domingo, 12 de novembro de 2017

[RESENHA] LOCANDA DELLE FATE - TEATRO MUNICIPAL DE NITERÓI - 10/11/2017

 
Foto: Carlos Vaz



Difícil será dissociar a razão da emoção quanto a experiência vivida na última sexta-feira que, como um vivo e luzente cometa, passou pelas duas mais importantes cidades do estado do Rio de Janeiro. Foram apresentações que ficarão marcadas não somente pela experiência de poder ver ao vivo a uma das maiores bandas de Rock Progressivo italiano, mas também pela beleza de todo o espetáculo. Não pude comparecer ao show ocorrido no Rio mas possivelmente, boa parte do que irei relatar aqui foi também presenciado no Espaço das Artes e certamente com a mesma intensidade. 

Meu primeiro contato com os italianos do Locanda foi logo na passagem de som a qual tive a honra de presenciar. Os simpáticos músicos ali na minha frente testando os instrumentos, regulando os volumes para a perfeita equalização do teatro e ressonando parte das belas introduções instrumentais. Passado alguns minutos, entra Leonardo Sasso, já com uma certa idade e mesmo com suas visíveis limitações, ainda consegue manter com firmeza sua gama vocal na forte timbragem de um tenor. Sentado em um pequeno banco, começa a entoar as primeiras estrofes de 'Forse Le Lucciole Non Si Amano Più', faixa que dá nome ao disco que seria a evidência principal daquela noite. 
Naquele momento, senti um frio na espinha por toda a intensidade e energia a qual a banda acertava os últimos detalhes para dar início as comemorações dos 40 anos do lançamento do disco em questão, já com gostinho de sua inevitável despedida dos palcos.

O show seu teve início logo nos primeiros minutos das 8 da noite com o teatro abarrotado de gente. Apesar de pequeno, com pouco mais de 350 assentos, tive uma visão privilegiada na parte superior onde pude avistar o palco com a maior clareza de detalhes possível. O público presente se mesclava entre jovens senhores, muitos deles acompanhados de seus filhos e familiares, renomados músicos cariocas e um número expressivo de mulheres que também marcaram presença. Isso afasta ainda mais o estigma de que o progressivo é um gênero apreciado somente pelos homens. 
O teatro que no seu interior possui um estilo barroco, mais rústico, com as típicas cadeiras de palha indiana, lembrando os teatros das centenárias cidades históricas mineiras. Contém uma estrutura bastante moderna em termos de acústica e som, com gerenciamento e produção feita por profissionais muito bem preparados para receber uma apresentação daquele porte.

A abertura ficou por conta da faixa instrumental, 'A Volte Un Istante Di Quiete' que, em tradução livre significa 'Às vezes, um momento de silêncio', que de calmaria não tem absolutamente nada. Vemos uma melodia de características sinfônicas muito bem elaboradas em arranjos complexos e  impecáveis, contando com lindas passagens de piano e sintetizadores, entrelaçados a envolventes solos de guitarra. A flauta se encaixa a uma instrumentação que quebra um pouco da intensidade, estabelecendo assim uma certa quietação entre os momentos mais turbulentos e expressivos da música.

Vale deixar claro que, apesar do Locanda sempre ter contado com dois tecladistas distintos, incluindo dois Hammonds e uma vasta criatividade quando se trata do uso arrojado de sintetizadores (Mini e PolyMoog,), a espinha dorsal de toda essa estrutura se enfatiza na perfeita execução de um Grand Piano, que serviu como base para a grande maioria das composições da banda ao longo dos tempos. 
Foto: Carlos Vaz
Porém, nos últimos anos com exceção ao Mini Moog, os músicos vêm optando pela praticidade dos engenhosos e fiéis simuladores, criados por renomadas empresas do ramo das teclas. O uso da flauta transversal também não se faz mais presente nas apresentações ao vivo, sendo esta também substituída com muita precisão de detalhes por um simulador. 
Os sábios mestres que manipulam esses instrumentos de forma muitas vezes simultânea são os músicos Maurizio Muha e Oscar Mazzoglio, sendo este último um dos fundadores da banda e principal responsável pela total execução das flautas, Cravo e Clavinet. 
Muha destila toda sua genialidade com habilidade em conduzir o  Grand Piano e piano elétrico. A harmonia entre os dois gera uma interação a qual eu nunca vi no progressivo por tamanha beleza, cuidado extremo nos pequenos detalhes, destilando técnicas impecáveis e destreza com instrumentos de extrema complexidade, que exigem do músico uma seleção minuciosa dos timbres a serem trabalhados para que soem com notável fidelidade na execução final. 

