domingo, 2 de novembro de 2014

[RESENHA] RICK WAKEMAN - PALÁCIO DAS ARTES - BELO HORIZONTE - 1º de NOVEMBRO de 2014

ACERVO: CONFRARIA DO PROG

Após um hiato de 20 anos, Rick Wakeman retorna aos palcos de BH para um concerto memorável de Rock Progressivo que lotou o Palácio das Artes na noite deste sábado. Estávamos todos saudosos e muito felizes com a sua volta. Parece que foi ontem mas sua última passagem por terras mineiras foi em 1994 com o show Wakeman & Wakeman, onde o mestre era acompanhado de seu filho Adam. Também um lindo show munido de um setlist bem parecido com que presenciamos essa noite.

O visual do palco era algo absurdamente incrível, a sobreposição de todos os oito ou nove teclados, vistos da parte superior do teatro, davam a sensação de estar vendo muito de perto a sala de comando (bridge) do seriado Star Trek, por todas aquelas luzes coloridas piscando incansavelmente por todos os lados. 
ACERVO: CONFRARIA DO PROG
Os teclados não eram analógicos, com exceção aos dois Mini Moogs, e decepcionaram em certas partes com timbragens bem diferentes da era setentista, onde Hammonds, Mellotrons, Clavinets e piano, possuíam destaque absoluto no set de instrumentos de Wakeman e hoje foram covardemente substituídos por teclados super modernos e de fácil transporte que permitem tocar um milhão de timbres em um só instrumento. Em compensação, de vinte anos até os dias atuais, Wakeman tem melhorado bastante suas perfomances ao vivo quando se trata de simulação de timbragens nesse tipo de equipamento e nesse show não foi diferente. Ele adaptou com maestria os poderosos Korg Kronos e Roland V Synth de forma impecável fazendo com que os mesmos soassem como os instrumentos usados na época.

O começo da apresentação foi marcado pelo o que todos esperávamos, um coral em playback ao fundo com as primeiras introduções de Return To The Centre Of The Earth, lançado no fim dos anos 90.
Nesse momento, adentra-se ao palco o Deus dos teclados mais progressivos, a uma meia luz azulada,  trajando uma capa de veludo azul marinho com discretas lantejoulas prateadas, realçando um tênis branco.

 Ovacionado pelo público, toca os primeiros acordes de um dos trabalhos mais respeitados de todos os tempos fazendo, naquele momento o teatro ruir com a belíssima introdução da primeira parte do disco em questão. 

 O disco não foi tocado na íntegra mas nos contentamos com um medley de Journey To The Centre Of The Earth, que ultrapassou seus quinze minutos com as suites mais importantes da saga de Prof. Lidenbrook pelas profundezas da Terra, na estória escrita por Julio Verne. O show contou com a participação do vocalista original de 1974, Ashley Holt que deu um tom a mais de originalidade a execução dessa parte em especial. 

Wakeman presenteou o público com algumas peças essenciais que pagaram pelo preço do ingresso. 
Um exemplo disso, foi um longo medley de King Arthur, introduzido por um impecável solo de bateria do espanhol Tony Fernandez, que já é um velho companheiro de estrada de Wakeman desde os anos 70 e ainda chegou a participar de alguns discos do Strawbs nos anos 90.
Após o show a parte de Fernandez, entra a lindíssima introdução de King Arthur seguido por Guinevere, uma das mais belas suites contidas no disco lançado em 1975.
Na parte final do show, Wakeman executou uma das melhores versões de Merlin - The Magician que já escutei. Além de ter interagido com o público ao final da música, passando pelas diversas fileiras do teatro, "armado" de um keytar. Espécie de sintetizador com algumas características de guitarra, sendo bastante popular nos anos 80.

Como não poderia faltar, ainda fomos surpreendidos por três das seis esposas de Henrique VIII, executadas em diferentes partes do show. Catherine Parr foi a primeira delas com toda sutileza de um lindo solo de Moog em sua introdução; Jane Seymour, a mais bela das seis, fez com que as paredes do teatro tremessem com a simulação de um lindo órgão de tuba que teimava em ecoar com a nítida sensação de estar dentro de uma catedral; por último vem a primeira esposa do vaidoso e perigoso rei inglês, Cathrine Howard com a linda introdução de piano que lhe é bastante peculiar. 

