sábado, 21 de abril de 2018

SÜNDENFALL II - Sündenfall II - 1972


Grupo alemão de curta carreira, formado no distrito de Kevelaer, próximo a Düsseldorf, que lançou apenas um belo álbum em 72. 

A primeira formação do Sündenfall se dedicava exclusivamente ao Jazz e após uma apresentação do Jethro Tull na Alemanha, o pianista e flautista, Christoph Maubach se encantou com a performance de Anderson e decidiu optar por uma transição, trazendo também elementos de Folk e instrumentos acústicos a suas composições. 

Formou-se então o Sündenfall II, que nada mais é que uma é uma compilação variada de folk progressivo, com fragmentos de rock psicodélico, instrumentais de jazz, incluindo passagens de sax, trompete, gaita, muita flauta e com marcante presença de um lindo piano. Não encontramos aqui guitarras elétricas e variadas experimentações como era comum em terras alemãs mas sim uma sonoridade acústica de alto nível. A percussão é tímida a meu ver mas, com agradáveis variações rítmicas. A banda era composta por seis membros, entre eles Kerstin Fleischhammer a única mulher, que dava sua contribuição em algumas faixas com um lindo e forte vocal, sempre cantado em inglês. 

Gravaram então nove músicas diferentes, além de três pequenas peças solo (Prae) tocadas em piano, flauta e violão. Para as gravações, a banda preferiu usar instrumentos acústicos, enquanto em seus shows eles frequentemente apresentavam longas improvisações tocadas em instrumentos elétricos e com pouco vocal.

Uma nota interessante é que o disco foi gravado na então nova sede do canal ZDF, uma das maiores emissoras de televisão pública da Europa. A banda foi convidada para testar os equipamentos recém-instalados no estúdio de som e imagem, denominado por Trefiton. Já no final de 1972, o disco foi devidamente lançado com prensagem limitada de cópias que eram distribuídas em alguns shows e vendidas em algumas poucas lojas de Kevelaer. 

Como sempre, o selo Garden of Delights teve acesso a uma dessas cópias que, hoje chega a valer até uma milha de Euros e relançou em CD em 2010. No ano seguinte, lançou uma tiragem limitada a mil cópias em vinil que ainda se encontra disponível com preços relativamente mais acessíveis.

Trata-se de um disco leve, com faixas de curta duração que gradualmente envolvem o ouvinte a uma atmosfera encantadora em variados segmentos. Um belo registro a quem aprecia a vertente Folk do gênero progressivo. 



TRACKS:

1. Warning 
2. Suddenly Sun 
3. Prae 
4. Montpellier  
5. Dusty Road 
6. Duftes Ding 
7. How To Get On 
8. Prae 
9. She Lives In A Gang 
10. Bloody Birds 
11. Prae 
12. Soldier Of The North 




domingo, 15 de abril de 2018

GOTIC - Escenes - 1978


Da região Catalunha, surgiu já no fim dos anos 70 uma bela banda progressiva que de 'gótica', não tem absolutamente nada!

Existiram alguns boatos de que o Gotic havia gravado um segundo álbum ao qual estava em poder de seus detentores e que nunca fora lançado. Finalmente, por mais de três décadas, desengavetaram esse material e lançaram em CD com o nome de 'Gegants I Serpentines', que também é um excelente registro.

Hoje, irei abordar o primeiro trabalho gravado em 78 que se tornou essencial a qualquer adepto do progressivo sinfônico. Mesmo lançado em uma época onde o gênero já meio que agonizava, a banda teve todo o cuidado em criar melodias em complexas e diversificadas instrumentações, mantendo assim uma requintada essência a qual nos remete aos anos dourados do movimento europeu. 

Trata-se de um disco inteiramente instrumental, com variadas atmosferas, passando por fragmentos de Folk, combinado a uma pegada mais jazzy onde flautas, Hammond e um vistoso Fender Rhodes  desempenham a base de sua execução. 
A junção baixo-bateria não chega ser tão virtuosa mas de nítida criatividade.

A guitarra possui segmentos mais simplificados e de tímida aparição porém, de extrema beleza e essencial importância. Os curtos solos são bem melódicos e intricados, remetendo claramente, em certas passagens, a técnica usada por Andy Latimer especificamente no álbum 'Snow Goose' de 75.