A faixa título e uma das mais longas, também se inicia com uma introdução de piano incrivelmente linda, que liga imediatamente a uma passagem vocal de Leonardo Sasso, revelando ali uma energia e sensibilidade com sua gama incomum, mas quando tudo parece suave demais, entra a incrível progressão a bateria do brilhante Giorgio Galdino, também membro fundador e a guitarra do virtuoso Massimo Brignolon anunciando ali a quebra de estrutura e dando segmento a segunda parte da música por assim dizer. Sem modificar a atmosfera inicial, os instrumentos são adicionados a uma espécie de dança de sons e contrapontos de certo peso em várias passagens, fazendo com que todas as estruturas aparecessem em absoluta clareza e harmonia.
Foto: Carlos Vaz

'Profumo Di Colla Bianca' foi um dos pontos altos de todo o show. De pura leveza, com um timbre de Hammond mais sintetizado na introdução, o Rickenbacker de Boero afiado como nunca, com bateria envolvente e um piano magistral sobrepondo a base do Hammond. O esplêndido vocal de Sasso como sempre se sobressai em meio aos muito bem arranjados solos de flauta, guitarra e Polymoog. 

Quebrando a sequência original do disco de 77, vem a belíssima 'Sogno Di Estunno', que começa com uma introdução bem bucólica baseada em flauta e teclados, mas logo se transforma em uma forte faixa vocal com Sasso, proporcionando uma performance de arrepiar.

Entre uma música e outra tínhamos sempre um show a parte quando o excelente baixista e membro essencial da banda, Luciano Boero interagia com o público. Tentava com muito boa vontade entoar algumas palavras em português que acabavam se misturando ao inglês e ao italiano em uma miscelânea de línguas que, no fim das contas, era compreendida pela maioria dos presentes. Ele tentava anunciar as faixas que seriam apresentadas no decorrer do show que além da execução da íntegra do disco 'Forse Le Lucciole Non Si Amano Più', que acabou não seguindo a sequência exata no decorrer do show, o que não foi problema. Seriam apresentados ainda, os trabalhos mais recentes lançados entre o fim dos anos 90 quando a banda se reuniu novamente, até os dias atuais com faixas ainda não lançadas oficialmente.

 'Non Chiudere a Chiave le Stelle', é um lindo interlúdio acústico que se tornou parte fundamental da apresentação onde, Luciano Boero troca o imponente Rickenbacker por uma violão. A linha de conexão estabelecida por Boero e Sasso é algo raro no progressivo. É visível o entrosamento entre os dois músicos não somente pelo desenvolvimento de toda sua musicalidade mas também pela forte amizade mantida nos decorrer de mais de 40 anos. Isso transparece nitidamente em vários momentos do show.

'Mediterraneo' segue a linha mais atual da banda, com clássicas execuções de piano mescladas ao poderoso vocal de Sasso. Instrumentos como acordeon simulados e modernos timbres de sintetizadores também se fazem presentes nos teclados do genial Oscar Mazzoglio. Música lançada esse ano que consta apenas em vídeo no canal oficial do Youtube, juntamente com a faixa que dá seguimento ao show, 'Lettera di un Viaggiatore'.

Voltando a maravilhosa obra de 77 vem uma de minhas favoritas, 'Cercando Un Nuovo Confine'. Também acústica, com tenros vocais e um maravilhoso piano. Essa foi das que certamente pagou o ingresso.
Foto: Carlos Vaz
 
Na sequência, a banda emenda três faixas, 'Crescendo', a curta porém belíssima 'Sequenza Circolare', finalizando com 'La Giostra'. Todas extraídas de uma coletânea gravada nos anos 70, mas que só foram lançadas no disco " The Missing Fireflies" de 2012, mesclando gravações ao vivo e em estúdio.

Chegando ao final da apresentação, a banda apresenta a faixa homônima do disco 'Homos Homini Lupus', lançado em 99. Após anos de silêncio, a banda retorna aos estúdios com uma nova formação para as gravações de um novo álbum ao qual nem chega ao pés daquela maravilhosa obra que lançou o Locanda para o mundo.

No fechar das cortinas vem a belíssima, 'Vendesi Saggezza' que vem para fechar de forma magistral aquela espécie de sonho que tivemos a honra presenciar naquela noite. Intensa, pesada, obscura, densa e maravilhosamente executada. Todos os instrumentos, sem exceção se interagem em um nível de extrema complexidade sem perder a sutileza e sensatez quando entra o belo vocal de Leonardo Sasso. 
Aquele certamente foi um momento de êxtase misturado a uma tristeza em saber que estávamos a poucos minutos do encerramento de um concerto que, ao meu ver foi o mais intenso e emocionante de todos do gênero progressivo aos quais pude presenciar ao longo dos anos.
O Brasil mesmo com todos seus típicos problemas, é um país acolhedor. Era nítido que a banda estava visivelmente emocionada no fim da apresentação.

