sábado, 16 de junho de 2018

GURU GURU - Wiesbaden - 1973


Falar do Guru Guru é meio que chover no molhado....

Percursora do movimento Krautrock, foi formada nos anos 60 pelo baterista Mani Neumeier e pelo baixista Uli Trepte com o nome de Guru Guru Groove como uma banda voltada para o Jazz que tocava ao vivo músicas de Cotraine, Monk e Roach.

Em 1968 a banda passa a integrar a cena alemã com um show avassalador na cidade de Heidelberg chocando o público com um som bem diferente do que de costume e sem o Groove no nome. 

Já com um grande número de fãs que os acompanhavam pelos festivais da Alemanha, a banda lança no começo de 1970 seu primeiro e excelente trabalho de estúdio intitulado por UFO e já com o virtuoso e excelente guitarrista Ax Genrich dando um toque mais ácido e fazendo com que a banda sustentasse ainda mais uma originalidade única em termos de Krautrock.

A título de curiosidade, Ax ou Axel Genrich é um exímio guitarrista alemão fortemente influenciado por Hendrix e foi membro fundador do Agitation Free em 1970 mas deixou a banda antes mesmo do lançamento do primeiro disco Malesch de 1972. 
Genrich também gravou um excelente disco após sua saída do Guru Guru intitulado como Highdelberg Supersession de 1975 que trazia grandiosos nomes da cena alemã, tais como, Helmut Latter, Jan Fride e Peter Wollbrant (todos do Kraan), acompanhados por Dieter Moebius e Hans Joachim Roedelius ambos fundadores do Harmonia e finalizando, Mani Neumeier fiel companheiro de estrada no Guru Guru. 

Creio que esse disco não seja tão raro de achar pela internet, uma vez que o prog alemão se tornou figurinha carimbada em muitos blogs por aí.


Voltando ao que realmente interessa...

Esse registro ao vivo do Guru Guru gravado em 17 de Setembro de 1973 na cidade alemã de Wiesbaden  não se trata de um bootleg mas sim de uma gravação feita por um amigo da banda que engavetou as fitas da apresentação por décadas, sendo resgatado pelo salvador selo Garden Of Delights e lançado oficialmente em 2010.
O disco contém apenas três faixas, a primeira delas Ooga Booga do álbum Känguru de 1972 que possui uma versão estendida de quase 38 minutos regada por improvisações alucinantes!!! As restantes são belas versões de Round Race e Das Zwickmaschinchen  do  Don´t Call Us We Call You, disco em evidência na época.

A qualidade é boa, nota-se que as fitas foram bem conservadas com o passar do tempo e o Garden Of The Delights fez o possível para que a qualidade se tornasse ainda melhor.

TRACKS:

1. Ooga Booga
2. Round Dance
3. Das Zwickmaschinchen 



YANDEX

domingo, 3 de junho de 2018

[DIVULGAÇÃO] CARAVELA ESCARLATE - TEATRO MUNICIPAL DE NITERÓI - 09 de JUNHO



Mais uma vez a Vértice Cultural em parceria com a webradio Be Prog e Cena Carioca de Música Progressiva, abrem as portas do belo Teatro Municipal de Niterói para o lançamento do segundo álbum da banda carioca de Rock Progressivo, Caravela Escarlate. Álbum este muito bem aceito pela crítica nacional e que em pouco tempo, certamente chegará aos ouvidos dos apreciadores do gênero espalhados pelo mundo, seguindo assim o exemplo de outros nomes de relevante destaque no Rio de Janeiro. 


Foto: Carlos Vaz

Após o grande sucesso da apresentação realizada na última edição do festival Totem Prog em São Paulo, a banda prepara um espetáculo que contará a execução da íntegra de seu último lançamento, além de algumas faixas do primeiro disco em versões diferenciadas.

Este espaço tem uma dívida com esta banda que figura entre as mais importantes do Rio de Janeiro no cenário atual e em breve será divulgada uma resenha detalhando os principais aspectos contidos em ambos os trabalhos lançados nos últimos dois anos. 

Sabe-se que a Caravela é um projeto antigo do baixista David Paiva que se concretizou após a parceria feita com o tecladista Ronaldo Rodrigues que, já dividiu palco e estúdios com nomes de extrema importância no Brasil, além de ser peça essencial à banda Arcpelago. Outro convidado a integrar esse refinado projeto foi o baterista Élcio Cáfaro que também possui uma longa carreira junto a artistas de grande relevância no progressivo e MPB.

Preparem-se para um grande espetáculo de Rock Progressivo em alto nível!