As lindas camadas de teclados nas passagens lentas, são alternadas com as texturas e melodias  exibidas nos fortes solos de Moog, que vêm como uma grata surpresa em certos trechos, fazendo com que o disco ganhe um certo peso e ainda mais qualidade. 

Muitos dizem que essas camadas de teclados saem especificamente de um Mellotron. Discordo, pois os timbres de violino e alguns tipos de chorus não condizem com a originalidade extraída de um instrumento como esse. Desconfio que esses tipos de timbres tenham saído de instrumentos basicamente similares ao Mellotron, porém, de menor porte, tais como Arp Solina, Elka Rhapsody ou Crumar Orchestrator ou equivalentes. 
(Posso estar totalmente enganada e peço por favor que me corrijam se for o caso)

"Escenes" nada mais é que um excelente álbum vindo de uma terra onde infelizmente, o progressivo não era tão notório. Creio que se tivesse sido lançado por um grupo britânico ou italiano nessa mesma época, não há dúvida de que estaríamos agora reverenciando-os como um dos pilares do gênero. 

Mais uma vez, enfatizo que este é um disco essencial para aqueles que realmente levam o Rock Progressivo a sério.


TRACKS:

1. Escenes de La Terra en Festa I de La Mar en Calma
2. Imprompt I 
3. Jocs d'Ocells 
4. La Revolucio 
5. Danca d'Estiu
6. I Tu Que Ho Veies Tot Tan Facil 
7. Historia d'una Gota d'Aigua 


YANDEX


domingo, 8 de abril de 2018

VITRAL - Entre as Estrelas - 2017



Sempre que possível, saliento a importância vinda do Rio de Janeiro em manter o progressivo nos dias atuais em alto nível, principalmente nos últimos dez anos, onde vimos o ressurgimento de antigos projetos e a ascendência de novas bandas de primoroso talento.

Graças a exemplar união dos cariocas, o progressivo nacional tem ganhado grande destaque fora do país por trabalhos autorais dignos de vasta apreciação em países da Europa, Ásia e Américas do Sul e do Norte.

Bandas como o próprio Vitral, Arcpélago, Quaterna Réquiem, Tempus Fugit, Caravela Escarlate (a qual devo uma resenha de seu primeiro e belo álbum), Únitri, Anxtron, dentre muitas outras, foram extremamente importantes para o crescimento do movimento progressivo atual, mantendo sempre o nível de qualidade e cuidado de suas composições em produções de primeiro mundo.

Acervo pessoal de Eduardo Aguillar

Certamente, este é o maior desafio delegado ao Progrockvintage em escrever sobre uma banda a qual tenho grande carinho e extrema admiração, podendo acompanhar, mesmo que de longe, os primeiros rabiscos de um retorno promissor que deu origem a seu primeiro álbum, finalizado e gravado entre 2016 e 17.

A banda Vitral foi originalmente formada no início dos anos 80 pelos irmãos Cláudio Dantas e Elisa Wiermann, Luiz Bahia, Alex Benigno e Eduardo Aguillar. Em pouco mais de dois anos desde sua criação, a banda se desfez fazendo com que os músicos tomassem rumos diferentes em suas carreiras.

Cláudio e Elisa por exemplo, formaram o brilhante Quaterna Réquiem que até hoje vem nos presenteando com belíssimos discos ao longo de seus mais de 30 anos de estrada.
 Aguillar, multi-instrumentista, gravou e engavetou dois belos projetos solo durante anos, lançando-os apenas há alguns anos atrás. 

Acervo Carlos Vaz Ferreira
Nessa onda de fazer uma limpa em seus arquivos pessoais, Eduardo se deparou com algumas gravações caseiras da época em fitas cassete e VHS, além de antigas partituras que foram as principais responsáveis pela retomada do projeto em questão.

Mostrou esse material a Cláudio Dantas que imediatamente abraçou a ideia de resgatar o que ficou perdido com o passar de todos aqueles anos. A reação inicial era em dividir e mostrar todo esse achado aos músicos da antiga formação porém, cada um tem seus afazeres e projetos pessoais, não estando disponíveis para encarar um desafio desse porte naquele momento.

Dantas sugeriu então, convidar experientes músicos já envolvidos com o Rock Progressivo carioca e trouxe nomes de peso, com a finalidade em fazer com o que o Vitral não perdesse sua nuance, trazendo também uma roupagem mais contemporânea a banda.


