30 anos de sue lançamento

O primeiro set ficou por conta da abertura com "Spirit of Radio" muito bem encaixada com "Time Stand Still", além de outros clássicos como "Marathon", "Subdivisions", "Limelight",e muitas outras. A que mais se destacou na minha opinião foi a faixa "Presto", primeira vez inclusa em uma tour do Rush desde o lançamento do disco que leva o seu nome em 1989. 

Time Machine Tour teve início cidade de New Mexico, passou por algumas cidades do Canadá e   Estados Unidos antes da passagem pelo Brasil.
Este bootleg que vos apresento foi o terceiro show da turnê gravado em 3 de Julho de 2010 na cidade de Milwaukee e conta com faixas divididas em 2 sets. 

São por volta de 3 horas de show, 3 horas de puro delírio, energia contagiante e da certeza de que o dinheiro pago pelo "salgado" ingresso, valeu muito a pena!




TRACKS:

DISCO 1:

01. The Spirit of Radio
02. Time Stand Still
03. Presto
04. Stick It Out
05. Workin' Them Angels
06. Leave That Thing Alone
07. Faithless
08. Brought Up To Believe
09. Freewill
10. Marathon
11. Subdivisions
12. Tom Sawyer
13. Red Barchetta
14. YYZ

DISCO 2:

01. Limelight
02. The Camera Eye
03. Witch Hunt
04. Vital Signs
05. Caravan
06. Love For Sale
07. Closer To The Heart
08. 2112 (Overture / Temples of Syrinx)
09. Far Cry
10. Encore Break
11. La Villa Strangiato
12. Working Man


YANDEX

segunda-feira, 6 de abril de 2020

CAMEL - Chile - 2001

(Publicado originalmente no Progrockvintage em Agosto de 2009)

Durante a tour do Rajaz em 2001, o Camel se apresentou em diversas cidades da América do Sul incluindo Belo Horizonte, apresentação a qual eu tive o privilégio de estar presente e posso dizer que foi a realização de um sonho.

 Destaco músicas como Echoes, Ice e Lady Fantasy que, com certeza, foram os momentos mais marcantes dessa apresentação. Sem esquecer da formidável dobradinha de Rhayader/Rhayader Goes To Town. Via-se nitidamente que naquele momento que a banda se encontrava em total entrosamento, Latimer super inspirado, dedilhando sua guitarra como nos tempos áureos do Camel mas com a voz desgastada com o longos anos de estrada. 

Esse bootleg que vos apresento é praticamente a mesma apresentação que presenciei aqui em BH mas foi gravado e transmitido por uma rádio chilena em 1° de Abril de 2001 na cidade de Santiago. 

A qualidade está impecável e com certeza, se trata de uma excelente lembrança para quem compareceu as apresentações do Camel no Brasil. 


TRACKS:

1. Three Wishes
2. Echoes
3. Rhayader/ Rhayader Goes To Town
4. Ice
5. Chord Change
6. Watching The Bobbins
7. Fingertips
8. Rajaz
9. Sahara
10. Mother Road
11. Little Rivers/ Hopelles Anger
12. Lady Fantasy



YANDEX

segunda-feira, 30 de março de 2020

DROSSELBART - Drosselbart - 1970

(Publicado originalmente no Progrockvintage em Setembro de 2013)

Esse talvez deva ser o disco mais injustiçado de toda a Alemanha, seus músicos eram totalmente desconhecidos e a proposta criada pela banda não agradou á maioria dos ouvintes. Penso diferente a respeito, pois achei um disco bastante cativante com harmonias variadas que passam pelo experimentalismo do Krautrock mesclados ao Heavy Prog e a um leve toque de Folk.

 Os belos e imponentes vocais são executados na língua nativa pelo guitarrista Peter Randt acompanhado da bela voz de Jemima, que dá um toque feminino fundamental e com nítida influência a música erudita. A  segunda faixa leva seu nome e certamente é um dos destaques de todo o disco. Nota-se também algumas tímidas passagens de órgão de igreja que dão um toque religioso em certas faixas, lembrando alguns cânticos da  religião Católica dos séculos passados.