SERVIÇO:

Caravela Escarlate - 09 de Junho (sábado) - 20hrs

Teatro Municipal de Niterói (R. XV de Novembro, Centro - Niterói/RJ)

Ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou através do site ingressorapido.com

Mais informações na página oficial do evento.


 

sábado, 19 de maio de 2018

JETHRO TULL - Songs From The Wooden Grammophone - 1977



Não é segredo pra ninguém que o álbum Songs From The Wood é o meu favorito de toda a discografia lançada pelo Jethro ao longo de quase 50 anos de estrada. 

Disco que compõe a primeira etapa de um trilogia (Heavy Horses-1978/Stormwatch-1979), aborda temas da natureza e de como o homem vem a maltratando na dependência abusiva de sua sobrevivência. 
Baseado em composições mais voltadas para o Folk, Ian Anderson abusa genialmente de belíssimas passagens de flauta entrelaçadas a melodias progressivas muito bem executadas por Barre, Palmer, Barlow e Glascock.

Certamente, o bootleg disponibilizado hoje, marca uma das primeiras apresentações que compunham a tour européia da banda para a divulgação do disco em questão.

Gravado em 19 de Fevereiro de 1977 na cidade de Southampton, o registro conta com versões impecáveis das faixas como "Jack In The Green", "Songs From the Wood", "Velvet Green" e "Hunting Girl", sendo estas as únicas executadas para a divulgação do mesmo e com boa receptividade do público presente. Uma pena a faixa "Cup of Wonder" ter ficado de fora...

Constam também boas versões de alguns clássicos indispensáveis como "Thick as a Brick", "Aqualung" e Locomotive Breath", sendo esta última um dos destaques de todo o disco. Ao seu final, David Palmer dedilha brilhantemente uma pequena parte de "Pomp and Circunstance" (Edward Elgar - 1857/1934) seguido por um solo desconcertante de um poderoso Hammond. 

A qualidade de áudio está a melhor possível. Trata-se de uma gravação vinda das fitas da BBC que, posteriormente, televisionou esse show sendo mais uma apresentação da série BBC In Concert

Nesse registro encontramos também algumas faixas bônus de gravações ao vivo pelos EUA em 1979 e uma linda versão a capela de "Dark Ages", vinda do disco Stormwatch.

Uma curiosidade interessante é a última faixa "Warbrobe Whopper", uma espécie de jingle, supostamente lançada para a divulgação de algum sanduíche da rede americana Burger King. 
As informações são um tanto vagas para se ter certeza de tal publicidade.

Eis um bootleg indispensável para qualquer admirador do gênero progressivo.


TRACKS:

1. Skating Away
2. Jack-In-The-Green
3. Thick As A Brick
4. Songs From The Wood
5. Velvet Green
6. Hunting Girl
7. Aqualung
8. Wind Up
9. Locomotive Breath
10. Sweet Dream*
11. Dark Ages*
12. Dark Ages (A capela)
13. Warbrobe Whopper

*EUA, Abril de 1979



YANDEX

sexta-feira, 4 de maio de 2018

FRIPP and ENO - Paris - 1975


Primeiramente, gostaria de agradecer ao Maurício Castro administrador do excelente blog Think Floyd que, gentilmente, me cedeu de seu acervo pessoal esse lindo registro há alguns anos atrás.

Robert Fripp e Brian Eno se conheceram em 1972 durante as gravações do álbum"Little Red Record" da banda Matching Mole, onde Fripp produziu o disco e Eno apareceu como convidado especial dando um toque a mais com um belo sintetizador.

Após longos papos, descobriram que possuíam ideias em comum embora alguns aspectos faziam com que os dois se deparassem com alguns opostos. Fripp por exemplo, sempre foi um guitarrista formidável que desenvolveu técnicas de extremo virtuosismo e dedicação em seus estudos quando compunha algo tanto no Crimson quanto em sua brilhante carreira solo. 

Já Eno, sempre foi um músico mais idealista e menos preocupado com técnicas descritas passo a passo, sua linha de improvisação chega a ser perfeita, sua destreza com os sintetizadores meio que pertence a outro mundo. Coisa de gênio mesmo. Ele mesmo se considerava como" não-músico" e classificava seus experimentos como "tratamentos" ao invés das performances tradicionais executadas pela a grande maioria dos músicos.

Essa brilhante parceria rendeu a ambos dois excelentes discos de estúdio conhecidos por (No Pussyfooting) de 1973 e Evening Star de 1975. Em 2005 se reencontraram e lançaram outro ótimo álbum intitulado como The Equatorial Stars. 