Acervo Carlos Vaz Ferreira
A antiga formação não contava com a execução de flautas em seus arranjos, foi aí que entrou um dos maiores nomes de todos os tempos nesse quesito, dando um toque a mais de qualidade para o Vitral. Marcus Moura possui uma bagagem musical de longa data. Foi um dos fundadores do Bacamarte, banda altamente aclamada pelos admiradores do progressivo nos quatro cantos do mundo. O disco Depois do Fim, lançado originalmente em 1983, é um dos mais raros e conceituados álbuns do gênero, chegando ao mesmo patamar de alguns medalhões de enorme sucesso do progressivo mundial. 

Acervo Carlos Vaz Ferreira
A guitarra fica a cargo do virtuoso e bastante técnico, Luiz Zamith que, antes de aderir ao projeto proposto, já possuía dois brilhantes trabalhos paralelos que vem ganhando destaque nos festivais produzidos no Rio. O primeiro deles é o interessante, Ícones do Progressivo, que faz belas releituras em formato instrumental das principais bandas vindas da Europa nos anos 70, tais como Yes, Focus, ELP, Jethro Tull e Genesis. Esta última é a de maior inspiração para suas composições, já que muitos de seus arranjos possuem nítidas influências a técnica praticada por Steve Hackett, durante sua permanência no Genesis e em discos solo que se tornaram emblemáticos. 
Tive a honra de assistir ao outro projeto intitulado por Luiz Zamith e banda no ano passado e fiquei surpresa com a qualidade e entrosamento dos músicos ao executar faixas autorais em composições de alto nível, extrema complexidade de arranjos e muito, muito peso.

Acervo Carlos Vaz Ferreira
Eduardo Aguillar aderiu ao grande desafio em assumir o baixo e os teclados durante toda a gravação do disco. Os teclados apesar de bastante modernos, as vezes, soam como os os bons e velhos sintetizadores usados na fase áurea do progressivo. Timbres de Arp, Harpsichord, Hammond e um tímido Mellotron podem ser claramente notados e muito bem selecionados em diferentes segmentos.

Após a conclusão da gravação, Vítor Trope assume o baixo e passa a acompanhar a banda pelas apresentações realizadas em shows e festivais pelo Rio. Também multi-instrumentista, é professor e integra a Orquestra Rio Camerata. Músico experiente e bastante preparado para encarar o desafio proposto. 

Acervo Carlos Vaz Ferreira
Cláudio Dantas dispensa maiores comentários por toda sua trajetória de mais três décadas no Quaterna Requiem, uma das mais importantes bandas do gênero e que ainda está na ativa apesar de aparecer pouco. Dantas também é um renomado pintor e artista plástico sendo o principal responsável pela arte do disco em questão. 



'Entre as Estrelas' é um trabalho composto por três faixas totalmente instrumentais, com variações complexas  que nos remetem a década de setenta mas que, ao mesmo tempo, possui uma instrumentação moderna e muito bem trabalhada para os dias atuais onde houve uma nítida modernização de variadas aparelhagens com o passar dos anos.

"Pétala de Sangue" é a responsável por abrir o disco com fragmentos baseados nos teclados que se intercalam  a solenes solos de guitarra e belas passagens de flauta. Uma atmosfera mais medieval se intercala meio que timidamente a uma textura mais vanguardista, principalmente quando as flautas ganham certo destaque.

A faixa título com seus mais de 50 minutos de duração é alma do disco e o principal resultado de que tudo deu muito certo. Creio que esta música representa a dedicação extrema de cada um de seus músicos em destilar o que há de melhor em técnica, destreza e visível entrosamento na execução de cada uma de suas treze suites.
Muito bem trabalhada, de extremo bom gosto, diversificando a cada instante os variados segmentos instrumentais. As interações nos remetem a influências a bandas dos próprios músicos. Alguns arranjos de teclados e principalmente suas timbragens lembram demais ao estilo inconfundível criado por Elisa Wiermann no Quaterna. As flautas de extremos bom gosto, remetem sem pestanejar ao modo como Marcus Moura as executava no Bacamarte e em projetos solo. A guitarra muitas vezes melódica de Zamith, destoa a claras influências vindas do Camel e Genesis. A sequência baixo-bateria é extremamente sólida, servindo como base indispensável para os outros instrumentos.
Vale lembrar que essa longa composição foi trabalhada e ajustada nas apresentações ao vivo do Vitral até chegar no resultado final contido no disco.