A banda era composta por duas fortes guitarras que se entrelaçavam a um agressivo Hammond, gerando um certo caos quando se encontravam às vozes do duo de vocalistas. Trata-se de um disco bem obscuro, típico do cenário alemão do começo dos anos 70 e, mais uma vez de difícil digestão em um primeiro momento.

Certamente não está entre os melhores , mas algumas canções revelam impressionantes sentimentos envolventes dentro de uma estética musical bastante agradável.


Seu único registro oficial foi lançado originalmente em 1970 pela Polydor e relançado em CD pelo selo alemão Long Hair em 2004. 
Existem ainda dois raros registros lançados em forma de EP entre os anos de 70 e 71 também pela Polydor. Os EPs são compostos por duas faixas em cada e não se tem ideia se ainda encontram-se disponíveis em catálogo.



TRACKS:

1. Inferno - Drosselbart
2. Jemima
3. Liebe ist nur ein Wort
4. Du bist der eine Weg
5. Engel des Todes
6. Böse Buben
7. Vater unser
8. Folg mir
9. Montag
10. Nach einer langen Nacht
11. Der Sommer (Inclusive Der Sturm)
Bonus tracks:
12. An einem Tag im August
13. O'Driscoll




YANDEX

domingo, 15 de março de 2020

[RESENHA] MARTIN BARRE - 50 ANOS DO JETHRO TULL - SESC PALLADIUM - BELO HORIZONTE

Acervo Progrockvintage
Belo Horizonte foi palco do encerramento da temporada em terras brasileiras do guitarrista Martin Barre na última terça-feira, 10/03, no moderno teatro do Sesc Palladium. Músico e banda ainda passariam por Argentina, Chile, Peru e México nos próximos dias mas pelo que tive notícia, os dois últimos países tiveram seus shows cancelados em intercorrência do tão temido Covid-19. O Brasil teve sorte em contar com a confirmação das quatro datas sem nenhuma especulação de cancelamento. 

Infelizmente não obtivemos lotação máxima, contando com algumas poltronas vazias nos três setores disponíveis, em um espaço com capacidade para mil e poucas pessoas. Apesar de pequeno, o teatro possui uma acústica de primeira (uma das melhores de BH), iluminação adequada e decente, proporcionando assim uma atmosfera bastante intimista do artista para com o público.

O show, em justa homenagem aos 50 anos de uma das maiores e melhores bandas de Rock Progressivo de todos os tempos, teve seu início por volta de 21:20hrs em um palco relativamente clean, sem muitas parafernálias típicas dos grandes espetáculos do gênero.

Martin Barre munido de uma linda PRS (Paul Reed Smith) e sua experiente banda adentram ao palco entoando os primeiros acordes de A Song for Jeffrey seguida por My Sunday Feeling (This Was'-1968) em compassos mais voltados para o blues, demonstrando ali a nítida certeza de que seria um espetáculo de extrema qualidadeVale lembrar que Barre não participou do disco em questão, entrando na banda após da saída de Mick Abrahams ainda em 1968. 

Acervo Progrockvintage

Como era de se esperar, a primeira parte seguiu em ordem cronológica com a execução da fase mais progressiva/folk do Jethro, com os discos lançados basicamente entre os anos de 1968 e 1978. Com exceção aos registros 'A Passion Play' (1973),  'Minstrel In The Gallery' (1975) -tinha esperanças de que a faixa título seria executada assim como fora em outros países mas infelizmente ficou de fora no Brasil- e o bom 'Too Old to Rock n´Roll...' (1976).

