domingo, 15 de abril de 2018

GOTIC - Escenes - 1978


Da região Catalunha, surgiu já no fim dos anos 70 uma bela banda progressiva que de 'gótica', não tem absolutamente nada!

Existiram alguns boatos de que o Gotic havia gravado um segundo álbum ao qual estava em poder de seus detentores e que nunca fora lançado. Finalmente, por mais de três décadas, desengavetaram esse material e lançaram em CD com o nome de 'Gegants I Serpentines', que também é um excelente registro.

Hoje, irei abordar o primeiro trabalho gravado em 78 que se tornou essencial a qualquer adepto do progressivo sinfônico. Mesmo lançado em uma época onde o gênero já meio que agonizava, a banda teve todo o cuidado em criar melodias em complexas e diversificadas instrumentações, mantendo assim uma requintada essência a qual nos remete aos anos dourados do movimento europeu. 

Trata-se de um disco inteiramente instrumental, com variadas atmosferas, passando por fragmentos de Folk, combinado a uma pegada mais jazzy onde flautas, Hammond e um vistoso Fender Rhodes  desempenham a base de sua execução. 
A junção baixo-bateria não chega ser tão virtuosa mas de nítida criatividade.

A guitarra possui segmentos mais simplificados e de tímida aparição porém, de extrema beleza e essencial importância. Os curtos solos são bem melódicos e intricados, remetendo claramente, em certas passagens, a técnica usada por Andy Latimer especificamente no álbum 'Snow Goose' de 75.

As lindas camadas de teclados nas passagens lentas, são alternadas com as texturas e melodias  exibidas nos fortes solos de Moog, que vêm como uma grata surpresa em certos trechos, fazendo com que o disco ganhe um certo peso e ainda mais qualidade. 

Muitos dizem que essas camadas de teclados saem especificamente de um Mellotron. Discordo, pois os timbres de violino e alguns tipos de chorus não condizem com a originalidade extraída de um instrumento como esse. Desconfio que esses tipos de timbres tenham saído de instrumentos basicamente similares ao Mellotron, porém, de menor porte, tais como Arp Solina, Elka Rhapsody ou Crumar Orchestrator ou equivalentes. 
(Posso estar totalmente enganada e peço por favor que me corrijam se for o caso)

"Escenes" nada mais é que um excelente álbum vindo de uma terra onde infelizmente, o progressivo não era tão notório. Creio que se tivesse sido lançado por um grupo britânico ou italiano nessa mesma época, não há dúvida de que estaríamos agora reverenciando-os como um dos pilares do gênero. 

Mais uma vez, enfatizo que este é um disco essencial para aqueles que realmente levam o Rock Progressivo a sério.


TRACKS:

1. Escenes de La Terra en Festa I de La Mar en Calma
2. Imprompt I 
3. Jocs d'Ocells 
4. La Revolucio 
5. Danca d'Estiu
6. I Tu Que Ho Veies Tot Tan Facil 
7. Historia d'una Gota d'Aigua 


YANDEX


English Review:

From the Catalonian region, Gotic was a beautiful progressive band that emerged in the late '70s.
At the time, there was some rumors that Gotic had recorded a second album that was in the possession of its owners and had never been released. Finally, for more than three decades, they decided to allow this material and released on CD with the name of 'Gegants I Serpentines', which is also an excellent record.

Today, I'm gonna describe the first work recorded in '78 that has become essential to any progressive symphonic adept. Even released in a time when the genre was already half agonized, the band was careful to create melodies in complex and diversified instrumentations, maintaining a refined essence which reminds us of the golden years of the European movement.

This is an entirely instrumental record with diversified atmospheres, passing through fragments of Folk, combined to a more jazzy section where flutes, Hammond and a flashy Fender Rhodes form the essence of its execution. The low-battery junction is not enough to be so virtuous but with some clear creativity.

The guitar has more simplified segments and timid appearance but however, extreme beauty and essential importance. The short solos are very melodic and intricate, clearly referring in certain passages to the technique used by Andy Latimer specifically on the album 'Snow Goose'.

The beautiful layers of keyboards in the slow passages are alternated with the textures and melodies displayed on Moog's strong solos, which come as a welcome surprise in certain passages, making the record gain a certain weight and even more quality.

"Escenes" is nothing more than an excellent album coming from a land where unfortunately, the progressive was not so notorious. I believe that if it had been launched by a British or Italian group at the same time, there is no doubt that we would now reverence them as one of the pillars of the genre.

Once again, I notice that this is an essential record for those who really take Progressive Rock seriously.

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