O álbum se encerra com a faixa que dá nome a banda e certamente é minha favorita por algumas lindas variações entre os teclados e flauta. Aguillar usa uma espécie de Harpsichord na introdução, acompanhado por uma flauta mais ao estilo barroco a qual creio ser de madeira, em uma linda sequência de melodias mais leves. A seguir vem um inconfundível solo de Arp que quebra a sequência mais serena, dividindo a peça novamente com uma flauta mais encorpada, seguida por fortes solos de guitarra.



Não poderia concluir essa singela publicação sem antes citar um grupo de pessoas que foram de essencial importância para o sucesso do álbum 'Entre as Estrelas'. Pessoas estas que trabalham arduamente fora dos palcos para o constante crescimento do movimento progressivo carioca.

São eles:

- Vértice Cultural sob a administração de Cláudio Paula e demais parceiros que viabiliza inúmeros shows de bandas locais e internacionais nas cidades do Rio e Niterói. Uma de suas últimas proezas foi trazer os italianos do Locanda Delle Fate para duas inesquecíveis apresentações no fim do ano passado. 

- Masque Records que ficou a cargo da produção executiva do primeiro disco gravado pelo Vitral, sob o comando do amigo Gustavo de Azevedo Paiva que caprichou na produção. Além dele, contamos com sua esposa, a talentosa fotógrafa Maria Ruch, que foi a responsável direta pelas fotos dos músicos no encarte do disco. A Masque produz e comercializa diversos trabalhos envolvendo bandas nacionais e internacionais.

- Laboratório Pedra Branca de propriedade do músico Eduardo Aguillar, um moderno estúdio situado em Campo Grande onde o disco renasceu e foi devidamente gravado. Nesse estúdio Eduardo já  gravou seus projetos pessoais além de produzir nesse mesmo local, diversos outros nomes que envolvem não somente o progressivo como outros estilos musicais. 

- Carlos Vaz Ferreira não consta nos créditos do álbum mas não poderia nunca deixar de ser lembrado por aqui. Vaz é um exímio fotógrafo que acompanha e registra em suas lentes as diversas bandas cariocas em suas apresentações. Possui também um programa semanal muito conceituado na rádio web Be Prog onde dá oportunidade aos entusiastas do progressivo em conhecer novos e antigos nomes do Brasil e de diversas partes do mundo. 

Tenho plena convicção de que o Vitral veio para elucidar ainda mais o crescimento constante que o progressivo nacional vem tendo ao longo da última década. Juntamente com os novos e antigos nomes que muito contribuem para que esse movimento se torne cada vez mais forte e faça com que os admiradores dos medalhões setentistas também valorizem e apoiem as bandas locais.


TRACKS:

1. Pétala de Sangue
2. Entre as Estrelas 
3. Vitral 

O disco pode ser apreciado na íntegra pelo Progstreaming.

Para aquisição do álbum, o contato deve ser feito através do site da Masque Records ou na página oficial da banda pelo Facebook



domingo, 1 de abril de 2018

DULL KNIFE - Electric Indian - 1971


Mais uma banda alemã esquecida pelo tempo que lançou apenas um álbum e desapareceu deixando um petardo intitulado por 'Electric Indian'.

Com um som de bastante peso, o Dull Knife varia entre o hard prog com boas pitadas de blues onde, robustos solos de guitarra e um poderoso Hammond tomam conta de boa parte do disco. Vocais em inglês com nítida opulência e distorção de vozes, muito provavelmente causada por um Vocoder, uma espécie de sintetizador de vozes humanas muito usado nos anos 70 e 80. As letras são baseadas no evangelho, frequentemente marcadas por riffs agressivos, vocais intensos, levando a crer tratar-se de um disco gospel porém, com toda a veia e pegada experimental do Krautrock. 

Gravado em 1971, o disco foi produzido por Dieter Dierks, principal responsável pelo meteórico sucesso comercial do Scorpions na década de setenta. O vocalista e também tecladista, Gottfried Janko se juntou ao Jane para a gravação do disco Lady em 1975, deixando a banda após seu lançamento. 

A Phllips, forte detentora de gravações progressivas da época, foi responsável pelas prensagens originais do único registro lançado valendo, nos dias atuais, algumas boas centenas de dólares.
Já nos anos 90, o selo alemão Second Battle, remasterizou e relançou o disco em questão.

Recomendado aos entusiastas do bom e velho Krautrock!