Duas relevantes faixas do 'Stand Up' (1969), Back to the Family e For a Thousand Mothers (ponto alto do show) mostraram claramente que a flauta de Anderson não faria tanta falta assim mas seu característico vocal, mesmo com a idade avançada, esse sim fez falta em alguns momentos importantes. 
Seguida por Nothing Is Easy, Martin Barre mostrou a que veio, com belos e engenhosos solos de guitarra, acompanhado por músicos de peso e extremo entrosamento.

Dando um fôlego aos presentes, Barre apresentou a banda que incluía o desconhecido e relativamente jovem baterista Darby Todd que, muito surpreendeu pela forma de conduzir a banda com uma técnica bastante ousada, contribuindo para que certas faixas soassem ainda mais pesadas do que as originais. O veterano baixista Alan Thomson, complementou a cozinha em suntuosos e potentes arranjos de baixo que chegavam a ecoar nas paredes do teatro. 

Outro jovem músico, acompanhava Barre no violão e na guitarra base. Também munido por uma PRS, possui um talento inegável como instrumentista, belos arranjos e com uma excelente pegada.  São notórias certas semelhanças ás timbragens de voz de Ian Anderson e a alguns de seus trejeitos porém, a meu ver, o vocal pecou em alguns segmentos.

Como em toda boa banda de progressivo, os tecladistas merecem destaque e, nesse show em particular, tivemos a grata presença de Adam Wakeman (filho do Mago) que já há alguns bons anos vem tocando com grandes nomes da música tais como Black Sabbath, Ozzy, Annie Lenox e em alguns projetos de seu próprio pai.
Adam que possui um talento particular, assumiu com maestria os teclados principais e demonstrou uma técnica absurda na execução dos Hammonds e pianos, muito bem simulados em um Nord Stage e Korg Kronos.

Mas quem roubou a cena foi a linda tecladista e arranjadora Dee Palmer (aka David Palmer) com presenças marcantes em alguns solos e na bela introdução de piano de War Child. Palmer foi de extrema importância na carreira do Jethro Tull desde seus primórdios. Responsável direta pelos arranjos de cordas, metais e sopro para as canções no final dos anos 60 e início dos anos 70, antes de se juntar formalmente ao grupo em 1976, assumindo de vez os teclados até sua saída em 1980.

Devo confessar que os teclados do Adam estavam um tanto baixos em relação aos outros instrumentos nessa apresentação no Palladium. Mereciam mais destaque mas não chegou a comprometer tanto. Vide o solo de Hammond em Teacher e a introdução de piano em Locomotive Breath que ganharam destaque com boas evidências sonoras, ambas executadas mais para o final da apresentação.

Acervo Progrockvintage
Voltando ao show, a banda apresenta uma das duas únicas faixas do disco 'Benefit' (1970) executadas ao longo da apresentação. Disco este que foi citado por Barre como seu favorito e naquele momento compreendi o motivo pelo qual este também figura na prateleira de cima dos meus favoritos de todos os tempos. Disco muito bem trabalhado e tido por mim como o álbum que lançou uma base sólida para o futuro da música do Jethro Tull ao longo das décadas que passariam. To Cry You a Song finalmente levantou a até então tímida platéia do teatro naquela noite em uma versão mais pesada do que a gravação original. 

Incendiando o espetáculo, duas faixas de um dos mais importante álbuns da história da música ganharam o público mais uma vez. A boa surpresa foi Hymn 43, raramente executada ao vivo pelo JT e Aqualung que pagou o ingresso de muitos dos presentes naquela noite. O meu foi pago em outras faixas, já que este não é um trabalho muito apreciado por mim...

Outro ponto alto do show foi a linda versão de War Child, faixa título do tão criticado disco de 1974. Em uma introdução crua vinda de um Roland RD2000, que simulava um belo timbre de piano, Dee Palmer trouxe um conceito diferente e ainda mais belo para a música. Sealion foi sem dúvida a execução mais pesada do show a qual contém indiscutivelmente meus riffs favoritos de Martin Barre em melodias fantásticas e um tanto sombrias em certas partes. 