Hoje em dia, Eno é considerado como um dos maiores produtores musicais de todos os tempos e detentor do gênero musical intitulado como Ambient Music, classificado por ele mesmo como uma espécie de paisagem sonora onde uma atmosfera leva o ouvinte a um estado de espírito diferente. Um exemplo disso foram alguns belos discos compostos e produzidos por ele como Here Comes The Warm Jates (1973) que conta com as participações de Fripp e John Wetton e Taking Tiger Mountain (1974) que também possui as participações ilustres de Phil Collins e Robert Wyatt.

Eno também chegou a produzir grandes nomes como David Bowie, Paul Simon, U2, Talking Heads, dentre outros.Além de ser fã incondicional do movimento Krautrock, chegou a produzir alguns álbuns do Cluster e chegou a tocar em um deles, que por sinal é maravilhoso, intitulado como Cluster & Eno lançado em 1977.

Esse belo registro que vos apresento hoje gravado em Paris em 28 de Maio de 1975 é composto por três discos instrumentais regrados ao que há de melhor entre as linhas eletrônicas compostas por Eno em seus sintetizadores, um deles um lindo VCS3, mesclado a tão poderosa e virtuosa guitarra do mestre Fripp. 

O ponto mais interessante deste registro é o fato da ausência de toda aquela parafernalha de iluminação no palco, era apenas a penumbra de um holofote que não mudava de cor e, projetado atrás dos dois músicos, passava um curta metragem intitulado por Berlin Horse.

Posso dizer que esse disco em particular, entrou para meu acervo de forma magistral, esse sim é um registro totalmente indispensável a qualquer pessoa que goste tanto do progressivo sinfônico como das diversas formas de música instrumental já vistas por aí.


TRACKS:

DISCO 1:

1. Water On Water
2. A Radical Reprensentative Of Pinsnip
3. Swastika Girls
4. Wind On Wind
5. Wind On Water
6. A Near Find In Rip Pop

DISCO 2:

1. A Fearfull Proper Din
2. A Darn Psi Inferno
3. Evening Star
4. An Iron Frappe
5. Softy Gun Poison
6. An Index Of Metals

DISCO 3:

1. Test Loop I
2. Test Loop II
3. Loop Only A Radical Reprensentative Of Pinsnip
4. Loop Only Wind On Water
5. Loop Only A Darn Psi Inferno
6. Loop Only Softy Gun Poison


ATENÇÃO: ARQUIVO DISPONIBILIZADO EM FLAC PARA MANTER A BOA QUALIDADE DO REGISTRO.

FLAC YANDEX

MEGA

sexta-feira, 27 de abril de 2018

[DIVULGAÇÃO] SOM NOSSO DE CADA DIA - TEATRO MUNICIPAL JOÃO CAETANO - NITERÓI - 05 de MAIO


O lindo Teatro Municipal João Caetano recebe no próximo dia 05 (sábado), o show de relançamento do cultuado álbum Snegs da banda Som Nosso de Cada Dia. Álbum este que, ao longo de mais de quatro décadas, se tornou um dos mais conceituados de todo o movimento progressivo brasileiro.

Confira abaixo o chamado das produtoras Vértice Cultural e Moshi Moshi para essa grande apresentação:



"Uma das maiores bandas de Rock Progressivo nacional dos anos 70 vai efervescer o palco do Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, pela primeira vez no Rio de Janeiro, no sábado, dia 5 de maio, às 20 horas. O Som Nosso de Cada Dia, uma das mais emblemáticas bandas brasileiras da década de 70, está de volta sob a batuta de seu fundador Pedro Baldanza. O show é resultado da jovem parceria entre a produtora Vértice Cultural, a Rádio Beprog, a Masque Records e a Moshi Moshi Produtora, abrindo uma importante ponte aérea Rio-SP de rock progressivo.

Com 46 anos de existência, passando por diversas formações e caminhos musicais e poéticos distintos, a banda sobreviveu à prova do tempo, sendo descoberta e redescoberta, geração após geração. Formada em 1972 por Pedro Baldanza, o Pedrão (baixo, viola e vocal), Pedrinho Batera (bateria e vocal) e Manito (teclados, sax, flauta e violino), lançou em 74 o LP SNEGS, considerado por muitos como o melhor disco de Rock Progressivo brasileiro.

Em 1977, foi a vez do eclético álbum “SOM NOSSO”, que trouxe um lado A (Sábado) Funk, Soul e um Lado B (Domingo) Rock Progressivo e mesmo com a boa repercussão do disco o grupo acabou se dissolvendo em 1978.]