ACERVO: CONFRARIA DO PROG
O show também contou com versões muito bem trabalhadas de faixas como No Earthly Connection lançada em 1976 e  White Rock, lançada no ano seguinte. Além de The Visit emendada com Phantom Power extraídas do primeiro disco lançado nos anos 90.

Wakeman fechou a apresentação com chave de ouro quando anunciou "Starship Trooper", uma de suas grandes obras no YES. Todos se levantaram e a partir daí ninguém mais se sentou. Alguém na plateia jogou a bandeira de Minas no palco que ele, gentilmente colocou em destaque sob os teclados. 
Estavam ali todos extasiados, meio que sem acreditar no grandioso espetáculo de Rock Progressivo ao qual tinham acabado de presenciar. Foram duas horas e meia de uma aula de música, uma apresentação memorável que, certamente ficará cravada nas paredes do Palácio das Artes por um bom tempo.

Tive a grande honra de poder conversar com o Mago dos teclados após o show. Esbanjando simpatia, Wakeman e toda a banda recebeu cada uma das pessoas ali presentes. Conversei com ele por alguns segundos, meio que sem acreditar quem era aquele senhor que estava ali, bem na minha frente. 
Muito gentilmente, ele assinou a capa interna do meu vinil (Six Wives) e agradeci a ele pelo esplendoroso espetáculo. Não poderia deixar também de agradecer ao Tony Fernandez pelo show a parte nas baquetas e pelo mágico entrosamento entre os dois, fazendo com que o show ficasse ainda mais intenso.

Belo Horizonte agradece pelos últimos shows de Progressivo realizados na cidade e pelos próximos que ainda estão por vir. No último mês, passaram por aqui nomes como Jon Anderson e Roger Hodgson. Ainda aguardamos para o final do ano a volta do Sagrado Coração da Terra em BH depois de muitos anos e, em 2015, a tão esperada vinda de Steve Hackett em terras mineiras.



6 comentários:

  1. Sim, o show foi lindo, tudo isso que vc falou. Mas fica uma pergunta; o som não tava alto demais? A acústica do P.Artes é feita para um simples violão, sem mic., ser ouvido até a última fileira. Aí, colocam microfones, amplificadores, etc, num ajuste que parece de ginásio esportivo. Resultado: acho que até atrapalhou a percepção de algumas coisas. Acho que o prazer seria maior, se o som fosse mais equilibrado.

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    1. Como eu estava na parte superior do teatro, não notei e nem escutei nada de errado. Ouvi algumas reclamações nesse sentido do pessoal que estava nas primeiras filas.

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  2. Assisti ao show ontem e foi realmente memorável!! Música de primeiríssima qualidade e um astro esbanjando simpatia e simplicidade! Bateria, baixo e guitarra na medida exata para acompanhar o mago dos teclados. Só uma ressalva: a capa era azul marinho!! Tive o prazer de estar pertinho dele durante o passeio pela platéia e até toquei a capa. Nos bastidores, vi outro show, de bom humor a paciência ao receber tantos fãs após um show intenso e cansativo para eles. A energia da platéia certamente contribuiu para isso! Eles ficaram encantados e com "fome" de Brasil!!

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    1. Agradeço a observação sobre a capa, Cristina.
      Vou mudar no texto.

      Aproveito para perguntar se era você que estava tirando fotos nos bastidores com uma camera profissional acompanhada de sua filha.
      Uma pessoa tirou uma foto minha com o Wakeman e pediu que deixasse o contato mas quando dei por mim a pessoa já havia se retirado.

      Por acaso é você? Se for, por favor se pronuncie.

      Muito obrigada!

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  3. Luciana, sou suspeito para falar de ti, mas essa noite será eternizada agora com essa sua bela resenha. Parabéns, prog hugs!!

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