O motivo de tristeza e da ressaca moral que bateu no dia seguinte se deve também ao fato da banda Loccanda Delle Fate ter surgido em uma época em que os principais nomes do progressivo italiano tais como Banco, PFM e Le Orme já começavam a perder sua identidade própria e a maioria das outras excelentes bandas simplesmente desapareceram depois de gravar um ou dois álbuns. Naquele momento, o progressivo italiano se encontrava em nítida decadência e o Locanda surgiu do nada, lançando um trabalho que marcou e ainda marca o gênero progressivo como um todo.

Finalizando, deixo aqui alguns fundamentais agradecimentos que fizeram da noite do dia 10 de novembro ser ainda mais especial. 
Primeiramente a Vértice Cultural e LOBD Associado, leia-se Cláudio Paula e Luiz Octávio Drummond que tornaram possível a vinda da banda mesmo com todos os problemas, perrengues e gente chata. A vocês deixo o meu respeito e um sincero agradecimento por tudo. Desde a hora em que cheguei ao teatro para literalmente 'bicar' a passagem de som até sermos literalmente expulsos do simpático pátio do teatro, horas após o término do show.
Que vocês continuem com fôlego para trazer ainda mais bandas nacionais e internacionais. Público vocês já tiveram a prova de que existe, basta saber executar. Coisa que vocês já são mestres. Que os próximos anos sejam de muito sucesso, sabedoria e paciência para lidar com os percalços.

Aos amigos, Carlos Vaz e Jorge Carvalho que tiveram uma paciência incrível com esta que vos fala por importunar com pedidos quase utópicos. A todos os amigos aos quais pude rever e outros que pude finalmente conhecer naquela noite. Essa resenha pós-show certamente foi um dos pontos altos de toda minha rápida passagem por terras cariocas. Sempre que vou ao Rio sou recebida de uma forma muito calorosa e bastante acolhedora.

A Sônia Aun e Rafael Aun por terem proporcionado toda a parte burocrática que envolve a complicada logística de sair de Belo Horizonte para assistir a um show em Niterói.

Finalmente, agradeço a todos simpáticos e muito solícitos membros da banda pelo belo espetáculo e por receber com toda a paciência do mundo cada uma das centenas de pessoas que os abordaram ao fim do show. 

Certamente este show foi um dos momentos de maior emoção a qual pude presenciar em toda minha vida.

Aos cariocas, deixo aqui meu singelo agradecimento.



Segue o primeiro vídeo do show no Rio, já compartilhado pelo amigo e confrade Lucas Scarassia pelo canal Musical Box Records.



Em breve serão postados nessa mesma publicação as fotos e os vídeos oficiais da passagem do Locanda Delle Fate por Niterói.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

[DIVULGAÇÃO] VIOLETA DE OUTONO - TEATRO UMC - 18/11 - SÃO PAULO


 A tão estimada Violeta de Outono retorna a sua terra natal para uma justa homenagem aos 50 anos do disco The Piper at the Gates of Dawn. A banda apresentará também a íntegra de seu mais novo trabalho intitulado por Spaces, lançado no ano passado. Disco este que ilustra com maestria a nítida influência das bandas da cena Canterbury mescladas a psicodelia dos primórdios do Pink Floyd.

Violeta de Outono é mais uma daquelas importantes bandas que figuram no topo da lista para uma divulgação mais abrangente neste modesto espaço. 

Toda sua longa trajetória, discos muito bem produzidos, destacando também a carreira do guitarrista Fábio Golfetti em outros projetos que encantaram os gringos em diferentes partes da Europa. 



A abertura fica por conta do jovem e muito interessante trio progressivo, Stratus Luna para divulgação de mais novo trabalho que será lançado no fim desse ano

As apresentações estão marcadas para o próximo dia 18/11 (sábado) ás 21:00 hrs no Teatro UMC -
Avenida Imperatriz Leopoldina, 550 - São Paulo/SP.
Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou através do site compreingressos.com

Mais informações na página oficial do evento. 






sábado, 28 de outubro de 2017

[DIVULGAÇÃO] LUMMEN - CENTRO CULTURAL SOLAR DE BOTAFOGO - 01/11 - RIO DE JANEIRO


Após o enorme sucesso de sua volta aos palcos no primeiro semestre, a banda medieval Lummen se apresenta já na próxima quarta-feira, véspera de feriado, para mais uma de suas impecáveis apresentações. 