TRACKS:

1. Plastic People 
2. Go Down To The River 
3. Lonely Is The Man Kind
4. Walk Along The Muddy Road 
5. Tumberlin Down 
6. Song Of A Slave
7. Feeling Like A Queen
8. Day Of Wrath 


YANDEX

sábado, 31 de março de 2018

DIABOLUS - High Tones - 1972


A maioria das publicações feitas por aqui são de bandas de variados países, não muito comerciais, perdidas e esquecidas pelo tempo, que lançam um único trabalho de extrema qualidade e não dão seguimento a seus projetos. Mesmo assim são bandas que muito contribuíram a fim de elevar ainda mais a qualidade do movimento progressivo que surgia a passos largos no início da década de setenta. 

Um belo exemplo disso é banda inglesa Diabolus, que sequer chegou a lançar oficialmente o disco High Tones por questões desconhecidas, mesmo sendo produzidos por pessoas ligadas ao The Who. 

O selo alemão Bellaphon teve acesso as gravações originais e comercializou sem qualquer autorização vinda de seus detentores. Somente nos anos 90, os membros originais descobriram a manobra ilegal da gravadora e através de um processo judicial, recuperaram os direitos de propriedade da obra em questão. Posteriormente, lançaram o disco oficialmente pelo selo Sunrise.

O som varia entre um fusion descontraído, submerso a uma cozinha baixo-bateria de extrema destreza em linhas de improviso altamente envolventes. Instrumentos como sax e muita flauta são os pontos altos de todo o disco, entrelaçados a complexos solos de guitarra. Teclados e piano aparecem meio que discretamente porém, tem o seu valor e destaque ao longo das faixas.

Algumas passagens remetem a fase áurea do Crimson, talvez pelas intrincadas passagens de sax alternada a uma atmosfera mais folk que, a meu ver, assemelha-se em certos fragmentos, ao modo de condução instrumental vinda do Jethro Tull.  

Trata-se de um disco de audição fácil para quem admira uma sonoridade mais jazzy, com menos peso e mais percepção instrumental. 

Altamente recomendado!


TRACKS:

1. Lonely Days 
2. Night Clouded Moon 
3. 1002 Nights 
4. 3 Pieces Suite 
5. Lady Of The Moon 
6. Laura Sleeping 
7. Spontenuity 
8. Raven's Call 


YANDEX

segunda-feira, 19 de março de 2018

[DIVULGAÇÃO] VITRAL - CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL - RIO - 03 de ABRIL


A resenha do CD lançado no ano passado está no forno e praticamente pronta para ser publicada, faltando apenas alguns detalhes. 

Enquanto isso, convidamos a todos para a apresentação oficial de lançamento do novo álbum 'Entre as Estrelas', muito aclamado pela crítica especializada em diversas partes do mundo. 

O repertório contará com a execução na íntegra do disco em questão, além de projetos anteriores de cada membro. Vale sempre ressaltar que o Vitral é composto por músicos já bastante conhecidos no meio progressivo seja em projetos solo ou em renomadas bandas como Quaterna Réquiem e Bacamarte. São eles:

- Cláudio Dantas (bateria e percussão)
- Eduardo Aguillar (teclados)
- Luiz Zamith (guitarra)
- Marcus Moura (flautas)
- Vitor Trope (baixo)

Foto: Divulgação Oficial

A apresentação está marcada para o dia 03 de Abril, terça-feira, ás 19hrs no Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco 241, Centro - Rio de Janeiro).

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro no dia do show ou através do telefone (21) 3261-2550.

Mais informações na página oficial do evento.

O CD estará disponível para venda no estande da Masque Records no interior do teatro ou quem quiser se adiantar é só enviar um email para: masquerecords@gmail.com




domingo, 4 de março de 2018

[DIVULGAÇÃO] PINK FLOYD REUNION - COMEMORA 15 ANOS COM LANÇAMENTO DO DVD/BLUE-RAY “THE WALL – O FILME” - BELO HORIZONTE - 9 e 10 DE MARÇO


Foto: Carlos Reinesch (Produção Oficial)


Após o grandioso sucesso de três apresentações esgotadas em 2017 no Cine Theatro Brasil Vallourec, a banda Pink Floyd Reunion volta a este mesmo teatro para o lançamento do DVD/Blue-Ray do espetáculo "The Wall - O Filme", além de comemorar seus 15 anos de estrada.

Sucesso absoluto de crítica nos mais variados canais de comunicação, a banda promete repetir as apresentações do ano passado em duas noites que novamente serão memoráveis aos fãs da maior banda de todos os tempos. 