O retorno em 1994 parecia ser definitivo com a gravação do disco Live’94, mas com a morte inesperada e prematura de Pedrinho Batera em 95 resolvem parar mais uma vez. Em 2004, se reúnem novamente para uma série de apresentações que vão até 2010, quando se agrava a doença que levou Manito a falecer em 2011.

A banda hoje é formada por Pedro Baldanza, baixo e vocal, Pedro Calasso (Projeto Preto Véio), percussão e vocal, Marcello Schevano (Casa das Maquinas/Golpe de Estado/Carro Bomba), Guitarra e vocal, Fernando Cardoso (Violeta de Outono), teclados e Edson Ghilardi (Terreno Baldio) na bateria.

Além de suas apresentações regradas a um instrumental primoroso, envolvente e canções épicas e atemporais, o SOM NOSSO prepara um disco novo só com músicas inéditas para o segundo semestre de 2018."

Acervo Som Nosso
Foto: Marcos Vinicius Troyan Streithorst


SERVIÇO:

05/05, sábado no Teatro Municipal João Caetano em Niterói

Endereço: Rua XV de Novembro, 35 - Centro - Niterói

Horário: 20h

Informações: 2620-1624

Classificação etária: Livre

 Ingressos:

Setor Verde: R$ 120,00

Setor Amarelo: R$ 100,00

Setor Vermelho: R$ 70,00

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sábado, 21 de abril de 2018

SÜNDENFALL II - Sündenfall II - 1972


Grupo alemão de curta carreira, formado no distrito de Kevelaer, próximo a Düsseldorf, que lançou apenas um belo álbum em 72. 

A primeira formação do Sündenfall se dedicava exclusivamente ao Jazz e após uma apresentação do Jethro Tull na Alemanha, o pianista e flautista, Christoph Maubach se encantou com a performance de Anderson e decidiu optar por uma transição, trazendo também elementos de Folk e instrumentos acústicos a suas composições. 

Formou-se então o Sündenfall II, que nada mais é que uma é uma compilação variada de folk progressivo, com fragmentos de rock psicodélico, instrumentais de jazz, incluindo passagens de sax, trompete, gaita, muita flauta e com marcante presença de um lindo piano. Não encontramos aqui guitarras elétricas e variadas experimentações como era comum em terras alemãs mas sim uma sonoridade acústica de alto nível. A percussão é tímida a meu ver mas, com agradáveis variações rítmicas. A banda era composta por seis membros, entre eles Kerstin Fleischhammer a única mulher, que dava sua contribuição em algumas faixas com um lindo e forte vocal, sempre cantado em inglês. 

Gravaram então nove músicas diferentes, além de três pequenas peças solo (Prae) tocadas em piano, flauta e violão. Para as gravações, a banda preferiu usar instrumentos acústicos, enquanto em seus shows eles frequentemente apresentavam longas improvisações tocadas em instrumentos elétricos e com pouco vocal.

Uma nota interessante é que o disco foi gravado na então nova sede do canal ZDF, uma das maiores emissoras de televisão pública da Europa. A banda foi convidada para testar os equipamentos recém-instalados no estúdio de som e imagem, denominado por Trefiton. Já no final de 1972, o disco foi devidamente lançado com prensagem limitada de cópias que eram distribuídas em alguns shows e vendidas em algumas poucas lojas de Kevelaer. 

Como sempre, o selo Garden of Delights teve acesso a uma dessas cópias que, hoje chega a valer até uma milha de Euros e relançou em CD em 2010. No ano seguinte, lançou uma tiragem limitada a mil cópias em vinil que ainda se encontra disponível com preços relativamente mais acessíveis.

Trata-se de um disco leve, com faixas de curta duração que gradualmente envolvem o ouvinte a uma atmosfera encantadora em variados segmentos. Um belo registro a quem aprecia a vertente Folk do gênero progressivo. 



TRACKS:

1. Warning 
2. Suddenly Sun 
3. Prae 
4. Montpellier  
5. Dusty Road 
6. Duftes Ding 
7. How To Get On 
8. Prae 
9. She Lives In A Gang 
10. Bloody Birds 
11. Prae 
12. Soldier Of The North 




domingo, 15 de abril de 2018

GOTIC - Escenes - 1978


Da região Catalunha, surgiu já no fim dos anos 70 uma bela banda progressiva que de 'gótica', não tem absolutamente nada!