Já na segunda metade do show, mais um hit levantou a platéia com uma versão bastante interessante de Cross-Eyed Mary onde a flauta de Anderson, mais uma vez, não faria falta alguma naquele momento. Uma verdadeira combinação explosiva entre o piano de Palmer e a guitarra de Barre. 

Heavy Horses emendada a Songs From The Wood foram os momentos de maior expectativa para essa que vos escreve. Duas releituras magníficas de discos que ilustram uma fase mais voltada para o folk mas que, nesse show especificamente, ganharam uma roupagem mais moderna e mais encorpada, sem tirar em nada a essencial beleza de ambas execuções.

Muitos podem discordar mas Hunting Girl pagou meu ingresso. Com seu peso característico, me lembrou muito a versão contida no ao vivo 'Bursting Out' (1978), com exceção as flautas contidas no disco em questão. Faixa esta onde ninguém é protagonista, nesse hora enxerguei o perfeito entrosamento entre seus membros, com um trabalho sólido e em conjunto onde cada instrumento se supria ao outro de forma alucinante. 

Chegando ao seu final temos The Poet and The Painter que corresponde a segunda suíte de 'Thick as a Brick' (1972), faixa esta que não me impactou muito, por assim dizer. Talvez se tivessem tocado apenas a introdução, cativaria mais o público presente. 

Outra faixa selecionada para representar o álbum 'Benefit' foi Teacher, a qual já citei por aqui. Especificamente, foi uma das melhores onde os teclados apareceram com mais destaque. Nesse momento, o tímido Adam Wakeman destilou com muita competência toda sua técnica no instrumento. Por ser filho de quem é, não tem erro. Foi um nome muito bem escolhido por Barre para substituir o respeitado e muito técnico tecladista, John Evan. 

A New Day Yesterday já sinalizava uma despedida, infelizmente. Música fortemente influenciada pelo blues, marcando também a introdução da distinta PRS errante de Martin Barre, funcionando muito bem com o baixo agressivo de Thomson. Este não é um arranjo excessivamente complexo, mas olhando para trás, ele dá dicas sobre o som que tornaria a banda tão conhecida nos anos 70.

A única faixa que representou os anos 80, executada nessa apresentação foi Jump Start do álbum 'Crest of a Knave' de 1987. Disco este pouco aclamado pelos fãs da banda que obteve pouca aceitação da crítica voltada para o Rock Progressivo, considerando-o como um trabalho muito aquém da carreira sólida que tivera o Jethro Tull nos idos dos anos 70. A meu ver, foi uma faixa desnecessária contida no setlist, cabia ali outras faixas que poderiam muito bem substituir esta em questão. Apenas minha modesta opinião. Nada mais.

Como acontece na maioria dos encerramentos dos shows do JT, Locomotive Breath fechou com chave de ouro a passagem de Barre e banda pelo Brasil. Fiquei apenas para a belíssima introdução de piano de Adam Wakeman que levantou os presentes de suas poltronas para acompanhar de perto o que viria pela frente. Já se passavam de onze da noite e resolvi deixar o teatro para evitar a aglomeração de pessoas ao fim do show. 

Em suma, tivemos o privilégio de assistir a uma apresentação memorável de um dos melhores e mais técnicos guitarristas do Rock Progressivo, acompanhado por uma banda de peso e deveras competente. Quem não foi, perdeu um espetáculo recheado de grandes hits do Jethro e alguns "lados B" aos quais nunca imaginei que pudesse ver ao vivo em pleno 2020. Ficamos na expectativa da volta de Barre ao Brasil com outro show que possua o mesmo nível de técnica e carisma.

Deixo abaixo, a dobradinha de Heavy Horses e Songs From The Wood, seguida pela faixa Hunting Girl que, na minha humilde opinião, foi a melhor do show. Ambos os vídeos foram filmados pelo amigo Lucas Scarascia do canal Musical Box Records, parceiro de longa data do Progrockvintage.