O espetáculo conta com um coral e com a Fractal Orchestra, devidamente regida pelo maestro Rodrigo Garcia (Cartoon). O que mais impressiona durante o transcorrer do concerto é a sincronia perfeita entre o ao vivo com a execução do filme, além da incrível experiência áudio-visual em alta resolução. O entrosamento entre banda, orquestra e coral é absurda, chegando a emocionar em variados trechos. 


Foto: Carlos Reinesch (Produção Oficial)

Esse belo espetáculo vem novamente para agradar não somente os fãs do progressivo e da boa música em geral mas também aos entusiastas da sétima arte. Particularmente, considero o The Wall como a melhor ópera-rock já produzida e também um filme musical que marcou a década de 80 por sua grandiosa produção. 
Vale lembrar que o teatro em questão já foi um tradicional cinema localizado no centro de Belo Horizonte.

Como forma de divulgação, a banda em seu canal oficial, disponibilizou um vídeo da execução da clássica 'Confortably Numb' em uma das apresentações ocorridas em 2017. Confira:


Serviço:

Local: Cine Theatro Brasil Vallourec
Data: 9 e 10 de março de 2018
Horário: 21h
Ingressos: R$90,00 (Plateia I) e R$70,00 (Plateia II).
*Meia-entrada limitada a 40% da carga total de ingressos (Lei Federal 12.933/2013)
Vendas: Bilheteria do teatro (31 2626-1251) ou www.compreingressos.com

Mais informações na página oficial do evento no Facebook.



domingo, 25 de fevereiro de 2018

ELECTRIC MUD - Electric Mud - 1971


Electric Mud é mais uma daquelas bandas obscuras, de curta carreira vindas da Alemanha no início da década de 70. Assim como tantos outros exemplos desse tipo de trajetória, a gravação foi feita ao vivo dentro de um estúdio em Düsseldorf, com número de cópias limitada e que atualmente paga-se um alto valor pelas prensagens originais.

A banda segue uma linha menos experimental, enfatizando uma estrutura progressiva mais densa no decorrer de suas quatro faixas. Disco curto porém intenso, vocais muito bem executados em língua nativa pelo desconhecido Udo Preising, que também destila toda sua melancolia acompanhado de um baixo bastante presente.

Nessa cozinha entra o baterista Jochen Dyduch, que orienta a banda sem muitas explosões e viradas mirabolantes mas com muita técnica e nítida habilidade.

A guitarra de Manfred Simhäuser é o grande destaque em todas as faixas que compõem esse intrincado registro. Exímio músico que desapareceu no tempo, com uma base mais ácida com fortes e encorpados solos. 

Sempre fusionado aos teclados de Axel Helm que, conduz com perfeição um Hammond composto por diferentes camadas de timbres, em texturas bem elaboradas fazendo com que o ouvinte perceba em certas passagens, os efeitos de velocidade de rotação gerados por um amplificador Leslie. 
Helm também vem munido de um piano elétrico que também se faz presente em alguns trechos contudo, um pouco tímido na minha opinião.

É um pouco perigoso fazer analogias a certas bandas que lançam apenas um único registro. Muitas carregam uma veia mais experimental, voltada para complexas instrumentações e outras com estruturas mais tenras e cadenciadas. Nesse caso, o Electric Mud aproxima-se de bandas como VirusNecronomicon por uma certa familiaridade em suas execuções.

Altamente recomendado aos entusiastas do bom e velho Krautrock.


TRACKS:

1. Hausfrauenreport 
2. Die Toten Klagen Euch An 
3. Immer Das Alte Lied 
4. Nichts Zu Essen In Der Not 


YANDEX

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

KESTREL - Kestrel - 1975


Banda inglesa formada na cidade litorânea de Whitley Bay, segue uma linha um pouco diferente ao que estamos acostumados quando se refere ao prog sinfônico da primeira metade dos anos 70. Aqui encontramos uma banda mais solta, um tanto melódica e, na maioria das vezes, com uma sonoridade aveludada e um pouco voltada para o pop.

Porém, o que impressiona são as consonâncias instrumentais a cada faixa, organizadas através de guitarras elétricas suaves, boas harmonias vocais e uma variedade de magníficos teclados muito bem executados pelo até então desconhecido, John Cook que inclui em seu repertório Hammond, piano elétrico, Harpsichord e, claro, lindas passagens e suntuosos solos de Mellotron. 