Existiram alguns boatos de que o Gotic havia gravado um segundo álbum ao qual estava em poder de seus detentores e que nunca fora lançado. Finalmente, por mais de três décadas, desengavetaram esse material e lançaram em CD com o nome de 'Gegants I Serpentines', que também é um excelente registro.

Hoje, irei abordar o primeiro trabalho gravado em 78 que se tornou essencial a qualquer adepto do progressivo sinfônico. Mesmo lançado em uma época onde o gênero já meio que agonizava, a banda teve todo o cuidado em criar melodias em complexas e diversificadas instrumentações, mantendo assim uma requintada essência a qual nos remete aos anos dourados do movimento europeu. 

Trata-se de um disco inteiramente instrumental, com variadas atmosferas, passando por fragmentos de Folk, combinado a uma pegada mais jazzy onde flautas, Hammond e um vistoso Fender Rhodes  desempenham a base de sua execução. 
A junção baixo-bateria não chega ser tão virtuosa mas de nítida criatividade.

A guitarra possui segmentos mais simplificados e de tímida aparição porém, de extrema beleza e essencial importância. Os curtos solos são bem melódicos e intricados, remetendo claramente, em certas passagens, a técnica usada por Andy Latimer especificamente no álbum 'Snow Goose' de 75.

As lindas camadas de teclados nas passagens lentas, são alternadas com as texturas e melodias  exibidas nos fortes solos de Moog, que vêm como uma grata surpresa em certos trechos, fazendo com que o disco ganhe um certo peso e ainda mais qualidade. 

Muitos dizem que essas camadas de teclados saem especificamente de um Mellotron. Discordo, pois os timbres de violino e alguns tipos de chorus não condizem com a originalidade extraída de um instrumento como esse. Desconfio que esses tipos de timbres tenham saído de instrumentos basicamente similares ao Mellotron, porém, de menor porte, tais como Arp Solina, Elka Rhapsody ou Crumar Orchestrator ou equivalentes. 
(Posso estar totalmente enganada e peço por favor que me corrijam se for o caso)

"Escenes" nada mais é que um excelente álbum vindo de uma terra onde infelizmente, o progressivo não era tão notório. Creio que se tivesse sido lançado por um grupo britânico ou italiano nessa mesma época, não há dúvida de que estaríamos agora reverenciando-os como um dos pilares do gênero. 

Mais uma vez, enfatizo que este é um disco essencial para aqueles que realmente levam o Rock Progressivo a sério.


TRACKS:

1. Escenes de La Terra en Festa I de La Mar en Calma
2. Imprompt I 
3. Jocs d'Ocells 
4. La Revolucio 
5. Danca d'Estiu
6. I Tu Que Ho Veies Tot Tan Facil 
7. Historia d'una Gota d'Aigua 


YANDEX


domingo, 8 de abril de 2018

VITRAL - Entre as Estrelas - 2017



Sempre que possível, saliento a importância vinda do Rio de Janeiro em manter o progressivo nos dias atuais em alto nível, principalmente nos últimos dez anos, onde vimos o ressurgimento de antigos projetos e a ascendência de novas bandas de primoroso talento.

Graças a exemplar união dos cariocas, o progressivo nacional tem ganhado grande destaque fora do país por trabalhos autorais dignos de vasta apreciação em países da Europa, Ásia e Américas do Sul e do Norte.

Bandas como o próprio Vitral, Arcpélago, Quaterna Réquiem, Tempus Fugit, Caravela Escarlate (a qual devo uma resenha de seu primeiro e belo álbum), Únitri, Anxtron, dentre muitas outras, foram extremamente importantes para o crescimento do movimento progressivo atual, mantendo sempre o nível de qualidade e cuidado de suas composições em produções de primeiro mundo.

Acervo pessoal de Eduardo Aguillar

Certamente, este é o maior desafio delegado ao Progrockvintage em escrever sobre uma banda a qual tenho grande carinho e extrema admiração, podendo acompanhar, mesmo que de longe, os primeiros rabiscos de um retorno promissor que deu origem a seu primeiro álbum, finalizado e gravado entre 2016 e 17.

A banda Vitral foi originalmente formada no início dos anos 80 pelos irmãos Cláudio Dantas e Elisa Wiermann, Luiz Bahia, Alex Benigno e Eduardo Aguillar. Em pouco mais de dois anos desde sua criação, a banda se desfez fazendo com que os músicos tomassem rumos diferentes em suas carreiras.

Cláudio e Elisa por exemplo, formaram o brilhante Quaterna Réquiem que até hoje vem nos presenteando com belíssimos discos ao longo de seus mais de 30 anos de estrada.
 Aguillar, multi-instrumentista, gravou e engavetou dois belos projetos solo durante anos, lançando-os apenas há alguns anos atrás. 