Tive acesso a alguns registros dos shows passados e a qualidade técnica foi muito além de minhas expectativas. Marco Aurêh e a gigante banda por trás desse habilidoso multi-instrumentista, valem muito mais do que o valor proposto pelo ingresso. Algumas faixas me remeteram em muito a boa fase da banda inglesa setentista Gryphon, pela alta qualidade quando se pensa em progressivo medieval com o uso de flautas e violinos. Ver esses caras ao vivo deve ser uma experiência incrível!

Foto de Carlos Vaz

A APRESENTAÇÃO É MAIS UMA EXEMPLAR PRODUÇÃO DA VÉRTICE CULTURAL E  ESTÁ MARCADA PARA A PRÓXIMA QUARTA-FEIRA (01/11), ÁS 21hrs NO CENTRO CULTURAL SOLAR DE BOTAFOGO - R. GENERAL POLIDORO, 180. 
OS INGRESSOS PODEM SER ADQUIRIDOS NA BILHETERIA DO TEATRO A PREÇOS ACESSÍVEIS. 







segunda-feira, 23 de outubro de 2017

THE NAZGÜL - The Nazgül - 1975


Devo começar dizendo que este disco é totalmente dedicado aos fãs do escritor J.R.R Tolkien que narra a história dos Nazgül - os nove Cavaleiros Negros -  retirada do Senhor dos Anéis. Os membros da banda levam os nomes fictícios de Frodo, Gandalf e Pippin, também conhecidos personagens de Tolkien. 
Sei que muitos de vocês vão se decepcionar comigo mas nunca fui fã das estórias desse escritor pra lá de fantasioso, portanto, não entendo nada sobre suas obras e seus personagens. 

Por ser um disco conceitual e composto por quatro longas faixas, o experimentalismo e a obscuridade reinam durante todo o seu decorrer, abandonando a estrutura tradicional em termos de canção e melodia, abordando assim atmosferas mais sinistras. 


Resumindo, a banda faz um som mais voltado para excelentes improvisações de guitarra e baixo manipulados por ruídos bizarros de percussão, acompanhados de manifestações experimentais de órgão e Moog. 



O disco em seu decorrer nos remete 

àquela primeira fase do Tangerine Dream onde apenas ruídos e linhas de sintetizadores compunham a obra como um todo.

Se não me engano, esse registro foi lançado no fim de 75 onde o Krautrock já não era mais o mesmo, a Alemanha Oriental já havia sido tomada pelo movimento eletrônico, que foi uma verdadeira revolução em se tratando da cultura musical alemã.


Apesar dos nomes fictícios, não se sabe ao certo o número de membros da banda. Nas minhas incansáveis pesquisas, tive informações de apenas três de seus componentes.

 São eles:

- Reinhold Karwatsky, tecladista, foi fundador do excelente Galactic Explorers (já postado por aqui), além de ter feito parte do também excelente Dzyan.

- Zeus B. Held, também tecladista e famoso produtor alemão, fez participações em alguns discos do Birth Control e produziu o disco "Distant Horizons" de 1997 do Hawkwind.
- Hans-Jürgen Pütz, baterista, tocou no Mythos (Dreamlab 1975) e foi fundador da desconhecida mas ótima  banda de Krautrock, Cozmic Corridors.

Já aviso que esse é um disco de difícil digestão nas primeiras audições mas se você gosta realmente do gênero irá se surpreender. 

Pra quem gosta da literatura do Tolken, deve ser interessante ouvir o disco e ler alguma de suas obras ao mesmo tempo.
Não deixem de me contar tal experiência...


TRACKS:

1. The Tower of Barad Dur
2. The Dead Marshes
3. Shelob's Lair
4. Mount Doom  




YANDEX

terça-feira, 10 de outubro de 2017

[DIVULGAÇÃO] KAOLL - CENTRO CULTURAL SOLAR DE BOTAFOGO - 20 de OUTUBRO - RIO DE JANEIRO


Devo a dezenas de bandas e músicos espalhados pelo Brasil uma divulgação mais detalhada dos trabalhos lançados assim como suas devidas trajetórias, muitas vezes dificultada pela falta de incentivo em um país onde a música de qualidade vem sendo cada vez mais escassa. 

O Kaoll figura nessa lista e muito em breve abordarei com mais ênfase sobre o trabalho desse trio instrumental, que já dividiu palcos e estúdios com renomados músicos brasileiros e estrangeiros. Um exemplo disso foi a participação do baixista americano Billy Cox (Jimi Hendrix) como colaborador nas gravações do segundo álbum de estúdio "Odd", lançado em 2014.

A banda desembarca no Rio no próximo dia 20/10, em única apresentação para o lançamento do disco "Sob os Olhos de Eva". Além do show, o público será gentilmente presenteado com um exemplar do livro homônimo do autor Renato Shimmi que, segundo a própria banda, será a base da viagem sonora no decorrer da apresentação.