Dois lados da banda podem ser identificados nesse registro. Primeiramente pelas faixas mais curtas que são a grande maioria, muitas seguem uma típica veia de Rock psicodélico do fim dos anos 60, apontando algumas tenras influências ao Procol Harum, com órgãos e guitarras em evidência, apresentando harmonias interessantes em variadas atmosferas. O vocal revelado por Tom Knowles é de boa apreciação, exagerando as vezes em alguns tons mas que aos poucos vai se tornando agradável no decorrer da audição.

Por outro lado, as duas mais longas composições do disco me ganharam por completo por todo alicerce progressivo. "In the War" e "August Carol" são certamente as faixas que demonstram certo equilíbrio entre as texturas instrumentais de maior complexidade. Hammond e Mellotron se intercalam com os belos solos de guitarra muito bem dedilhados por Dave Black. 

O disco homônimo do Kestrel foi o único registro lançado em 1975 pelo selo LP Cube, com a visível intenção em se fazer um trabalho mais comercial. Não deu certo. A banda acabou nesse mesmo ano, fazendo com que Dave Black substituísse nada mais que Mick Ronson, nos últimos suspiros da lendária Spiders from Mars. Infelizmente Black faleceu tragicamente em 2015, sendo atingido por um trem. 

Creio que esse disco irá dividir opiniões. Portanto, recomendo aos que possuem um ouvido mais eclético e aberto para diferentes tipos de percepções no que se enquadra ao progressivo sinfônico. Não se trata de uma obra excessivamente complexa, mas agradável em suas melodias, muito bem executada todavia, distante de ser uma obra-prima. 


TRACKS:

1. The Acrobat 
2. Wind Cloud 
3. I Believe In You 
4. Last Request 
5. In The War
6. Take It Away 
7. Ene Of The Affair 
8. August Carol 



YANDEX

domingo, 18 de fevereiro de 2018

AIR - Teilweise Kacke... ... aber Stereo - 1973


Algumas das centenas de bandas alemãs surgidas nos anos 70, essa foi a que mais me pegou de surpresa. Aqui não temos um Krautrock com uma pegada mais experimental, recheado de variações rítmicas e arranjos complexos como era muito comum na época e sim um som mais cadenciado, simplista. 

Mesmo sem uma técnica mais apurada em suas composições, o Air traz um som limpo, tenro, onde o teclado é a base principal de toda a execução, o que torna o disco interessante de se ouvir. Algumas passagens são de timbragens mais clássicas, muito usadas no fim dos anos 60 por bandas como Nice e Moody Blues, fazendo assim parecer que o disco foi gravado nos tempos primórdios do progressivo. A guitarra vem mais como um acompanhamento sem muita profundidade e muitas vezes tímida demais. Uma flauta muito bem encaixada se intercala com alguns solos de teclado trazendo uma atmosfera medieval em certas passagens. 

Trata-se de um disco instrumental leve, sem compromisso, de veia clássica e muito diferente do que estamos acostumados em termos de progressivo alemão. A única coisa que se equipara ao gênero é o fato de ser o único registro lançado, com poucas prensagens e de distribuição restrita. O vinil é altamente raro, chegando a valer algumas centenas de Euros quando alguma cópia é disponibilizada.

Somente a título de curiosidade, a tradução livre para o título do álbum em questão é "Merda Parcial...em Stereo". Apesar do nome nada sugestivo, garanto que é um registro pra lá de interessante.



TRACKS:


1. D-Zug 

2. Kantate 140,4 
3. Herzinfarkt 
4. Blues 2 
5. Alright, Ernie 
6. A-g-e 
7. Zopf


YANDEX

sábado, 17 de fevereiro de 2018

[DIVULGAÇÃO] KADAVAR - SOUTH AMERICAN TOUR - 2018


Somente pelo visual setentista temos uma pequena noção de que coisa muito boa saiu desse trio criado em Berlin no início desta década. Conheci a banda por acaso, logo no começo de carreira, através de um artigo disponibilizado em algum site gringo especializado no assunto. Gostei bastante do que li e resolvi correr atrás de algum material que pudesse matar minha curiosidade. 