Acervo Carlos Vaz Ferreira
Nessa onda de fazer uma limpa em seus arquivos pessoais, Eduardo se deparou com algumas gravações caseiras da época em fitas cassete e VHS, além de antigas partituras que foram as principais responsáveis pela retomada do projeto em questão.

Mostrou esse material a Cláudio Dantas que imediatamente abraçou a ideia de resgatar o que ficou perdido com o passar de todos aqueles anos. A reação inicial era em dividir e mostrar todo esse achado aos músicos da antiga formação porém, cada um tem seus afazeres e projetos pessoais, não estando disponíveis para encarar um desafio desse porte naquele momento.

Dantas sugeriu então, convidar experientes músicos já envolvidos com o Rock Progressivo carioca e trouxe nomes de peso, com a finalidade em fazer com o que o Vitral não perdesse sua nuance, trazendo também uma roupagem mais contemporânea a banda.


Acervo Carlos Vaz Ferreira
A antiga formação não contava com a execução de flautas em seus arranjos, foi aí que entrou um dos maiores nomes de todos os tempos nesse quesito, dando um toque a mais de qualidade para o Vitral. Marcus Moura possui uma bagagem musical de longa data. Foi um dos fundadores do Bacamarte, banda altamente aclamada pelos admiradores do progressivo nos quatro cantos do mundo. O disco Depois do Fim, lançado originalmente em 1983, é um dos mais raros e conceituados álbuns do gênero, chegando ao mesmo patamar de alguns medalhões de enorme sucesso do progressivo mundial. 

Acervo Carlos Vaz Ferreira
A guitarra fica a cargo do virtuoso e bastante técnico, Luiz Zamith que, antes de aderir ao projeto proposto, já possuía dois brilhantes trabalhos paralelos que vem ganhando destaque nos festivais produzidos no Rio. O primeiro deles é o interessante, Ícones do Progressivo, que faz belas releituras em formato instrumental das principais bandas vindas da Europa nos anos 70, tais como Yes, Focus, ELP, Jethro Tull e Genesis. Esta última é a de maior inspiração para suas composições, já que muitos de seus arranjos possuem nítidas influências a técnica praticada por Steve Hackett, durante sua permanência no Genesis e em discos solo que se tornaram emblemáticos. 
Tive a honra de assistir ao outro projeto intitulado por Luiz Zamith e banda no ano passado e fiquei surpresa com a qualidade e entrosamento dos músicos ao executar faixas autorais em composições de alto nível, extrema complexidade de arranjos e muito, muito peso.

Acervo Carlos Vaz Ferreira
Eduardo Aguillar aderiu ao grande desafio em assumir o baixo e os teclados durante toda a gravação do disco. Os teclados apesar de bastante modernos, as vezes, soam como os os bons e velhos sintetizadores usados na fase áurea do progressivo. Timbres de Arp, Harpsichord, Hammond e um tímido Mellotron podem ser claramente notados e muito bem selecionados em diferentes segmentos.

Após a conclusão da gravação, Vítor Trope assume o baixo e passa a acompanhar a banda pelas apresentações realizadas em shows e festivais pelo Rio. Também multi-instrumentista, é professor e integra a Orquestra Rio Camerata. Músico experiente e bastante preparado para encarar o desafio proposto. 

Acervo Carlos Vaz Ferreira
Cláudio Dantas dispensa maiores comentários por toda sua trajetória de mais três décadas no Quaterna Requiem, uma das mais importantes bandas do gênero e que ainda está na ativa apesar de aparecer pouco. Dantas também é um renomado pintor e artista plástico sendo o principal responsável pela arte do disco em questão. 



'Entre as Estrelas' é um trabalho composto por três faixas totalmente instrumentais, com variações complexas  que nos remetem a década de setenta mas que, ao mesmo tempo, possui uma instrumentação moderna e muito bem trabalhada para os dias atuais onde houve uma nítida modernização de variadas aparelhagens com o passar dos anos.

"Pétala de Sangue" é a responsável por abrir o disco com fragmentos baseados nos teclados que se intercalam  a solenes solos de guitarra e belas passagens de flauta. Uma atmosfera mais medieval se intercala meio que timidamente a uma textura mais vanguardista, principalmente quando as flautas ganham certo destaque.