Os ingressos podem ser adquiridos no dia do show na bilheteria do Centro Cultural Solar de Botafogo, localizado á Rua General Polidoro, 180 - Botafogo - RJ.

Arte: Zé Otávio




segunda-feira, 9 de outubro de 2017

[DIVULGAÇÃO] SÉRIGO FERRAZ - TRIBUTO A COLTRANE - CENTRO CULTURAL SOLAR DE BOTAFOGO - 13/10 - RIO DE JANEIRO


O violinista pernambucano Sérgio Ferraz desembarca no Rio na próxima sexta, 13/10, para um tributo ao maior jazzista de todos os tempos, John Coltrane.
Sérgio vem acompanhado do baixista Ricardinho Paraíso e baterista Éder Rocha.

A apresentação ocorrerá as 21hrs de sexta no Centro Cultural Solar de Botafogo no Rio de Janeiro.

Ingressos a venda na bilheteria do teatro a preços acessíveis. 

 

domingo, 1 de outubro de 2017

MAGMA - Philharmonic Hall - 1973



Entre todos os registros não-oficiais postados por aqui nos últimos anos, esse é o que menos se parece um bootleg. Qualidade impecável com poucos ruídos e gravação limpa para destacar ainda mais toda a complexidade do som executado pela banda naquela noite.

Hoje serei um tanto cara-de-pau e vou transcrever um pequeno resumo que fiz sobre o Magma em uma postagem anterior. Não faz sentido falar sobre a mesma coisa duas vezes, preciso economizar tempo e espero que não se importem.

"O Magma foi formado na França no fim dos anos 60 com toda a excentricidade de seu líder e baterista gênio/lunático Christian Vander, que deu mais vida ao rock progressivo criando um sub-gênero próprio denominado por Zeuhl, que significa "celeste" no dialeto Kobaïan, linguagem também criada por Vander e exclusiva da banda, o que se tornou um ponto de extrema importância para todo o sucesso do Magma.

Kobaïa é um planeta situado em um universo paralelo com péssimas condições climáticas e com nativos determinados a germinar o mau. Com o planeta Terra em destruição, um grupo de pessoas se mudam para Kobaïa com o objetivo de arquitetar uma nova civilização mas os nativos Kobaïns acabam entrando em conflito com os terráqueos. Toda essa guerra é narrada ao decorrer da magnífica discografia da banda que também aborda temas como as divindades e crenças do planeta Kobaïa.

O som executado pela banda é de extrema criatividade e circundado por excelentes rodas de compasso, com arranjos teatrais e guitarras pesadas e distorcidas. Efeitos medonhos de voz e os tambores de Vander também dão um certo destaque a toda discografia dessa banda que é considerada por mim como uma das mais criativas e inovadoras de todos os tempos, fora o experimentalismo e as técnicas de improvisação com batidas voltadas para o Jazz e desenvolvidos por pelo menos oito integrantes que fazem parte desse bizarro projeto."



Esse registro foi gravado no Philharmonic Hall (hoje conhecido como Avery Fisher Hall), situado à cidade de Nova York em 7 de Julho de 1973 e conta com apenas duas faixas que ilustram com clareza a áurea fase do experimentalismo musical criado por Vander em sua primeira passagem por terras americanas.

A primeira delas é um pequeno e genial medley resumindo as duas partes da faixa título do disco Köhntarkösz, que viria ser lançado no início do ano seguinte e cumpriu com maestria mais uma saga no obscuro planeta Kobaïa.


A segunda faixa é a execução na íntegra do álbum Mëkanïk DëstruktÏw Kömmandöh que na época foi um dos carros-chefe em termos de divulgação do Magma pelo mundo.


Desejo a todos uma boa viagem rumo ao planeta Kobaïa!






TRACKS:

01. Tuning Up 

02. Köhntarkösz (excerpt) 
03. Mekanïk Destruktïw Kommandöh 





YANDEX

terça-feira, 26 de setembro de 2017

[DIVULGAÇÃO] CARTOON - TEATRO BRADESCO - BELO HORIZONTE - 30 de SETEMBRO



A banda Cartoon retorna aos palcos de BH para o lançamento de seu quinto álbum de estúdio intitulado por "Cartoon V", consumado através de um muito bem sucedido projeto de crowdfunding que arrecadou mais que a meta estipulada em apenas um mês. A proposta era muito interessante e um tanto tentadora que, incluía dentre outras opções, um show particular na casa do apoiador.