Kadavar é nada mais que um power trio de peso, com sonoridade de alto nível que remete claramente a influências de bandas como Sabbath e Witchfinder General, bebendo muito na fonte do estilo melodioso do Led Zeppelin. 
Certas nuances do progressivo alemão da época também são percebidas em alguns momentos. Algumas variações nos riffs de guitarra chegam a lembrar o início de carreira do Scorpions, sendo que o intenso entrosamento entre o baixo e uma bateria 'seca' me remete a uma lembrança ao Kraan, outro grande nome do movimento Krautrock.  



A banda retorna a América do Sul para a divulgação de seu mais novo álbum, lançado no ano passado e intitulado por 'Rough Times'.
A passagem pelo Brasil foi uma excelente aposta da Abraxás e Headbanger Produções que incluíram cinco cidades para receber os alemães do Kadavar. 
Belo Horizonte será uma delas e confesso que minha curiosidade em vê-los ao vivo é enorme. Pude assistir alguns vídeos de apresentações pela Europa e o que vi foi uma banda de peso com um som de extrema qualidade. 


CONFIRA ABAIXO AS DATAS DOS SHOWS E INFORMAÇÕES NAS PÁGINAS OFICIAIS DOS EVENTOS NO FACEBOOK

- 27/02 => Santa Maria/RS 
- 01/03 => Belo Horizonte/MG 
- 02/03 => Florianópolis/SC 
- 03/03 => São Paulo/SP 
- 04/03 => Rio de Janeiro 








domingo, 11 de fevereiro de 2018

BONFIRE - Bonfire Goes Bannanas - 1975



Enquanto bandas progressivas como Finch, Focus e até mesmo o Supersister são reconhecidas como medalhões do progressivo holandês, Bonfire raramente é mencionada pela mídia em geral e chega a ficar um tanto velada em meio a nomes de peso como esses. Uma pena, pois se trata do que há de melhor em termos de música instrumental. Talvez não houve tempo ou esforço suficiente de seus membros para que a banda se projetasse com certo destaque, já que este foi o único registro oficial lançado em 1975 e não se conhece o motivo de seu fim.

Como disse, trata-se de um disco totalmente instrumental e claramente liderado pelo tecladista Frank Witte, tendo como base, ora um lindo Fender Rhodes, ora belas passagens de Grand Piano, sempre acompanhado por intensos solos vindos da guitarra de Eugene den Hoed que reveza o instrumento a uma flauta,  fazendo toda a diferença no decorrer de sua execução. 


O estilo da banda é bem jazzy, com algumas nítidas influências ao Focus e também a cena Canterbury porém bastante complexo, bem variado e um tanto melódico em certas passagens. De qualquer forma, "Bonfire Goes Bananas" é um álbum que não decepciona em tempo algum, pois a cada faixa se desenvolve um tema intrincado e cheio de contrastes em diferentes atmosferas. 

O destaque vai para a última e longa faixa a qual contém um nome um tanto curioso porém contendo harmonias de extremo bom gosto. "The Sage of the Running Nose" é dividida em cinco suítes, demonstrando excepcional entrosamento entre seus membros, com belas linhas de piano e algumas boas passagens de guitarra. A banda consegue nunca soar monótona fazendo com que o ouvinte percorra por diferentes nuances do progressivo, desde o sinfônico em sua autenticidade e extrema beleza, passando pelo fusion, findando-se por temas um tanto densos e obscuros em seus quase 19 minutos de duração.  

TRACKS:

1. Delirium 
2. Contrast  
3. Vuurstaal(Part 2) 
4. Chinese in Europe(Part 1) 
5. Circle 
6. The Sage of the Running Nose 
a) Running Nose 
b) Cabaret 
c) Third Eye 
d) Cabaret Again 
e) Running Nose II 

YANDEX

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

INDIAN SUMMER - Indian Summer - 1971




Outra banda desperdiçada e sem muito sucesso, o Indian Summer surgiu na Inglaterra em 1971 e lançou apenas esse raro disco com produção de Jim Simpson responsável pelo ponta pé inicial na carreira do Sabbath.


Com um som mais pesado, o disco traz ótimas passagens que interligam a bela guitarra e voz de Paul Hooper com poderosos solos de Hammond que valem pela perfeição do disco.

 Trata-se de um heavy prog de extrema competência e de muita sintonia entre seus componentes. Este é um de meus discos favoritos do prog britânico. 

Um verdadeiro veneno!!!


TRACKS:

1. God is the Dog
2. Emotions on Man
3. Glimpse
4. Half change Again
5. Balck Sunshine
6. From the film of the Same name
7. Secret reflects
8. Another Three will Grow