A faixa título com seus mais de 50 minutos de duração é alma do disco e o principal resultado de que tudo deu muito certo. Creio que esta música representa a dedicação extrema de cada um de seus músicos em destilar o que há de melhor em técnica, destreza e visível entrosamento na execução de cada uma de suas treze suites.
Muito bem trabalhada, de extremo bom gosto, diversificando a cada instante os variados segmentos instrumentais. As interações nos remetem a influências a bandas dos próprios músicos. Alguns arranjos de teclados e principalmente suas timbragens lembram demais ao estilo inconfundível criado por Elisa Wiermann no Quaterna. As flautas de extremos bom gosto, remetem sem pestanejar ao modo como Marcus Moura as executava no Bacamarte e em projetos solo. A guitarra muitas vezes melódica de Zamith, destoa a claras influências vindas do Camel e Genesis. A sequência baixo-bateria é extremamente sólida, servindo como base indispensável para os outros instrumentos.
Vale lembrar que essa longa composição foi trabalhada e ajustada nas apresentações ao vivo do Vitral até chegar no resultado final contido no disco.

O álbum se encerra com a faixa que dá nome a banda e certamente é minha favorita por algumas lindas variações entre os teclados e flauta. Aguillar usa uma espécie de Harpsichord na introdução, acompanhado por uma flauta mais ao estilo barroco a qual creio ser de madeira, em uma linda sequência de melodias mais leves. A seguir vem um inconfundível solo de Arp que quebra a sequência mais serena, dividindo a peça novamente com uma flauta mais encorpada, seguida por fortes solos de guitarra.



Não poderia concluir essa singela publicação sem antes citar um grupo de pessoas que foram de essencial importância para o sucesso do álbum 'Entre as Estrelas'. Pessoas estas que trabalham arduamente fora dos palcos para o constante crescimento do movimento progressivo carioca.

São eles:

- Vértice Cultural sob a administração de Cláudio Paula e demais parceiros que viabiliza inúmeros shows de bandas locais e internacionais nas cidades do Rio e Niterói. Uma de suas últimas proezas foi trazer os italianos do Locanda Delle Fate para duas inesquecíveis apresentações no fim do ano passado. 

- Masque Records que ficou a cargo da produção executiva do primeiro disco gravado pelo Vitral, sob o comando do amigo Gustavo de Azevedo Paiva que caprichou na produção. Além dele, contamos com sua esposa, a talentosa fotógrafa Maria Ruch, que foi a responsável direta pelas fotos dos músicos no encarte do disco. A Masque produz e comercializa diversos trabalhos envolvendo bandas nacionais e internacionais.

- Laboratório Pedra Branca de propriedade do músico Eduardo Aguillar, um moderno estúdio situado em Vargem Grande onde o disco renasceu e foi devidamente gravado. Nesse estúdio Eduardo já  gravou seus projetos pessoais além de produzir nesse mesmo local, diversos outros nomes que envolvem não somente o progressivo como outros estilos musicais. 

- Carlos Vaz Ferreira não consta nos créditos do álbum mas não poderia nunca deixar de ser lembrado por aqui. Vaz é um exímio fotógrafo que acompanha e registra em suas lentes as diversas bandas cariocas em suas apresentações. Possui também um programa semanal muito conceituado na rádio web Be Prog onde dá oportunidade aos entusiastas do progressivo em conhecer novos e antigos nomes do Brasil e de diversas partes do mundo. 

Tenho plena convicção de que o Vitral veio para elucidar ainda mais o crescimento constante que o progressivo nacional vem tendo ao longo da última década. Juntamente com os novos e antigos nomes que muito contribuem para que esse movimento se torne cada vez mais forte e faça com que os admiradores dos medalhões setentistas também valorizem e apoiem as bandas locais.


TRACKS:

1. Pétala de Sangue
2. Entre as Estrelas 
3. Vitral 

O disco pode ser apreciado na íntegra pelo Progstreaming.

Para aquisição do álbum, o contato deve ser feito através do site da Masque Records ou na página oficial da banda pelo Facebook



domingo, 1 de abril de 2018

DULL KNIFE - Electric Indian - 1971


Mais uma banda alemã esquecida pelo tempo que lançou apenas um álbum e desapareceu deixando um petardo intitulado por 'Electric Indian'.

Com um som de bastante peso, o Dull Knife varia entre o hard prog com boas pitadas de blues onde, robustos solos de guitarra e um poderoso Hammond tomam conta de boa parte do disco. Vocais em inglês com nítida opulência e distorção de vozes, muito provavelmente causada por um Vocoder, uma espécie de sintetizador de vozes humanas muito usado nos anos 70 e 80. As letras são baseadas no evangelho, frequentemente marcadas por riffs agressivos, vocais intensos, levando a crer tratar-se de um disco gospel porém, com toda a veia e pegada experimental do Krautrock. 