Como ainda não tive acesso ao novo trabalho, soube através de seus divulgadores que o disco será mais voltado para o Folk, com influências da música erudita e o rock. A proposta é trazer um segmento mais acústico em arranjos simples porém, elaborados de forma criativa dando ênfase as harmonias vocais. A banda contou também com a participação do quarteto de cordas Rockin’ Strings que veio para imprimir ainda mais qualidade a um projeto tão promissor como esse.





Data: 30 de setembro de 2017
Local: Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244 - Lourdes, BH)
Horário: 21h
Ingressos à venda na bilheteria do teatro ou pelo site www.compreingressos.com
Valor: R$50,00


 Mais informações:

Facebook: @music.cartoon
Site: www.bandacartoon.com.br


  

domingo, 24 de setembro de 2017

KLUSTER - Klopfzeichen - 1971

EM HOMENAGEM A DIETER MOEBIUS...
(Originalmente publicado no antigo domínio em 21/09/2009)




Primeiro e excelente album de mais uma linda obra de Krautrock que posto por aqui. 
Este é um projeto brilhante composto por três gênios que abusaram de suas técnicas e colocaram em prática uma das mais belas traduções do que se tornou a música eletrônica. Trata-se de um disco que conta com a participação de Conrad Schnitzler que participou do primeiro álbum do Tangerine Dream, fundou o Eruption - outra excelente banda de Krautrock que lançou apenas um disco - e,posteriormente, seguiu em carreira solo lançando discos importantes para a cena eletrônica alemã da época.


Hans-Joachim Roedelius, grande ídolo, infelizmente pouco conhecido, que contribui imensamente para o movimento surgido na Alemanha no fim dos anos 60. Roedelius foi o percursor da chamada Ambient Music e um dos fundadores, juntamente com  Schnitzler, do Zodiak Free Arts Lab,grande centro da música experimental em Berlim fundado em 1969. Por lá consagraram-se bandas fundamentais como Ash Ra Tempel, Curly Curve, Agitation Free e Tangerine Dream.

Dieter Moebius foi outra grandiosa figura que também muito contribuiu para a ascensão do movimento Krautrock na Alemanha no fim dos anos 60. Sempre acompanhado por Roedelius, fundou a excelente banda Harmonia em 1974 que contava com a vasta experiência de Michael Rother, membro fundador do Neu!

Moebius também participou em diversos projetos de Ambient Music juntamente com Cony Plank e Mani Neumeier (Guru Guru).

Assim como a capa, o disco traz uma atmosfera bem obscura sem melodias e rítmos concretos. A primeira faixa do disco, traz uma espécie de oração narrada em alemão por uma mulher que mais pareçe a esposa do demônio. Essa mesma mulher, participou posteriormente do disco do Eruption juntamente com Schnitzler.

O nome Kluster foi utilizado até meados de 1971, lançando três ótimos trabalhos e após a saída de Schnitzler a banda passa a se chamar Cluster, que conta agora com a essencial presença de Plank neste projeto sequencial que rendeu nada menos que oito discos de estúdio, sendo o último lançado em 2009.

Prato cheio aos que apreciam o gênero... 




TRACKS:

1. Klopfzeichen, Pt. 1
2. Klopfzeichen, Pt. 2

YANDEX

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

[DIVULGAÇÃO] CENA CARIOCA DE MÚSICA PROGRESSIVA #FEST 02 - 29 de SETEMBRO A 1º de OUTUBRO - TEATRO MUNICIPAL CAFÉ PEQUENO - RIO DE JANEIRO


O surgimento do projeto Cena Carioca de Música Progressiva, muitas vezes divulgado por aqui, vem surpreendendo a cada dia. Com o passar do tempo, esse movimento musical vem crescendo de forma gradual agregando mais e mais bandas cariocas autorais de extrema qualidade.
 
Um exemplo que ilustra essa união é a segunda edição do CCMP FEST que irá apresentar algumas dessas bandas e outras já conhecidas e surgidas nesse mesmo movimento.



O festival acontece no último fim de semana de Setembro (29/09), com a seguinte programação:

29/09 - Montechiari Project e Anjos de Vidro
30/09 - Blind Horse e Arcpelago
01/10 - Ajja Duo Project e Patrick Wichrowski

 Todas as apresentações durante os três dias do evento começam pontualmente ás 19:00hrs.

Os ingressos podem ser adquiridos nos seguintes pontos de venda:

- Bilheteria do teatro:
  Av. Ataulfo de Paiva, 269 - Leblon


- Site Ticket Mais 

Mais informações acesse a página oficial do evento.

sábado, 16 de setembro de 2017

[DIVULGAÇÃO] VELUDO - TEATRO SOLAR DE BOTAFOGO - 30/09 - RIO DE JANEIRO


Por toda sua história, devo ao Veludo e seus membros uma publicação digna de sua trajetória, que abriu as portas para que o Rock Progressivo se instalasse de vez no Brasil nos anos 70. 

Hoje esse pequeno espaço se pauta apenas em divulgar o retorno do Veludo aos palcos cariocas, mantendo toda sua genialidade dos tempos áureos nos ensaios aos quais tive acesso em vídeo alguns dias atrás. 

A banda apresenta faixas de seu primeiro registro ao vivo, gravado em 1975, além da íntegra seu novo trabalho com antigas gravações dos anos 70, intitulado por 'Penetrando Por Todo Caminho Sem Fraquejar'.

Foto: Divulgação


Veludo toca no próximo dia 30 de setembro ás 21hrs no Teatro Solar de Botafogo, Rio de Janeiro.

Os ingressos podem ser adquiridos a preços acessíveis nos seguintes pontos de venda:

- Pela internet através do site Tudus;
- Bilheteria do Teatro Solar Botafogo (2543-5411)
- Renaissance Discos - R. Conde de Bonfim, 55, loja 16 - Tijuca



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

[DIVULGAÇÃO] FOCUS (HOLANDA) - BRASIL TOUR


Velha conhecida dos brasileiros, a banda Focus retorna ao nosso país com passagens por cinco cidades durante o mês de Setembro.

Confira mais detalhes sobre a aquisição de ingressos nas páginas oficiais do evento:

12/09 - Porto Alegre/RS - Teatro AMRIGS
14/09 - Niterói/RJ - Teatro Municipal
15/09 - Belo Horizonte/MG - Music Hall - CANCELADO!!!
16/09 - São Paulo/SP - Gillian´s Inn
17/09 - Limeira/SP - Bar da Montanha


A apresentação em Niterói/RJ, conta com a produção e realização da Vértice Cultural e Masque Records, apoio cultural do Progrockvintage e demais parceiros.



sábado, 9 de setembro de 2017

[DIVULGAÇÃO] QUATERNA RÉQUIEM - ESPAÇO CULTURAL BNDES - 27 DE SETEMBRO - RIO DE JANEIRO

Montagem de Agnaldo Brum


Mais uma vez o Progrockvintage tem a honra em divulgar mais uma apresentação da banda Quaterna Réquiem em terras cariocas. 

Em julho desse ano, a banda  inscreveu seu último álbum, O Arquiteto, em um edital público lançado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento e foi selecionada em primeiro lugar na categoria Renome, Instrumental e Erudito.

A apresentação será focada na execução da íntegra desse mesmo álbum com entrada franca no Espaço Cultural BNDES, a realizar-se no próximo dia 27.

Abaixo texto retirado da página oficial do evento com mais detalhes sobre a aquisição dos ingressos.

"BNDES - Reserva de ingressos (Entrada franca com reserva de ingressos ou senha uma hora antes do show)
O Espaço Cultural BNDES trabalha com um sistema misto de distribuição de ingressos dos eventos Quartas Instrumentais e Quintas no BNDES.
Parte dos assentos do teatro pode ser reservada pela internet. O sistema permite agendar ingressos na página do show da semana, a partir de segunda-feira, 10h. O serviço é encerrado no dia do espetáculo, às 14h, ou quando se esgotarem as vagas disponíveis. Confira as atrações dos eventos Quartas Instrumentais e Quintas no BNDES.
Lembre-se: os botões de reserva só estarão disponíveis a partir das 10h da segunda-feira da semana do evento, na página do espetáculo.
As inscrições são individuais: cada pessoa pode realizar apenas uma inscrição, que dá direito à retirada de uma única entrada no dia do espetáculo. Não são permitidas reservas para grupos. Os ingressos são retirados às 18h, com tolerância até 18h30, mediante apresentação do documento de identidade.
Caso não tenha conseguido garantir sua entrada pela internet, você pode encontrar bilhetes ainda na recepção do Espaço Cultural BNDES, no dia do espetáculo, a partir das 18h. Cada pessoa receberá apenas um ingresso com lugar marcado, estando o número de ingressos disponíveis sujeito à lotação máxima do teatro.
Para atrações que não façam parte do Quartas Instrumentais e Quintas no BNDES, verifique, na página do evento, como se dará o acesso ao Espaço Cultural."

 Espaço Cultural BNDES
Avenida República do Chile, 100
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Próximo ao Metrô Carioca


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

[DIVULGAÇÃO] LISERGIA - FESTIVAL DE ARTE EXPERIMENTAL/PSICODÉLICA - BELO HORIZONTE 06 de SETEMBRO


Próxima quarta-feira, véspera de feriado, BH irá receber a quarta edição do Festival Lisergia que reúne bandas locais autorais além da participação do pernambucano Feiticeiro Julião.