Gravado em 1971, o disco foi produzido por Dieter Dierks, principal responsável pelo meteórico sucesso comercial do Scorpions na década de setenta. O vocalista e também tecladista, Gottfried Janko se juntou ao Jane para a gravação do disco Lady em 1975, deixando a banda após seu lançamento. 

A Phllips, forte detentora de gravações progressivas da época, foi responsável pelas prensagens originais do único registro lançado valendo, nos dias atuais, algumas boas centenas de dólares.
Já nos anos 90, o selo alemão Second Battle, remasterizou e relançou o disco em questão.

Recomendado aos entusiastas do bom e velho Krautrock!


TRACKS:

1. Plastic People 
2. Go Down To The River 
3. Lonely Is The Man Kind
4. Walk Along The Muddy Road 
5. Tumberlin Down 
6. Song Of A Slave
7. Feeling Like A Queen
8. Day Of Wrath 


YANDEX

sábado, 31 de março de 2018

DIABOLUS - High Tones - 1972


A maioria das publicações feitas por aqui são de bandas de variados países, não muito comerciais, perdidas e esquecidas pelo tempo, que lançam um único trabalho de extrema qualidade e não dão seguimento a seus projetos. Mesmo assim são bandas que muito contribuíram a fim de elevar ainda mais a qualidade do movimento progressivo que surgia a passos largos no início da década de setenta. 

Um belo exemplo disso é banda inglesa Diabolus, que sequer chegou a lançar oficialmente o disco High Tones por questões desconhecidas, mesmo sendo produzidos por pessoas ligadas ao The Who. 

O selo alemão Bellaphon teve acesso as gravações originais e comercializou sem qualquer autorização vinda de seus detentores. Somente nos anos 90, os membros originais descobriram a manobra ilegal da gravadora e através de um processo judicial, recuperaram os direitos de propriedade da obra em questão. Posteriormente, lançaram o disco oficialmente pelo selo Sunrise.

O som varia entre um fusion descontraído, submerso a uma cozinha baixo-bateria de extrema destreza em linhas de improviso altamente envolventes. Instrumentos como sax e muita flauta são os pontos altos de todo o disco, entrelaçados a complexos solos de guitarra. Teclados e piano aparecem meio que discretamente porém, tem o seu valor e destaque ao longo das faixas.

Algumas passagens remetem a fase áurea do Crimson, talvez pelas intrincadas passagens de sax alternada a uma atmosfera mais folk que, a meu ver, assemelha-se em certos fragmentos, ao modo de condução instrumental vinda do Jethro Tull.  

Trata-se de um disco de audição fácil para quem admira uma sonoridade mais jazzy, com menos peso e mais percepção instrumental. 

Altamente recomendado!


TRACKS:

1. Lonely Days 
2. Night Clouded Moon 
3. 1002 Nights 
4. 3 Pieces Suite 
5. Lady Of The Moon 
6. Laura Sleeping 
7. Spontenuity 
8. Raven's Call 


YANDEX

segunda-feira, 19 de março de 2018

[DIVULGAÇÃO] VITRAL - CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL - RIO - 03 de ABRIL


A resenha do CD lançado no ano passado está no forno e praticamente pronta para ser publicada, faltando apenas alguns detalhes. 

Enquanto isso, convidamos a todos para a apresentação oficial de lançamento do novo álbum 'Entre as Estrelas', muito aclamado pela crítica especializada em diversas partes do mundo. 

O repertório contará com a execução na íntegra do disco em questão, além de projetos anteriores de cada membro. Vale sempre ressaltar que o Vitral é composto por músicos já bastante conhecidos no meio progressivo seja em projetos solo ou em renomadas bandas como Quaterna Réquiem e Bacamarte. São eles:

- Cláudio Dantas (bateria e percussão)
- Eduardo Aguillar (teclados)
- Luiz Zamith (guitarra)
- Marcus Moura (flautas)
- Vitor Trope (baixo)

Foto: Divulgação Oficial

A apresentação está marcada para o dia 03 de Abril, terça-feira, ás 19hrs no Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco 241, Centro - Rio de Janeiro).

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro no dia do show ou através do telefone (21) 3261-2550.

Mais informações na página oficial do evento.

O CD estará disponível para venda no estande da Masque Records no interior do teatro ou quem quiser se adiantar é só enviar um email para: masquerecords@gmail.com