Estive na primeira edição do festival uns anos atrás e super recomendo! 

É importante e obrigatório, apoiar e divulgar a cena independente de BH. Por aqui temos bandas autorais de extrema qualidade e pouco reconhecidas, talvez por falta de uma divulgação mais concisa e a falta de recursos vindo dos músicos que não possuem qualquer tipo de apoio dos órgãos municipais. 

Fica aqui o agradecimento ao Circuito Panela Lisérgica-BH por mais uma produção visando a união das bandas autorais mineiras. Esse tipo de evento é muito bem vindo e espero que ainda mais edições possam acontecer nessa cidade que respira o rock n´roll em todas suas vertentes.

Confira os detalhes da programação em texto retirado da página oficial do evento no Facebook:


"Finalmente BH recebe na véspera do feriado a quarta edição do festival que reúne bandas e artistas da nova geração, artistas que fazem um trabalho experimental e psicodélico e passeiam por vários segmentos musicais....

Um festival que se dedica a trazer para o público de BH a psicodelia feita nos anos 60 e nos dias de hoje....

Direto de Recife - PE para BH pela primeira vez o grande músico psicodélico Feitceiro Julião traz seu novo trabalho Solo:
Feiticeiro Julião e a Viola Psicodélica

Para completar a noite teremos shows das bandas mineiras:


Opus Sabará - rock prog/sinfônico
Elephants Experimental Trio - Jazz/Funk/Fusion/
Psicodélico
Camineiros - Blues/Rock/Autoral
Gustavo Caram - rock prog/psicodélico/erudito - acústico
Carnival Freak - Experimental/Noise


DJ Lisergia - Clássicos da psicodelia sessentista

Faremos uma homenagem ao primeiro álbum do Pink Floyd composições de Syd Barret: Piper Gates Of Dawn que será tocado na na íntegra pelo DJ Lisergia durante todo o evento....

Exposições de arte com trabalhos surreais/psicodélicos dos grandes artistas mineiros:


Marujo
Spiritual Versiani
La Onda


Serviço: Fesitval Lisergia BH


Local: Saramandaia Music Bar - Av. Contorno 3379 Sta Efigênia BH

À partir das 20h

Entrada: 5 reais com o nome no mural do evento ou até às 23h


Arte do flyer - Licínio banda SCARRO BH"

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

YES - Open The Gates - 1976




 Gravado durante a extensa tour do Relayer, esse talvez seja um dos bootlegs mais populares do YES espalhados por aí. Também conhecido pelo nome de The Story of Relayer Live, esse registro foi gravado e transmitido ao vivo por uma rádio americana em 17 de Junho de 1976 na cidade americana de Jersey e posteriormente, remasterizado por um fã. Até hoje, não achei um bootleg de melhor qualidade sonora com um áudio que chega até a impressionar. 

Destaque absoluto para a impecável atuação do tecladista Patrick Moraz que dá um show a parte em todo o decorrer da apresentação. Criticado por muitos mas idolatrado por essa que vos fala, Moraz executa com maestria a melhor versão ao vivo de "Gates Of Delirium", dentre os registros não-oficiais do YES.  

Quando se trata de um registro mais popular como este, surgem certos boatos em algumas críticas, dizendo que Squire e Anderson teriam retirado as faixas "And You And "I e "Close To The Edge" do set list da tour alegando incapacidade de Moraz para executar as músicas em questão. 

Particularmente, acho isso um verdadeiro absurdo. Moraz é dono de uma técnica inigualável e não deixa a desejar em tempo algum. O sucesso do Relayer se deve a ele que, elevou a banda a uma atmosfera altamente obscura e um pouco diferente dos trabalhos anteriores, fazendo com que o Yes ganhasse ainda mais notoriedade pelo mundo.

Não poderia deixar de destacar também a linda versão de "Long Distance Runaround" que traz arranjos diversificados em versão acústica.

A penúltima faixa "I’m Down" traz um cover dos Beatles do álbum Help-B Sides lançado em 1965.


 TRACKS:

DISCO 1:

01. WNEW/WMMB DJ’s Introduction
02. Intro/Apocalypse
03. Siberian Khatru
04. Sound Chaser
05. I’ve Seen All Good People
06. Gates Of Delirium

DISCO 2:

01. Long Distance Runaround
02. Patrick Moraz Solo
03. Steve Howe Solo – Clap
04. Jon Anderson Solo – Excerpt From Olias
05. Heart Of The Sunrise
06. Ritual
07. DJ Chatter #1
08. Roundabout
09. DJ Chatter #2
10. I’m Down
11. DJ Outro